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Pitada pessoal
11:32   15 de Agosto, 2014

No ar em "O Rebu", Patrícia Pillar fala do quanto empresta de si para suas personagens

 

O porte e a personalidade de Patrícia Pillar fazem com que ela, por muitas vezes, se veja no papel de uma mulher elegante e poderosa. Independentemente da época. E em "O Rebu", escrita originalmente por Bráulio Pedroso em 1974 e adaptada por George Moura e Sérgio Goldenberg, sua atuação não é diferente. Na pele da imponente Angela Mahler, a atriz confessa que prefere papéis que saem de sua "zona de conforto". Apesar do perfil parecido, a empresária do "remake" é completamente diferente das suas demais personagens. "Sempre procuro novos lugares para caminhar. Mas, como sou eu fazendo, sempre tem um quê de mim em todos os papéis que represento", confessa. Angela é uma das suspeitas da morte de Bruno, interpretado por Daniel de Oliveira, durante a festa que está oferecendo. No entanto, Patrícia garante que não sabe do desfecho da história. "Por enquanto, nem estou torcendo por uma culpa ou absolvição. Não dá tempo", diz, aos risos, garantindo que o gênero é um de seus preferidos. "Adoro suspense. O barato é cada um criar suas histórias e suas razões", afirma.

      Aos 50 anos de idade e quase 30 de carreira na tevê, Patrícia, natural de Brasília, no Distrito Federal, vê com carinho sua trajetória nos folhetins. "Desde que estreei, em 'Roque Santeiro', muita coisa mudou. A novela é outra, a demanda é outra", garante. Mas a atriz não deixa o saudosismo tomar conta de seu discurso e exalta os benefícios que as transformações ao longo dos anos trouxeram para as tramas. "A linguagem é muito interessante. Agora tem uma coisa mais cinematográfica que resulta em um produto final lindo", enaltece.

P – Sua personagem em "O Rebu" é uma mulher poderosa, manipuladora, como várias outras que você interpretou na tevê. Como distanciar Angela das outras do tipo?

R – O que eu gosto é pegar tipos que eu possa ir por outros caminhos. Senão a vida fica sem graça. É claro que, quando estou fazendo, tem um "quê" de mim. Então, tem muito de mim nela, como tinha na Constância, de "Lado a Lado", e na Flora, de "A Favorita". Mas a personalidade e a maneira de agir são muito diferentes. A construção também foi bem particular nesse caso.

P – Como foi essa construção?

R – As informações estavam todas no texto. É um texto muito bom, muito bem escrito. Meu trabalho foi, basicamente, buscar as informações necessárias para encontrar essa mulher, entender o papel dela naquele contexto e entrar na atmosfera da história que a gente está contando. O resto, está tudo no texto.

P – Na versão original de "O Rebu", sua personagem era interpretada por um homem, que mantinha uma relação homoafetiva com o filho adotado, agora representado pela Duda, de Sophie Charlotte. Existe alguma relação entre elas?

R – Duda é filha da governanta que morre em um acidente junto com o marido da Angela e seus dois filhos. Ela faz parte da família. Segundo o José Luiz Villamarim, diretor da novela, não há essa questão. O problema dela com Bruno, personagem do Daniel de Oliveira, é uma coisa de mãe. Ciúme, posse. Em relação à primeira versão, você pode apagar os registros.

P – Então, não houve uma busca de referências na primeira versão?

R – Algumas coisas se mantiveram, muitas outras, não. Inclusive, para ir atrás dessa pegada contemporânea que a novela tem. São novos personagens, novas histórias, novas tramas. A gente não está com essa referência de "O Rebu" que passou. Esse é um "rebu" completamente diferente (risos).

P – No próximo ano, você completa 30 anos de sua estreia na tevê, como a Linda Bastos, de "Roque Santeiro". O que mudou de lá para cá?

R – Praticamente tudo (risos).  A demanda é outra. Olho para trás com muito carinho. Naquela época, eu já tinha feito teatro, mas começava na tevê, que é uma experiência completamente diferente. É outro mundo, outra linguagem. A própria tecnologia contribuiu para isso. Lá atrás, tínhamos um só estúdio, gravávamos três dias por semana. A quantidade de trabalho mudou muito também, nós gravamos muito mais.  Principalmente em séries, como, por exemplo, em "Amores Roubados" , que rodamos tudo em plano sequência, com uma câmara só. Estratégia que se repete em "O Rebu". Por isso que é cada vez mais importante se cercar dos profissionais mais incríveis, porque a novela mudou.

 
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