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Borrachinha detona Romero como desafiante e diz que Adesanya é "mais fácil que Uriah Hall"
Em fase final de recuperação de uma lesão no bíceps, peso-médio critica possibilidade de cubano ser o próximo a lutar pelo título após perder três das últimas quatro lutas
14:09   10 de Janeiro, 2020
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Foto: Josh Hedges/Getty Images

Por Raphael Marinho — Rio de Janeiro

Israel Adesanya anunciou nesta semana que enfrentará Yoel Romero no UFC 248, dia 7 de março, em Las Vegas (EUA), pela defesa do cinturão do peso-médio (até 84kg) da organização. Paulo Borrachinha, entretanto, ainda não acredita que o confronto esteja de fato sacramentado. O brasileiro aposta que o Ultimate não fez o anúncio oficial por considerar constrangedor que o cubano, derrotado por Borrachinha em seu último compromisso, seja o próximo desafiante ao título. Em fase final de recuperação de uma lesão no bíceps, ele ainda ressaltou que sua ideia é voltar ao octógono "em abril ou maio", mas com uma condição: que seja contra o campeão.

- Ele pode falar o que ele quiser. Não sei se está fechado. Sei que tenho uma experiência já de acompanhar, mesmo antes de lutar, sei que tudo pode mudar a qualquer momento. Até luta fechada pode mudar, quanto mais uma nem anunciada. Se acontecer, acho que seria mais uma luta, como qualquer outra. O detentor do cinturão contra o número 3. Não me afeta em nada. Mas acho que é feio e é constrangedor. Ele não vem só de uma derrota, vem de três (nas últimas quatro lutas), é bem constrangedor. O UFC também pensa assim, o Dana White sabe que é constrangedor, já disse publicamente. Então, por isso mesmo, essa luta ainda não foi anunciada, talvez nem aconteça. Por ser constrangedor, por ser uma coisa sem lógica. A gente está falando para o Combate, mas vou fazer uma analogia com o futebol. É como se o time que foi rebaixado para a série B disputasse a Champions League, o Mundial de Clubes, é mais ou menos isso. Estou em processo de voltar para a minha função normal de treinamento no mês que vem e planejo lutar em abril ou maio, mas eu só luto pelo título. Quem quer que seja, se acontecer ou não, quem ganhar ou não, estarei aguardando para lutar pelo título - afirmou, ao Combate.com.

Desafiante óbvio ao título dos médios, Borrachinha disse que, no lugar de Adesanya, esperaria até abril para enfrentá-lo e aproveitou para alfinetar declaração recente do nigeriano.

- Eu faria isso (esperar para lutar em abril). Talvez haja um pouco de falta de comunicação, um pouco de falta de informação. Não estou correndo atrás de ninguém, ligando para ninguém para marcar, para fazer, acho que não é do meu feitio isso, nem preciso disso. Vai acontecer o que tiver que acontecer. Eu já fiz a escalada até o número 1 do ranking lutando contra os melhores. Sempre escolhi os piores adversários, os mais difíceis, aqueles que as pessoas não escolheriam. Vi até o Adesanya falando que, não podendo lutar comigo por conta da minha lesão, ele gostaria de desafiar quem ninguém nunca desafia, que é o Yoel Romero. Como assim? Eu busquei essa luta um ano. Ninguém desafia, exceto eu, né? Aí tudo bem. Todo mundo falava que não poderia vencer, as pessoas esquecem, mas gosto de lembrar. Falavam que eu não passaria do Romero. Lutei com meu braço 50% rompido. Perdi muita potência, força no braço esquerdo e fiquei também as últimas três semanas sem poder usar o braço esquerdo no treino. Superação total, mas me conheço muito bem. Conheço a maioria dos lutadores e sei que ninguém faz metade do que eu faço.

Caso o UFC oficialize Israel Adesanya x Yoel Romero, Borrachinha vê o cubano com mais armas para sair vitorioso, especialmente pela maior força física em comparação com o campeão.

- Eu acho que o Romero tem uma pujança, uma resistência diferenciada, é muito forte no aspecto que ele consegue realizar. Eu acho que ele vai derrubar o Adesanya, fazer wrestling, forçar o jiu-jítsu, que o dele (Adesanya) não é bom, wrestling também não é bom, muito magro, esguio, fácil de ser "quedado" por ser muito grande. Não é oriundo do wrestling, é muito fino, é fácil fazer mão com mão atrás da perna, não é um cara pesado. Deve lutar com seus 90kg, 92kg no máximo, não vai conseguir ganhar muito peso para lutar. Por isso digo que ele não é oriundo dessa categoria, ele é da (divisão) de baixo, como outros. Então não é a categoria normal dele. Um peso-médio luta com quase 100kg na luta, chega muito forte, ele nunca lutou com alguém como o Romero, eu, que chega forte pra caramba na luta. Se acontecer a luta com o Romero, vai sofrer um bocado, o que nunca sofreu antes.

Se por um lado não acredita que esteja fechada a luta, por outro Borrachinha não se opõe a um eventual confronto entre Adesanya e Romero. O brasileiro, inclusive, declarou que torceria para o cubano por ter sido o único adversário de sua carreira que o levou para a decisão dos juízes. Ele também garantiu que este seria um combate mais difícil e classificou Adesanya como "mais fácil que Uriah Hall", lutador que o próprio Borrachinha bateu em julho de 2018.

- Eu até acho bom que os dois lutem, porque eu gostaria que o Romero vencesse o Adesanya, talvez por nocaute, nocaute técnico, ali no ground and pound de tanto bater nele, e eu consiga lutar de novo com Romero. Não ter nocauteado o Romero ficou engasgado. Todas as minhas lutas antes do Romero terminaram por finalização ou nocaute. Foram 11 nocautes e uma finalização em 12 lutas. Então o Romero foi o único que não nocauteei e quero lutar de novo para nocautear. O Adesanya é indiferente para mim, é mais fácil que o Uriah Hall. Não tenho meta de carreira de lutar com ele, quero apenas porque ele é muito fanfarrão, gosta de provocar. Por esse motivo queria bater nele. Mas, de verdade, é só pessoal. Por mérito esportivo acho que Romero seria mais difícil que o Adesanya para mim. A torcida (será pelo Romero), sim. Pela pessoa. Ele é mais comedido, apesar de ter dado algumas mancadas, não tem nem comparação. Se Romero ganhar, o mérito esportivo é mais legal para mim. Quero lutar para nocautear. Eu ganhando do Romero, depois vou querer lutar com Adesanya também - concluiu.


 

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