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LISTA DA PROPINAGEM EM 20 ANOS DA ERA RIVA | R$ 175 milhões pagos em propinas
José Riva apresenta lista de 38 deputados e ex-deputados que recebiam propina para votar na eleição da mesa e nos projetos de interesse do governo
13:44   09 de Outubro, 2019
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Reportagem
Mato Grosso do Norte

A proposta de colaboração premiada, com 105 páginas, assinada pelo ex-presidente da Assembleia José Riva apresenta ao Ministério Público Estadual, poderá causar trovoadas no meio político de Mato Grosso, pois revela que nos últimos 20 anos a corrupção correu solta no Estado de Mato Grosso. 
Em sua suposta delação, Riva apresenta lista com 38 nomes de ex-deputados e deputados que supostamente receberam mensalinho na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e valores altíssimos para votar nas chapadas para a mesa diretora da AL, sempre comandada por ele. Os fatos tiveram início em 1995 e alcançaram montante aproximado de R$ 175 milhões.
Entre os denunciados estão os ex-governadores Blairo Maggi e Silval Barbosa, ex-deputados e alguns dos atuais parlamentares.
Como elementos de prova, Riva apresenta comprovantes de transferências bancárias, assinaturas em recebimento de materiais não entregues à AL e valores de propina pagos tanto mensalmente quanto em cada eleição para a Mesa Diretora.
O ex-deputado estadual revelou que nos 20 anos em que esteve no Legislativo ao menos R$ 38 milhões foram pagos em propina a parlamentares para a "compra" da eleição da Mesa Diretora, tanto como presidente como 1º secretário. 
Os documentos são sigilosos, mas vazou na semana passada. E teriam sido encaminhados à procuradora de Justiça, Ana Cristina Bardusco, chefe do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), no dia 27 de março deste ano. 
O ex-parlamentar revela que chegaram a ser gastos R$ 10 milhões para a eleição da Mesa para o biênio 2013-2015. “O colaborador pode assegurar que essa foi a eleição para Mesa Diretora que mais utilizou recursos ilícitos foram gastos cerca de R$10 milhõesuma vez que os deputados exigiram maior propina para eleger o colaborador, que estava com sua imagem desgastada por causa da operação Ararath”, consta no documento.
Neste período, Riva conseguiu novamente o cargo na presidência do Legislativo. Como vice-presidente, ocupou o cargo deputado Romaldo Júnior. A Primeira Secretaria ficou com Mauro Savi.

Segundo Riva, teriam sido pagos a um grupo de oito parlamentares daquela legislatura o montante de R$ 800 mil a cada. São eles: Ezequiel Fonseca, Ademir Brunetto, Guilherme Maluf, Wagner Ramos, Wallace Guimarães, Walter Rabello (falecido), Zé Domingos Fraga e Antônio Azambuja, que teria dividido o valor com o deputado Mauro Savi.

Para os então deputados Sebastião Rezende, Baiano Filho, Nilson Santos, Airton Português, Luiz Marinho, João Malheiros e Dilmar Dal’Bosco foram pagos R$ 400 mil a R$ 500 mil, disse Riva.
 Os recursos eram levantados por meio de empréstimos junto a uma factoring. “A quitação dessa dívida se deu por meio de recursos desviados da ALMT, utilizando as empresas”.
Conforme o ex-presidente do Legislativo, foram gastos entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões em cada uma das oito as eleições da Mesa Diretora ocorridas entre anos de 1997 e 2011.
Para o biênio seguinte, 1997-1999, Riva afirma que houve pagamento na ordem de R$ 2 milhões. Nesta eleição, ele foi eleito pela primeira vez presidente da Assembleia, tendo como primeiro-secretário o deputado Romoaldo Júnior.
Em 1999, Riva conseguiu a reeleição, tendo como primeiro-secretário Humberto Bosaipo. Ele revela que foram gastos R$ 3 milhões neste pleito, pagos a 11 parlamentares. Segundo Riva, o montante foi levantado junto à factoring do bicheiro João Arcanjo Ribeiro, posteriormente pago com recursos desviados da Assembleia.
Para a Mesa Diretora de 2001-2003 e 2003-2005, foram pagos R$ 3 milhões em propina. Conforme Riva, parlamentares receberam entre R$ 200 mil a R$ 250 mil cada. Em cada eleição nos biênios 2005-2007 e 2007-2009, foram pagos aproximadamente R$ 4 milhões. 
No biênio 2009-2011, Riva - eleito presidente - afirma que levantou junto com o Sergio Ricardo, primeiro-secretário, R$ 4 milhões com diversas factorings. Na ocasião, a propina era de R$ 300 mil a R$ 350 mil por parlamentar.  No biênio 2011-2013, o ex-parlamentar revela que foram gastos aproximadamente R$ 5 milhões, pagos a 12 parlamentares.  
Já na eleição de 2015, Riva - já fora da Assembleia - disse que teve conhecimento de uma negociação com deputados envolvendo dinheiro, mas não soube especificar o valor. Segundo Riva, até imóveis foram entregues a dois parlamentares em troca de voto.
Era Maggi - Com a eleição do Governador Blairo Maggi, em 2002, o próprio Governador sugeriu que poderia manter o esquema de outra forma, e se dispôs a repassar o montante da propina para a AL/MT, com um adicional, isto é, acrescentaria um vultoso valor no orçamento do Parlamento, ainda que a título de suplementação.
Durante gestão Blairo Maggi, os valores giraram entre R$ 30 e 35 mil. Já na gestão Silval Barbosa, o mensalinho alcançou R$ 50 mil.
“Essa prática se perpetrou e adentrou ao Governo Silval Barbosa, sem nunca falhar, pois, ainda que não houvesse recursos e financeiros e orçamentário, a prática era a de recorrer a empréstimos, através de empresas de factorings ou até mesmo de agiotas”.

 

 
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