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Campanha da Fraternidade
Objetivo da Campanha é conscientizar para o sentido da vida co-mo dom e compromisso
13:08   24 de Fevereiro, 2020
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 Deusdedit M. de Almeida

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, durante a quaresma, a 57ª Campanha da Fraternidade, em vigor no Brasil desde 1964. 
Este ano tem como tema, “fraternidade e Vida: dom e compromisso ” e como lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, versículo recolhido da parábola do bom Samaritano (cfr Lc 10,33-34).
 O objetivo principal desta Campanha é conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, que é nossa casa comum.
 Sobre a parábola, Jesus não temeu em colocar um Samaritano como protagonista e modelo do seu ensinamento. Historicamente falando, os Samaritanos eram menosprezados, rejeitados e tratados como pecadores hereges pelos Judeus. Entretanto, na postura inesperada do bom samaritano está o centro do ensinamento de Jesus: a compaixão e o cuidado com a vida humana. Jesus exalta a bondade e solidariedade de um Samaritano.
 Segundo a parábola, o próximo não é apenas alguém com quem possuímos vínculos, mas todo aquele de quem nos aproximamos. Não se deve questionar quem é o destinatário do amor. Importa identificar quem deve amar e não tanto quem deve ser amado.
 A medida do amor para com o próximo não é estabelecida com base em pertença religiosa, grupo social, ou visão de mundo. Ela é estabelecida pela necessidade do outro.
 Por isso, a parábola do bom Samaritano é a chave para uma melhor compreensão do mandamento do amor, essência do cristianismo.

 A Campanha da Fraternidade propõe a compaixão, a ternura e o cuidado como exigências fundamentais da vida para que as relações sociais sejam mais humanas, fraternas e cordiais.  

 A temática da “vida” vem ocupando, sucessivamente, a reflexão das ultimas campanhas realizadas pela CNBB. Isto porque estamos atravessando tempos que alguns chamam de “sombrios”.
 Fala-se, hoje, do fim o até da morte das “grandes utopias” que moviam as mentes, os corações e inspiravam uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
 Os ares pós-modernos parecem conduzir o mundo para um individualismo exacerbado e egocêntrico, tornando as pessoas indiferentes e anestesiados contra as dores humanas. Vemos crescer, hoje, a naturalização do sofrimento alheio e a banalização da vida. Porquanto, a vida deve ser defendida e respeitada em todas as suas etapas e manifestações, desde a sua concepção até o seu declínio natural. 
Preocupa-nos, hoje, o aumento da violência, do ódio, do feminicídio e o  retorno aos tempos da barbárie: “olho por olho, dente por dente". Esta campanha, retomando o tema da vida, denuncia a cultura da morte que vem se impondo na sociedade. O tema da indiferença foi amplamente abordado pelo Papa Francisco, logo no início do seu pontificado, chamando-a de “globalização da indiferença”.
 A campanha da fraternidade nos ensina que a compaixão é o antídoto da indiferença. Finalmente, a Campanha da fraternidade é uma atividade evangelizadora global  para aproximar as pessoas de Deus e ajudá-las a se tornarem  mais cristãs, mais humanas, mais fraternas, mais serenas, mais respeitosas e no relacionamento com seus semelhantes.
 
Deusdedit M. de Almeida é sacerdote Diocesano e Pároco da Paróquia Coração Imaculado de Maria (Cuiabá).


 

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