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OPINIÃO | Um verbo impessoal
13:23   21 de Fevereiro, 2020
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“Fazem três anos que eu venho pedindo. Não adianta!” Começo por aqui. Com esse deslize gramatical pronunciado na tribuna do legislativo, dias atrás. (atente-se para o fato de que eu disse – escrevi – ‘dias atrás’ e não ‘há dias atrás’ o que me incluiria num erro ainda maior, já que o ‘há’, nesse caso, tem o significado de ‘faz’ e não ficaria bem dizer ‘faz dias atrás’, concordam). 
Pois bem ‘no inicio era o verbo’ e o verbo do inicio dessa crônica, verbo fazer que além de verbo irregular, quando se refere a tempo decorrido é impessoal e os verbos impessoais não são conjugados, ou seja, ficam sempre na terceira pessoa do singular (ele ou ela – não pessoa). O mesmo ocorre com os verbos que tratam de fenômenos da natureza: nos últimos dias choveu mais que a media. Os verbos escurecer, relampejar, esfriar, entardecer seguem a mesma regra.  Não sei se me faço entender, como se diz no bom português lá de Portugal, naturalmente, lá pras bandas do Alentejo.
Mostrou o milagre, mas não revelou o santo. Quem foi afinal o autor do deslize? Pergunta que não quer calar. O autor do deslize não importa. Todo mundo erra, inclusive eu, uns com menor, outros com maior frequência, mas todo mundo erra. Do contrário, na ausência do erro, o acerto também não existiria e o monótono tomaria conta de nossas vidas. 
Mas “o saber não ocupa espaço” diz um antigo ditado. Ele só não ocupa espaço como ocupa a vaga de emprego ofertada, a nota no ENEM e até aquele almejado passar no concurso público, ou mesmo para não pagar mico. Afinal não são todos que possuem a sorte de mesmo com o português ruim acabar se dando bem ou até mesmo se tornando ministro.
Luiz Antonio Sacconi em seu livro “Não Erre Mais” brinca com a frase “Cristina, veja o erro que você fez: escreveu chuchu com x”. Depois pergunta: “Onde está o erro na frase?” As cabeças pensam e a resposta vem em uníssono: “É o chuchu com x”. Errado! Também eu faço essa brincadeira com meus alunos e depois revelo que o erro está exatamente no “erro que você fez” porque erro não se faz, erro se comete.
Realmente, erro se comete. E se comete muito. Trocamos “s” por “z”, “x” por “ch”, “faz por fazem”, “chove por chovem” e tantos outros absurdos e outros nem tanto porem erro não se faz, afinal ninguém tem fábrica de erros. É. Acabo de dizer isso e já me coloco em dúvida.


 

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