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No ar em “Éramos Seis”, Simone Spoladore exibe maturidade cênica em seu retorno à Globo
18:45   14 de Outubro, 2019
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por Geraldo Bessa

TV Press

                Por muitos anos, Simone Spoladore foi levada pela profissão de atriz. Dividindo-se entre filmes, novelas, séries e peças de teatro, ela queria mesmo ganhar repertório em uma rotina que não permitia uma reflexão mais profunda sobre a carreira em construção. “Estava com a mente ocupada e correndo os riscos que qualquer intérprete enfrenta no início da carreira. Fiz algumas escolhas ruins e fui muito feliz em outras. Isso faz parte do processo de amadurecimento. Chegou uma hora em que eu tive de tomar as rédeas da situação”, conta. Em 2013, após cinco anos de contrato e quatro novelas seguidas, Simone decidiu não renovar seu vínculo de prazo longo com a Record. Livre e, solta no mercado, assinou com a HBO, onde protagonizou três temporadas da elogiada “Magnífica 70”, investiu no cinema alternativo e resolveu passar uma temporada em Londres, na Inglaterra. Até que o diretor Carlos Araújo acenou com o convite para viver a delicada Clotilde de “Éramos Seis”. “Fiquei encantada com o projeto. Voltar aos folhetins não estava nos meus planos. Mas, de alguma forma, é um trabalho que me reconecta com a atriz que eu era lá no começo. Achei que tinha tudo a ver e topei”, explica, do alto de seus de 40 anos.

Sem lembrar muito bem do texto original de Maria José Dupré, que está em sua quinta adaptação para a tevê, Simone sentiu a necessidade imediata de ler o livro “Éramos Seis” e se encantou com o retrato sofrido e sentimental de um Brasil da primeira metade do Século XX. “Maria José consegue nos transportar para todas as dificuldades do que era ser uma mulher naquela época. Avanços aconteceram, mas chega a ser desanimador ver que o machismo ainda é tão presente”, opina. Na trama, agora assinada por Ângela Chaves, Clotilde é a romântica irmã de Lola e Olga, personagens de Glória Pires e Maria Eduarda de Carvalho. Típica mocinha que seguia os padrões sociais da época, ela foi criada para ser esposa e mãe dedicada. No entanto, acaba se apaixonando por Almeida, de Ricardo Pereira, um homem desquitado. “Envolver-se com alguém que já tem um outro casamento nas costas era impensável naquela época. Então, a Clotilde decide ir pelo caminho que ela julga mais fácil, que é sofrer e não viver esse amor (risos). É uma personagem que conversa diretamente com a ingenuidade que todo mundo ainda carrega, nem que seja lá no fundo”, ressalta.

Nas outras versões, a personagem conta com atuações memoráveis de nomes como Cleyde Yáconis, Geórgia Gomide e Jussara Freire. Mesmo curiosa, Simone optou por não assistir a qualquer material de arquivo das intérpretes anteriores e fazer uma versão muito pessoal do papel. O processo para chegar ao ponto certo de Clotilde envolveu diversos detalhes e começou cerca de três meses antes da estreia. Fã de produções de época, Simone, de cara, já começou a se inspirar a partir do figurino criado por Labibe Simão e utilizado por Clotilde ao longo das cenas. “São chapéus, luvas e vestidos rodados que transportam a gente direto para o passado. Tudo muito bem feito”, elogia. Além de aulas de história e etiqueta, Simone também passou por um curso de Artes Culinárias sobre o modo de cozinhar e as comidas tradicionais da época. “Foi muito divertido observar as diferenças entre passado e presente. Além de não existir qualquer utensílio feito de plástico, ninguém usava tábua para cortar carnes e legumes. Era tudo na mão”, destaca.

Natural de Curitiba e “cria” da efervescente cena teatral da cidade, Simone estreou na tevê sob a direção de Luiz Fernando Carvalho em “Os Maias”, de 2001. A partir de seu bom desempenho, acabou conquistando outros papéis na emissora, em produções como “Esperança” e “América”. “Não estava preparada para a exposição que naturalmente veio com esses projetos. Foi um período complicado. Estava feliz por fazer o que eu amava, mas insegura com as questões cotidianas que envolvem estar na televisão”, assume. Sem grandes perspectivas na Globo, em 2009, Simone foi seduzida por um convite para viver uma vilã cômica em “Bela, a Feia”, na Record. Com status de estrela na nova emissora, teve a chance de selecionar seus trabalhos e voltar ao posto de protagonista em tramas como “Vidas em Jogo” e “Pecado Mortal”. “Sempre fui vista como uma atriz de papéis densos. Utilizei esse momento da minha carreira para fazer coisas bem diferentes do habitual, como comédia e ação. Na época, a Record estava expandindo sua teledramaturgia, com diversos autores e diretores interessantes”, relembra.

 

Risadas do mal

Simone Spoladore lembra com certo saudosismo dos bastidores de “Bela, a Feia”. Exibida há exatos 10 anos, a atriz acredita que, ao viver a ambiciosa e atrapalhada Verônica, pôde colocar para fora toda os exageros que sempre ficaram contidos em suas personagens mais sérias. “Boa parte das maldades da Verônica acabavam se voltando contra ela. Era a vilã clássica, mas com muito humor. Tinha de me concentrar muito para não rir em cena pois o texto vinha muito bem elaborado”, elogia.

Atualmente, “Bela, a Feia” é exibida com sucesso na faixa vespertina de reprises da Record. Em alguns dias, inclusive, consegue dar mais audiência que as novelas inéditas do horário nobre. Mesmo não gostando muito de rever trabalhos antigos, Simone tem parado para ver algumas cenas da trama escrita por Gisele Joras. “É um trabalho que reunia apelo popular, texto bacana e direção inspirada. Não sou fã de me ver em cena, mas acredito que a produção envelheceu muito bem. Por isso, não me surpreende o sucesso da reprise”, valoriza.

 

Instantâneas

# Simone Spoladore estreou no teatro profissional em 1995. Dois anos depois, trocou Curitiba por São Paulo.

# Simone estava longe dos estúdios da Globo desde uma breve participação no extinto “Linha Direta”, em 2006.

# Até o final do ano, a atriz está envolvida com o lançamento dos longas “O Livro dos Prazeres”, de Marcela Lordy, e “Aos Pedaços”, de Ruy Guerra.

# No momento, ela finaliza “Chá da Alice”, seu primeiro curta-metragem como diretora e roteirista.

 
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