Jornal MT Norte
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Um alerta sobre o Censo 2020
Apesar da importância do Censo para o município, não vemos a administração municipal se mexer
13:43   17 de Janeiro, 2020
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José Vieira do Nascimento 

Pouco se ouve falar no Censo Demográfico que se realiza este ano, principalmente por parte de quem seriam os principais interessados, que são os gestores públicos. As informações geradas na coleta de dados do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas- são cruciais para a definição das politicas públicas destinadas a enfrentar os problemas nas áreas que formam as estruturas sociais e econômicas dos municípios brasileiros.
Como sabe qualquer cidadão minimamente informado, é com base nos dados do Censo que se define o índice que regula o repasse do Fundo de Participação dos Municípios – FPM. Desta forma, as atenções dos prefeitos, mesmos os que irão deixar o cargo no dia 31 de dezembro, deveriam estar voltadas para a realização do Censo 2020.
Como foi noticiado no início de 2019, o governo Bolsonaro irá diminuir o orçamento destinado a realização do Censo, e diminuir o tamanho dos questionários. Ou seja, os recenseadores, ao visitarem os domicílios, irão fazer uma quantidade bem menor de perguntas. E isto, no entendimento de funcionários do próprio IBGE, poderá acarretar em prejuízos no mapeamento das informações.
Se antes, quando o IBGE tinha orçamento e os questionários eram completos, já suscitavam dúvidas sobre a legitimidade do resultado do Censo, imagina agora em 2020? O governo reduziu de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,3 bilhões o dinheiro reservado para o levantamento dos dados sobre a população brasileira. 
Trazendo para o âmbito municipal, dá para vislumbrar a importância que o Censo terá para Alta Floresta. A divulgação do resultado do Censo 2020, poderá representar um salto de Alta Floresta rumo ao futuro, ou um retrocesso que vai perseguir a cidade como um espectro pelos próximos 10 anos.

Se o resultado oficializar o número de habitantes que hoje supomos que o município tem, na casa dos 65 a 70 mil moradores, significará um grande avanço e a certeza de muitas conquistas. Caso contrário, o prejuízo no processo de crescimento da cidade, será imensurável.

Portanto, me causa indignação a inércia da administração municipal com relação a esta pauta. Nos últimos 6 anos, o prefeito Asiel Bezerra tem repetido à exaustão, que Alta Floresta é prejudicada pelo IBGE, que confere a cidade um número populacional inferior à sua realidade. Que recebe recurso para cuidar de 50 mil pessoas e a cidade tem, no mínimo 70 mil habitantes.
Percebemos que a administração não está nem um pouco preocupada diante de uma questão decisiva para o processo de crescimento da cidade. Diante da importância e do que representa este evento para o município, o chefe do executivo e seus comandados, deveriam descruzar os braços e tomarem atitudes para evitar consequências e perdas para a população, interrompendo nosso ciclo de progresso.
Se Alta Floresta saltar, oficialmente, de 51 mil para, no mínimo 65 mil moradores, representará uma conquista inestimável, com a vinda de novos investimentos privados, reajustes nos aportes dos recursos que o município recebe e viabilização de muitos projetos como o curso de Medicina na Faculdade de Alta Floresta. 
Portanto, é essencial que a administração municipal resolva se mexer, sair do marasmo. Não podemos perder esta oportunidade. Depois de 2020, outro Censo só em 2030. 
E não basta apenas oferecer todo o apoio que o IBGE precisa, mas sobretudo, acompanhar os trabalhos.  O ideal mesmo seria realizar um Censo Paralelo [através de uma empresa especializada] para ter noção dos dados numéricos do município e auxiliar na coleta de dados dos recenseadores. 
Depois não adianta chorar sobre o leite derramado e usar uma suposta negligência do IBGE para justificar a falta de resultados e a insofismável inoperância que hoje verificamos nos meandros da administração municipal. 

 José Vieira do Nascimento é diretor e editor responsável de Mato Grosso do Norte E-mail: 
mtnorte@terra.com.br


 

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