Jornal MT Norte
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Lado bom da vida
Rosi Campos reafirma proximidade com comédia na pele de Dodô, em “A Dona do Pedaço”
13:30   30 de Agosto, 2019
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Foto: DIVULGAÇÃO

por Luana Borges

TV Press

Ao longo de quase 30 anos de televisão, Rosi Campos experimentou de tudo um pouco. E a cada trabalho que passa, a atriz comprova sua versatilidade cênica através da facilidade que tem em transitar do drama à comédia. Mas foram os trabalhos de humor que garantiram a ela lugar cativo na memória do público. A começar pela bruxa Morgana, da série “Castelo Rá-Tim-Bum”, exibida pela TV Cultura entre 1994 e 1997. Anos mais tarde, deu vida à divertida Mamuska, em “Da Cor do Pecado” e, recentemente, misturou comédia com drama na pele de Augustina, em “O Tempo Não Para”. Atualmente no ar em “A Dona do Pedaço”, Rosi volta a interpretar um texto leve como Dorotéia, mais conhecida como Dodô. “Minha personagem faz parte de uma família muito engraçada e divertida, bem ‘italianona’. A gente está fazendo de uma maneira bem gostosa”, conta.

Na história escrita por Walcyr Carrasco, Dodô passou boa parte da vida como moradora de rua ao lado de sua família, com quem invadiu irregularmente uma casa. Mas, apesar das dificuldades que enfrenta, não se tornou amargurada. Pelo contrário. A personagem sempre se mostra amorosa com o marido, Eusébio, papel de Marco Nanini, e com os filhos. É depois de se tornar amiga de Maria da Paz, protagonista de Juliana Paes, que Dodô vê sua realidade melhorar um pouco. “A Maria da Paz dá emprego para um dos filhos da minha personagem, mas é um núcleo de pessoas muito simples e pobres, que vivem do que conseguem no dia a dia”, diz.

P – O próprio título de “A Dona do Pedaço” sugere uma homenagem às mulheres, que são as personagens que mais movimentam a trama. Como você avalia a importância da sua personagem dentro desse contexto?

R – Walcyr Carrasco está tendo esse carinho de mostrar esse domínio que a minha personagem acaba tendo de sua própria vida. Afinal de contas, de uma maneira simples, Dodô consegue levar a vida. E no Brasil, é uma loucura. Quantas pessoas conseguem transformar o pouco em algo incrível? O brasileiro tem essa gana de ir para frente, de conseguir realizar coisas. Acho que a mulher brasileira é muito batalhadora, assim como Dodô.

P – “A Dona do Pedaço” estreou em maio deste ano, com apenas quatro meses de distância do fim de “O Tempo Não Para”, que fez bastante sucesso e já está sendo exibida em Portugal. Que lembranças você guarda desse último trabalho?  

R – Achei que a novela foi tão feliz e era uma turma maravilhosa, além de personagens incríveis e uma história muito maluca. Mas o povo todo comprou a ideia. Nós tivemos a sorte de pegar um elenco incrível. A gente fazia muita festa, todos os aniversários foram comemorados. Nunca trabalhei com uma equipe tão maravilhosa.

P – Que encontros cênicos foram mais marcantes?

R – Com a Juliana Paiva, que realmente é extremamente profissional, delicada e querida. E adorei voltar a trabalhar com o Edson Celulari, com quem contracenei na minha primeira novela, “Brasileiras e Brasileiros”, do SBT. Além da Christiane Torloni, com quem trabalhei em “Cara & Coroa”. Foi muito bom reencontrá-los.

P – Antes de fazer televisão, você consolidou sua carreira no teatro. Como é fazer teatro em um país que pouco valoriza a cultura?

R – Realmente, o Brasil não tem o menor interesse na cultura. A gente, que faz teatro há 40 anos, começou desse jeito, sem ter nada. Não tinha lei, patrocínio, não tinha nada. A gente juntava os amigos, fazia um cenário, figurino e pronto. Foi como sempre fizemos teatro. Depois, quando surgiu a Lei Rouanet, alguns conseguiram se beneficiar, não todos porque é difícil fazer a captação. Mas, de uma forma ou de outra, a gente sempre fez teatro e vai continuar fazendo.

P – O que move você diante de tantas dificuldades?

R – O fato de poder lidar com uma outra linguagem. O que a gente quer é fazer coisas legais, estudar, pesquisar, mostrar textos, autores e atores bons. Esse é o nosso principal intuito. Não dá para sofrer. A gente vai levando a vida trabalhando, dando graças a Deus que tem trabalho diante de uma situação tão triste de tantos milhões de pessoas sem emprego. As estruturas do país estão abaladas. Não sei como vamos resolver.

A Dona da História” – Globo – De segunda a sábado, às 21h20.

 
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