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CINCO PERGUNTAS: Mudança de ares
Após 11 anos na Record e diversas novelas, Juliana Silveira se aventura pelo universo das séries
18:08   24 de Fevereiro, 2020
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por Caroline Borges

TV Press

                Juliana Silveira, que integra o elenco da série “Matches”, exibida pela Warner Channel, está bastante reflexiva sobre os últimos anos de sua carreira. Prestes a completar 40 anos em março, a atriz começa a fazer os primeiros balanços de sua trajetória no vídeo. Bastante lembrada pelos papéis de protagonista em “Malhação”, da Globo, e “Floribella”, da Band, Juliana conheceu cedo as críticas e opiniões da tevê, fruto de uma intensa visibilidade do vídeo. “Já ouvi muita besteira sobre meu corpo e minhas capacidades durante a minha carreira, e eu comecei aos 13 anos. Se tivesse acreditado em tudo, não teria realizado metade do que fiz. Se você prestar atenção na minha trajetória profissional, vai ver que eu arrisquei e muito, em diversos momentos. Trabalhei em quase todas as emissoras abertas do país. Fiz uma novela infantil na emissora do esporte. Deixei boas personagens e boas histórias por onde passei”, explica Juliana, que lida com tranquilidade com a passagem do tempo. “Vou ter medo de estar mais experiente, mais segura e mais confiante? Para mim, os 40 são os novos 20. Tenho certeza que o melhor ainda está por vir”, completa.

                Na série do canal a cabo, Juliana interpreta a romântica Lara, uma mulher que tenta superar o divórcio com o pai de seu filho. Ela é aconselhada pela amiga solteira e mente aberta Mila, papel de Evelyn Castro, a se aventurar pelo universo dos aplicativos de namoro. “A Lara é uma mulher bem resolvida no trabalho, mas sua vida pessoal está um caos. É romântica e, lá no fundo, acredito que ela ainda tinha a fantasia de reconstruir sua família. Com o apoio da melhor amiga, ela topa se aventurar pelo aplicativo Matches”, afirma. A série da Warner Channel veio em um momento de mudanças para Juliana. Após 11 anos na Record, a atriz começou a sentir a necessidade de procurar novas experiências e parcerias profissionais. “Há 11 anos na emissora, eu já tinha trabalhado com todos do elenco e equipe. Quando você muda todo o cenário do trabalho, sua interpretação acaba ganhando novos tons, devido às novas relações que estão sendo construídas no processo de criação. Foram apenas dois meses e eu ainda sinto falta de um período longo, como acontecem nas novelas. O elenco e a produção estavam muito afinados”, valoriza.

P – A série “Matches” é seu primeiro trabalho na tevê após sua saída da Record, onde ficou contratada por 11 anos. Como surgiu essa oportunidade?

R – Eu fiz testes para conseguir o papel da Lara. Tive várias etapas de testes e acho tranquilo participar dessas seleções. Vou pela intuição, naturalidade e procuro manter a calma na medida do possível, torcendo para que o melhor aconteça. Foi assim que Lara chegou em minhas mãos.

P – O que motivou essa mudança profissional?

R – Eu amei trabalhar na Record e sou muito grata por tudo que experimentei por ali. Fui respeitada como mulher e profissional. Tive meu filho estando contratada e recebi uma licença maternidade de um ano, coisa que não existe no Brasil, mas existiu na Record. Tinha espaço para diálogo e troca. Foi um ciclo que se encerrou em 2018. Precisava de novas experiências e eles entenderam. Consegui desenvolver um aplicativo e conteúdo para redes sociais, fiz duas séries de comédia nesse ano e meio fora de lá. Precisava desse espaço e desse tempo. Ainda converso muito com os amigos e profissionais que ficaram por lá e as portas ficaram abertas.

P – Você teve algum tipo de receio ao perder a estabilidade de um contrato longo?

R - Pensei muito antes de tomar essa decisão. Conversei com meu marido, porque toda a dinâmica da casa iria mudar. E mudou. Sabia que, aos 38 anos, eu teria uma janela de oportunidades e novos personagens se me permitisse ficar livre, sem contrato de exclusividade com ninguém. E foi o que aconteceu. Por isso, me sinto satisfeita com a minha decisão.

P – O enredo de “Matches” fala sobre as novas formas de se relacionar na era dos aplicativos de namoro. Você é casada com o empresário João Vergara há 10 anos e, obviamente, não teve contato com esse tipo de aplicativo. Mas como você enxerga essa nova forma de se relacionar?

R – Acho que pode ser uma opção para quem está solteiro, não tenho preconceito. Só não sei se conseguiria me adaptar à velocidade com que as coisas se desenvolvem no aplicativo e não estou falando do ato em si, mas do tempo que é necessário para se construir uma relação emocionalmente verdadeira e saudável. Acho que o aplicativo pode viciar a pessoa em relacionamentos efêmeros e não dar a oportunidade de passar por momentos que requerem paciência mesmo: esperar o tempo do outro, a maturidade em relação ao que você espera dele. Enfim, questões que aparecem quando você começa a se relacionar com alguém. Faço parte da turma que gosta de construir: histórias, relacionamentos. Talvez porque tenha nascido em 1980 ou talvez seja uma característica da minha alma mesmo. Sou romântica. Nisso eu sou parecida com a Lara, minha personagem.

P – Atualmente, você tem um canal no Youtube. Após tantos anos na tevê, como é desbravar esse novo universo da internet?

R – Uma loucura. Entendo muito mais de Instagram do que de YouTube. Na verdade, nunca fiz um conteúdo exclusivo para lá. Tive problemas com o curta metragem “Kiara” ao veiculá-lo no IGTV - do Instagram - e alguns seguidores deram a ideia de disponibilizá-lo no YouTube. Achei a ideia boa e abri o canal. Tenho vontade de fazer algo específico para o canal, mas ainda não tive uma ideia. Acho maravilhoso ter essas opções para desenvolver algo. Não necessariamente o trabalho desenvolvido na tevê aberta conversa com o conteúdo desenvolvido na internet ou na televisão por assinatura. São públicos diferentes e poder conquistar novos públicos é desafiador. Gosto de entender os fenômenos que as novas tecnologias produzem.

 

"Matches" – Warner Channel – Terças, às 21h40.

 

 

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