Jornal MT Norte
Publicidade
"Há lealdades maiores do que as pessoais", diz Moro após ser chamado de Judas
Ex-ministro acusou Bolsonaro de trocar o comando da PF para obter informações e relatórios sigilosos de investigações ao anunciar demissão, na semana passada
19:13   03 de Maio, 2020
499d32b18483adf270f847cac5329318.jpg

LEANDRO COLON
DA FOLHAPRESS

foto/  Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ex-ministro Sergio Moro escreveu neste domingo (3) em rede social, um dia após ser chamado de "Judas" pelo presidente Jair Bolsonaro.

"Há lealdades maiores do que as pessoais", escreveu Moro, que prestou depoimento no sábado (2) à Polícia Federal em Curitiba devido às suas acusações contra Bolsonaro ao pedir demissão do governo.

Na manhã de sábado, Bolsonaro publicou um vídeo sobre as suspeitas em relação ao mandante da facada que levou na campanha de 2018. "Os mandantes estão em Brasília?", escreveu.

"O Judas, que hoje deporá, interferiu para que não se investigasse?", disse Bolsonaro, citando o depoimento que Moro prestaria à Polícia Federal sobre as acusações que fez contra o presidente ao sair do Executivo.

Moro concluiu seu depoimento no prédio da PF em Curitiba na noite passada após ficar mais de oito horas no local. Ele foi ouvido no inquérito que apura as acusações que fez, de tentativa de interferência política na corporação.

Durante a manhã, a entrada do prédio da PF virou palco de protestos, com grupos em apoio ao ex-juiz da Lava Jato e outros a favor de Bolsonaro.

O ex-ministro chegou ao local por volta das 13h15, mas entrou pelos fundos, frustrando a expectativa de manifestantes. O depoimento começou por volta das 14h e acabou perto das 22h.

À noite, foram pedidas pizzas no prédio da PF para servir as equipes. Moro acabou saindo do edifício apenas por volta da 0h20 de domingo (3), sem falar com a imprensa.

Além de reiterar as acusações feitas ao saír do governo, Moro disse que apresentaria novas provas do que havia afirmado sobre a tentativa de ingerência de Bolsonaro na Polícia Federal.

O presidente, disse ele ao pedir demissão, queria a troca de comando para ter acesso a investigações em andamento.

Depoimento- O ex-juiz da Lava Jato prestou depoimento por mais de oito horas na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, sobre suas acusações de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na corporação. Uma reportagem publicada pela revista Veja, neste domingo, contém declarações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública dizendo que entregou provas materiais aos agentes.

"Foi um depoimento longo, mas tranquilo. Fiz um relato histórico de uma série de situações. Prova material? Tem bastante coisa", disse Moro, segundo relatos de interlocutores ouvidos pela revista.

Moro acusou Bolsonaro de trocar o comando da PF para obter informações e relatórios sigilosos de investigações ao anunciar demissão, na semana passada. O Planalto se preocupa com o andamento de inquéritos que apuram esquemas de divulgação de 'fake news' e financiamento de atos antidemocráticos realizados em abril, em Brasília.

O inquérito foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para investigar se as acusações são verdadeiras. Caso não sejam comprovadas, Moro pode responder na Justiça por denunciação caluniosa e crime contra a honra. 

O interrogatório foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que conduziu a investigação e o depoimento foi conduzido pela delegada Christiane Correa Machado, chefe do Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq).


 

Compartilhe nas redes sociais

COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte