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Com emoção
Versão Storm exalta o perfil aventureiro da Ford Ranger
13:09   25 de Maio, 2020
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Foto: EDUARDO ROCHA/CZN

por Eduardo Rocha

Auto Press

Até a chegada da Ranger Storm, as picapes médias eram vistas apenas de duas maneiras. Uma delas, como um modelo de luxo que conseguia chegar em locais de difícil acesso, como um sítio ou fazenda. A outra, como veículo de carga, principalmente na área rural. Em ambos os casos, o desejável é que fosse capaz de encarar situações pouco amenas, como transpor obstáculos ou trechos com lama. O máximo de esportividade que se buscava em uma picape era poder transportar na caçamba um jet-ski, um caiaque, uma asa delta ou uma motocicleta para trilha. O uso no off-road esportivo parecia reservado apenas aos utilitários mais robustos, como Troller T4 ou Jeep Wrangler. A Ford, no entanto, resolveu aproveitar o know-how que tem no mercado norte-americano, em que as picapes oferecem todo tipo de versão, desde off-road até superesportivas. A versão Storm usa as características como chassi em longarina, tração 4X4 com reduzida e bloqueio do diferencial, para assumir este lado aventureiro da Ranger e se arriscar na lama.

A Ranger Storm foi montada com base no conteúdo da versão intermediária XLS 4X4 AT. A diferença é que sob o capô ela traz o motor mais forte da linha, o Duratorq turbodiesel 3.2 de cinco cilindros, que rende 200 cv de potência e 47,9 kgfm de torque, com tração 4X4 com diferencial traseiro blocante e câmbio automático. Já a XLS tem o propulsor 2.2 turbodiesel de quatro cilindros, que rende 160 cv e 39,3 kgfm. Junto com o motor, a Strom adotou também a suspensão usada nas versões XLT e Limited, que usam o propulsor maior – e mais pesado. A Storm é exatamente 104 kg mais pesada que a XLS. A Storm chega com um valor bem agressivo. O preço de lista do modelo é R$ 155.990, na cor vermelha. A cor branca acrescenta R$ 800 e a pintura metálica ou perolizada, R$ 1.750.

Esse valor quase R$ 10 mil mais baixo que a versão XLS 4X4 AT, que custa a partir de R$ 165.790. E ainda assim, a Storm vem bem mais equipadas. A maior diferença está no visual externo, com detalhes, todos em preto fosco, que exaltam a robustez do modelo. A começar pela frente, com a palavra “STORM” no centro da grade. O modelo vem com estribos laterais, santantônio fixado na estrutura e molduras nas caixas de roda. Espelhos, maçanetas e para-choque traseiro são também em preto fosco. Os faróis têm máscara negra, as lanternas têm capa fumê e há faixas decorativas no capô e na base das portas.

É nas rodas, também pintadas de preto, que está a maior diferença dessa versão. Elas têm aro 17 e calçam pneus 265/65 R17, assim como a XLS. A diferença está nos pneus Pirelli Scorpion AT Plus, desenvolvido especificamente para a Ranger. Além da trama da banda de rodagem com gomos autolimpantes, o novo pneu teve os ombros reforçados, em comparação ao Scorpion AT normal, para aguentar um pouco mais os maus-tratos do fora de estrada. Como acessórios de concessionária, a Ford desenvolveu uma capota marítima específica para a Storm e também um snorkel, que é encaixado na pequena entrada de ar do para-lama no lado direito. Embora ele não aumente a capacidade de submersão da Ranger, que é de bons 80 cm, ele melhora a qualidade do ar que vai para o motor.

Por dentro, a Storm tem uma certa sobriedade. O acabamento dos bancos é em tecido e todos os plásticos dos acabamentos são em preto. Mas termos de tecnologia, porém, o modelo é bem completo. O sistema multimídia é o Sync 3, que traz os aplicativos Android Auto e Apple CarPlay conectados via cabo, ar automático duplo, controle de cruzeiro e volante multifuncional, entre outros. Têm ainda volante e banco com ajuste de altura, apoio lombar, apoio de braços e outros pequenos confortos, como compartimento refrigerado. Na parte de segurança, tem sete airbags, controle de estabilidade e tração, controle automático de descida, sistema anticapotamento e controle adaptativo de carga.

