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Associação cobra apoio da prefeitura para a causa dos animais abandonados
Número de cachorros de rua está aumentando em Alta Floresta e pode se transformar em problema de saúde pública
13:31   24 de Fevereiro, 2020
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José Vieira do Nascimento
Editor Mato Grosso do Norte

A Associação Amamos os Animais, que cuida de animais de rua, principalmente de cães, realizou uma manifestação na manhã de sexta-feira, 21, na Câmara Municipal de Alta Floresta, durante a sessão ordinária, para cobrar apoio do poder público, para as ações desenvolvidas pela entidade na proteção aos animais em estado de abandono. 
O objetivo da manifestação, conforme os organizadores, é reivindicar castrações gratuitas para os animais de estimação de famílias carentes, vacinas e a definição de políticas públicas voltadas para estes animais, como um local para abrigá-los.

Para a vice-presidente da Comissão de Proteção de Direitos dos Animais da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e membro da Associação Amamos os Animais, Luana Liporace Pires da Silva, a manifestação foi mais uma tentativa de chamar a atenção do poder público.

“Somos um grupo de pessoas sem nenhuma condição financeira e estamos cuidando de animais que estão em risco, sem contar com nenhum apoio da prefeitura”, disse.
Conforme ela, as pessoas tem dó dos animais abandonadas nas ruas, mas o problema é que uma grande quantidade de animais, transmitem doenças e causam acidentes. 
“Os carros batem nestes animais, os motoqueiros batem e caem e eles transmitem Leptospirose, Leishmaniose e outras doenças. É uma questão de saúde pública que tinha que ser olhada de perto pelo poder público. E isto não tem sido feito. Os seres sencientes como estes animais, tem os seus direitos, como o direito à vida. E este direito está sendo tirado deles quando os mesmos são abandonados”, disse Luana.  
Para ela, a Associação tem um projeto de castração pública que seria de grande importância que fosse implementado pelo município, para controlar o crescimento da quantidade de animais.
“Gostaria muito que fossem analisados todos os requerimentos que fizemos. Este projeto de castração é importante porque cada cadela cria de 7 a 8 filhotes. E a quantidade de animais abandonados é muito grande e não damos contas de cuidar sem ter apoio”, observa. 
Para a presidente da Associação Amamos os Animais, Leir Ribeiro, não é apenas o bem estar dos animais a preocupação. Conforme ela, apesar do poder público municipal não está demonstrando interesse nesta causa, a situação é muito grave e pode se transformar num problema de difícil solução.
“Está havendo casos de Leishmaniose na Cidade Bela e setor Araras. O setor competente da Prefeitura sabe que eu já comuniquei, mas não faz nada. Mas quando a situação se agravar, a associação não estará junto para ajudar na solução. Se a Associação fechar, a prefeitura vai ter que resolver sozinha. Por enquanto, ainda estamos dispostos a ajudar pelo amor que temos aos animais”, enfatiza Leir. 
Conforme ela, a luta é para conseguir a castração de animais de famílias de baixa renda. “Muitos animais que estão nas ruas são cachorros que tem dono, eles não têm condições de castrar, a cachorra entra no cio e vem os filhotes. Eu recebo uma média de 15 pedidos de ajuda por dia de pessoas que tem um monte de cachorros para doar e a associação não suporta essa demanda”, enfatiza.
Ela defende a criação de leis para punir pessoas que abandonam os animais. “Quando doer no bolso de quem causa maltrato, esta realidade irá mudar. O problema ainda não é muito grande, mas se não forem tomadas as providências irá só piorar. Tem que ter lei que condene estas pessoas”, aponta.
 “A associação está com muitos cachorros e se não conseguir doar, vou ter que soltar nas ruas, porque não temos condições de cuidar”, acrescenta. 
Para a veterinária Dra. Raphaela Peixoto, a manifestação é importante para chamar a atenção do poder público para a situação. De acordo com ela, o que a Associação quer é que diminua a quantidade de cachorros abandonados nas ruas.
“O abandono de animais é uma questão que atinge a maior parte da sociedade. E como está aumentando o número, a única Associação que tem na cidade, não comporta cuidar de todos, porque não recebe nenhuma ajuda do município, e sobrevive de doações.
“O que cobramos é que precisa se criar leis. Animais nas ruas causam um ambiente insalubre e aumenta a suscetibilidade de transmissões de doenças como a raiva, Leptospirose e Leishmaniose. Então, é um problema de todos. Temos que ter a castração, para diminuir os animais e os abandonos. São necessárias várias ações para que isto aconteça e o prefeito tem que tomar uma medida, deve tomar a frente e buscar uma solução. Há anos que são feitas as cobranças e nada saiu do papel”, analisa Raphaela.
Um dos organizadores da manifestação, Alan Benin, avalia que a manifestação conseguiu um pouco de visibilidade para a causa, mas não houve nada de concreto. “De concreto não tem nada, a única coisa que conseguimos foi que irá ser agendada uma audiência com o prefeito na semana que vem e fizemos um requerimento para a Leir [presidente da Associação] usar a tribuna da Câmara na próxima sessão. Conseguimos também cerca de 70 quilos de ração”, disse.

 

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