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OPINIÃO | Um amor pelos animais
13:15   14 de Fevereiro, 2020
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Parece que foi ontem quando na verdade já faz muito mais tempo. Um jovem recém-chegado a Alta Floresta de repente se topa e se afeta por um já experiente senhor e dali nasce uma sólida amizade. Ao jovem bastava ouvir enquanto ao senhor era nato o dom de ensinar. E como ensinava! Embora sem nenhuma formação acadêmica o autodidata Leopoldo Linhares Fernandes que nos deixou no ultimo sábado era um apaixonado pela natureza e pelos animais como filhos dela.
E dia-a-dia essa amizade ia se consolidando a passos largos. Incontáveis vezes encontravam um tempinho para saborear uma cerveja e conversar. Cada um tinha a sua história para contar. E como o ato de ouvir, assim como o silêncio, também faz parte de toda conversa, cabia a esse escriba, o jovem daquela época, na observância de cronista, o ouvir. Ouvir e aprender com quem tinha muito a ensinar e tinha o galardão cravado em si. E como e com que presteza ensinava! Ensinava o tanto quanto a sua lida diária resumida na dedicação e no amor pelos animais que, queira Deus (e Ele quer e sempre quis) fosse perpetuado e incorporado ao amor de cada um, a cada ser vivente. 
E Seu Leopoldo, curador do zoológico municipal de Alta Floresta que depois seria denominado Parque Zoobotânico e batizado com o seu nome (Parque Zoobotânico Leopoldo Linhares Fernandes), era casado e pai de respeitáveis e amáveis filhos. Para esse inconteste amor aos animais o irreverente artista plástico Paulo Roberto Martins criara o sórdido trocadilho: “Ele gosta tanto de animais que casou com uma ema”. Um trocadilho que apesar de sórdido era de um carinho imensurável.
Dona Ema, já falecida, era a fiel esposa com quem Leopoldo dividia as tarefas e cuidados com as diversas espécies felinas acomodadas naquele espaço próximo à sua residência no setor industrial. Quantas vezes dona Ema era vista pelas ruas da cidade pilotando a sua motocicleta.
Pilotar motocicleta também era habilidade do seu Leopoldo e, na qualidade de carona, sou testemunha disso. 
Nas eleições de outubro de 2018, conversava com seu filho Edson Baldussi em frente à escola Vitória Furlani enquanto aguardávamos o retorno do seu Leopoldo que exercia sua cidadania, o direito ao voto.       
Nesses anos entrevistei, fotografei, e escrevi sobre o “seu Leopoldo do Zoológico” funcionário público como eu. 
No último 30 de janeiro juntamente com a escola l9 de Maio Leopoldo fez seu último ato de amor à natureza adotando uma nascente. Não estive lá. Nosso último encontro ano passado foi na Câmara Municipal, quando ele, ao cumprimentar-me disse-me se lembrar vagamente de mim, sabia apenas que eu ‘mexia’ com jornal. Sua memória já cambaleava.

 

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