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor é o mesmo 3.2 de 200 cv e 47,9 kgfm de torque que equipa as versões superiores da Ranger. Ele é robusto e muito disponível desde os giros mais baixos – o torque máximo aparece a 1.750 rpm – o que facilita as ações no fora de estrada. No ambiente rodoviário, a Storm acelera e retoma com bastante vigor. Embora o motor turbodiesel não seja muito elástico, o câmbio automático tem agilidade suficiente para não deixar a picape esmorecer. De qualquer forma, pode-se sempre recorrer para as trocas manuais, diretamente na alavanca. Nota 9.

Estabilidade – A Storm adotou o ajuste de suspensão dos modelos superiores da linha Ranger, que também usam o motor 3.2. No sentido oposto, adotou rodas menores e pneus de mais alto com calibragem menor que as versões XLT e Limited. No asfalto, essa equação aumentou a rolagem lateral da carroceria e reduziu um pouco o conforto, em relação aos modelos de topo. O rodar não está tão elegante, mas ficou mais controlável em trechos esburacados. Nota 8.

Interatividade – A Ranger Storm traz uma versão mais simples do sistema multimídia Sync 3, sem GPS interno – tem apenas uma bússola. Fora isso, é tão prático e amigável quanto a versão mais completa. Os aplicativos Android Auto e Apple Car Play funcionam por cabo e o Bluetooth pareia sem maiores mistérios. Os sistemas de auxílio ao condutor nesta versão são controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, monitor de pressão de pneus. O volante multifuncional tem comandos simples e as duas telas de LCD de 4 polegadas no painel, uma de cada lado do velocímetro, permite navegar por quase todas as funções do carro. O ar-condicionado digital tem duas zonas. Nota 8.

Consumo –No Programa Brasileiro de Etiquetagem, do InMetro, a Ranger Storm 3.2 4X4 Automática recebeu a mesma classificação da versão XLT: notas D tanto do geral quanto no segmento. A entidade aferiu um consumo de 8,4 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada. São números altos para um veículo diesel, mesmo que tenha mais de 2 toneladas. Nesse item, só é melhor que a Volkswagen Amarok. Nota 6.

Conforto – O habitáculo da Ranger cabine dupla tem dimensões generosas e bancos confortáveis. Em pisos de boa qualidade, os pneus com 17 cm de lateral absorvem as pequenas irregularidades. Já em estradas mais acidentadas, os desníveis são sentidos pelos ocupantes. Já o isolamento acústico é razoável. Nota 7.

Tecnologia –A Ranger Storm só traz recursos de auxílio à condução básicos para o segmento, como controle de estabilidade e tração, auxílio para partida em rampa, controle de descida. A picape também oferece sete airbags. Não há itens de conforto mais sofisticados, mas os recursos para o off-road são bem eficazes. A arquitetura de 2012 recebeu um reforço estrutural ano passado e ainda está no prazo de validade. O motor é moderno, apesar de um pouco beberrão. Nota 8.

Habitabilidade – Não há uma grande quantidade de nichos e porta-trecos na cabine, mas os que existem são bem funcionais. A capacidade de carga e o espaço interno fazem da Ranger um carro agradável de conviver. O veículo é alto e difícil de acessar, apesar das alças nas colunas dianteiras e do estribo lateral. Nota 8.

Acabamento – Os revestimentos e detalhes dão um bom aspecto ao interior da Ranger. E agradável e o fato de tudo ser preto, torna mais prático. Não há luxo, mas também não tem economia porca. O design do painel e console prima pela facilidade de uso. Há muito plástico rígido exposto, o que é até indicado para um veículo que se propõe enfrentar o barro. Nota 8.

