Jornal MT Norte
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Regime militar e partidos políticos
A Arena, mais conservadora, seria a base dos que defendiam o regime
14:00   02 de Dezembro, 2019
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Alfredo da Mota Menezes 

Jair Bolsonaro vai criar um novo partido, Aliança Pelo Brasil. Tentará preencher o lado mais conservador da política nacional. Acena aos religiosos e defensores de uma ação mais forte na área de segurança. Seria, como já foi apelidado, o partido da Bíblia e da Bala (o número da sigla será 38).
Talvez seja um erro se identificar em áreas especificas. Gentes que não pensam assim vão se posicionar politicamente em outros lugares. E é a maioria.
O partido terá que estar pronto até março do ano que vem para poder disputar a eleição para prefeitos e vereadores. Precisam de 492 mil assinaturas. É difícil conseguir todas se a coleta for como é hoje.
Esperam que o TSE dê autorização para que as assinaturas possam ser digitais ou eletrônicas. Se não derem, o partido do presidente provavelmente não disputaria a eleição de 2020.
É mais um partido entre os mais de 30 no país. No Congresso se tem representantes de 26 partidos. Uma salada partidária que tem origem no regime militar. Não custa nada relembrar essa história.
Quando os militares chegaram ao governo haviam poucos partidos. Entre outros, se tinha um mais à direita, UDN, outro à esquerda, PTB, e um mais ao centro, PSD. Os caminhos naturais da política em qualquer lugar.
 Na eleição de 1966, o PSD, cujo líder maior era Juscelino Kubistchek, elegeu os governadores de Minas Gerais, Israel Pinheiro e do Rio de Janeiro, Negrão de Lima. Com receio do fortalecimento de JK, não querendo eleição direta mais à frente para presidente, o regime resolve acabar com os partidos tradicionais e criam dois: Arena e MDB.

A Arena, mais conservadora, seria a base dos que defendiam o regime. O MDB seria de oposição. Ao longo dos anos, com o aumento dos problemas do governo, o MDB foi crescendo em certas eleições. Frente a essa nova situação política, os militares acabam com a Arena e o MDB. A Arena vira PDS e o MDB colocou um P na frente para não perder o embalo que vinha tendo nas eleições.

O PMDB continuou crescendo e o regime radicalizou abrindo a porta para se criar quantos partidos se quisessem. O objetivo era enfraquecer o PMDB, fragmentá-lo em muitos outros. Foi o começo da bagunça partidária que conhecemos hoje.
Em outros regimes militares pela América Latina não se fez essa burrice. No Uruguai, como exemplo, tem partidos que vem deste antes da Guerra do Paraguai até hoje, como o Colorado e o Blanco.
Mas tem algo no ar. Na eleição de 2022 não haverá coligação nas proporcionais. Cada partido lança seus candidatos a deputados. O partido que não eleger um número determinado de deputados federais vai perder o dinheiro dos Fundos Partidário e Eleitoral. Também o tempo no horário gratuito.
Fala-se que, depois daquela eleição, cerca 20 partidos podem desaparecer do cenário politico nacional. Corrigiria o equívoco cometido pelo regime militar que acabou criando essa balbúrdia partidária no país.
 
Alfredo da Mota Menezes é analista político. E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

 
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