Design – O visual da Ranger Storm segue o conceito tradicional de modelos aventureiros. A vantagem é que a picape é tão grande e tem tanta área de carroceria que os enfeites numa parecem exagerados. Nem mesmo a grade dianteira com a palavra “STORM” escrita em corpo 1.200. A solução do santantônio com uma barra horizontal acompanhando a caçamba foi uma solução simpática e prática. Nota 9.

Custo/benefício – A Ford tem usado o preço da Ranger como um instrumento para ganhar mercado. Mas no caso da Ranger Storm ela foi um pouco fundo nessa política. Com os mesmos equipamentos dos rivais diretos, ela tem um preço até 15% menor. É a melhor relação custo/benefício do mercado. Nota 9.

Total – A Ford Ranger Storm somou 80 pontos de 100 possíveis.

 

Primeiras impressões

Teste vocacional

Parece um detalhe, mas a mudança do conjunto rodas/pneus da Ford Ranger Storm definem em boa parte a personalidade da picape. Graças aos pneus All Terrain Plus da Pirelli, a Ranger ganhou uma destreza maior para rodar na terra, mas perdeu um pouco da habilidade de rodar no asfalto. Se a indicação de uso 60% na terra e 40% no asfalto for seguida, a Storm vai entregar tudo o que promete. Inclusive porque é favorecida pela arquitetura com chassi em longarina, ângulos ataque e saída de 28º e de 26º, altura livre para o solo de 23,2 cm e capacidade de submersão de 80 cm. Além disso, o motor turbodiesel 3.2 litros, com 200 cv e 47,9 kgfm, entrega tudo o que tem em giros muito baixos.

Com essas credenciais, é preciso procurar bastante para encontrar ocasião que seja necessário usar a reduzida. E para se ver obrigado a bloquear o diferencial, é necessário encontrar um lamaçal que desafie a coragem – ou o bom senso ‑ do motorista. Já no asfalto, inicialmente parece que a Storm está fora de seu elemento. Mas é preciso levar em conta que ainda é uma Ranger. Ou seja: tem um bom nível de conforto, suspensão que exerce bom controle da carroceria e ganhos de velocidade vigorosos, pressurizados pelo turbo. As mais de 2 toneladas do veículo se animam facilmente. E o melhor é que os freios também são bem equilibrados e potentes. Trata-se de um motor turbodiesel de baixa rotação, como devem ser os que equipam picapes. Por isso, é pouco elástico e as marchas são curtas.

O interior, por sua vez, é muito espaçoso. Ele recebe bem até cinco passageiros – embora esta ocupação não seja indicada para trajetos muito longos. Não é exatamente luxuoso, mas tem alguns toques bem agradáveis, como o ar de duas zonas ou o apoio de braço central com um bom porta-objetos embutido. O sistema Sync 3 é prático e conta com um bom sistema de som. Mesmo que não se sinta tão Storm mostra um comportamento dinâmico bem adequado à proposta. A rolagem em curvas pode até incomodar inicialmente, mas logo se percebe que não é exatamente uma questão de estabilidade, mas sim de personalidade.

 

Ficha técnica

Ford Ranger Storm Diesel 3.2 4X4 AT

Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, 3.198 cm³, cinco cilindros em linha, turbo, quatro válvulas por cilindro e sistema de abertura variável de válvulas. Injeção direta e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré. Tração integral com reduzida. Oferece controle de tração e bloqueio eletrônico do diferencial traseiro.

Potência máxima: 200 cv a 3 mil rpm.

Torque máximo: 47,9 kgfm entre 1.750 e 2.500 rpm.

Suspensão: Dianteira independente com molas helicoidais e amortecedores a gás. Traseira com eixo rígido, feixes de molas e amortecedores a gás. Barras estabilizadoras na frente e atrás. Oferece controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 265/65 R17 Pirelli Scorpion AT Plus.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS e EBD.

Carroceria: Picape com carroceria sobre chassi, com quatro portas e cinco lugares. Com 5,35 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,82 m de altura e 3,22 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais, de cortina e de joelhos.

Peso: 2.230 kg.

Capacidade da caçamba: 1.180 litros.

Tanque de combustível: 80 litros.

Produção: General Pacheco, Argentina.

Preço: R$ 155.990.


 

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