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TESTE AVALIAÇÃO: Refinamento dinâmico
Ford Explorer Limited ganha motor turbo, tração traseira, fica mais espaçosa e equipada, mas é cara
09:29   13 de Julho, 2020
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por Ruben Hoyo

Autocosmo.com/México

Exclusivo no Brasil para Auto Press

                Demorou quase uma década, mas finalmente a Ford renovou completamente a Explorer, um dos modelos mais icônicos da história da marca centenária. A Explorer é talvez a principal responsável por iniciar a febre dos SUVs há quase três décadas. O modelo chegou ao mercado em 1990 e redefiniu o conceito dos consumidores norte-americanos de como deveria ser um carro de família. Hoje, na sexta geração, a Ford concebeu a Explorer mais sofisticada e refinada da história, mantendo a arquitetura de estrutura monobloco, adotada a partir da terceira geração, de 2002. Mas agora com a pequena, mas fundamental, diferença de abandona a tração dianteira, adotada na quinta geração de 2011, e volta à tração traseira. Nessa nova geração, o visual assume proporções mais graciosas. O SUV parece mais largo e mais baixo, com um volume dianteiro extremamente curto e um balanço traseiro maior. Ficou mais robusto e atlético. Mas, ao mesmo tempo, a Ford decidiu não ser arriscar em relação ao design. A Explorer renovada se parece muito com a sua antecessora. E embora tenha sido completamente renovada, a realidade é que, em um nível estético, não propõe nada de muito novo.

                Seguindo a tendência de downsizing, a nova Ford Explorer abandona o V6 de 3.5 litros em favor de um turbo L4 2.3 litros, que entrega 300 cv de potência e 42,9 kgfm de torque, usado também em carros esportivos como Mustang Ecoboost e Focus RS. A transmissão é automática com modo manual sequencial de 10 velocidades – mesma do Mustang importado para o Brasil. Ela envia a força para o trem traseiro. As versões de topo, a esportiva ST e a luxuosa Platinum, trazem de série a tração 4WD, que é opcional na Limited. Portas adentro, os traços também mostram que a estratégia conservadora da Ford. Sem surpresas, as formas são sóbrias e completamente focadas na funcionalidade. Até mesmo a seleção de texturas e cores é bastante conservadora. O interior do novo Ford Explorer pode ser definido como previsível.

                Por outro lado, a qualidade dos materiais e da montagem é boa, embora também chegue a imprimir requinte ao ambiente – isso só acontece nas versões mais caras. não seja a melhor da categoria. Quanto à ergonomia, é um cockpit onde se pode encontrar os diferentes controles, com operação muito simples e intuitiva – como tradicionalmente ocorre nos modelos da Ford. Também possui inúmeros espaços para armazenar objetos, tanto no console central quanto nos painéis das portas. É um interior muito prático e que cumpre muito bem a vocação de ser focado na família. A tela de 8 polegadas no console central, sensível ao toque, tem ótima luminosidade e o sistema o sistema de infoentretenimento Sync 3 tem reações rápidas aos comandos. Ela se conecta através dos aplicativos Apple CarPlay e Android Auto. Nas versões superiores, a central ganha uma tela central de 10 polegadas em formato vertical e um cluster de instrumentos totalmente digital, que são opcionais na versão Limited.

                De série, esta Explorer vem com relógios de conta-giros e velocímetros analógicos no painel. Entre os dois, uma tela de TFT para visualizar informações relacionadas ao áudio, computador de viagem, assistência de condução diversos outros recursos. O volante é multifuncional, forrado em couro e tem uma espessura agradável. Quanto aos equipamentos de conforto há elementos interessantes como o sistema de aquecimento e resfriamento para os bancos, carregador de celular por indução, teto panorâmico, ar-condicionado automático de três áreas, entre outros. A cabine para sete passageiros em três fileiras tem grandes dimensões e oferece bom espaço para a cabeça, mesmo com o teto panorâmico e apesar da redução de 1,5 cm na altura externa – agora é de 1,77 m. A largura se manteve em 2,00 m e é generosa a ponto de três pessoas viajarem na fila central sem problemas.

                No total, a Explorer cresceu em 5 cm, com 5,05 metros de para-choque a para-choque. O espaço disponível para as duas fileiras traseiras cresceu consideravelmente. O entre-eixos cresceu dos 2,86 metros da geração anterior para 3,03 m nessa. Esses 17 cm a mais se traduzem em bom espaço para as pernas. Com a segunda fileira corrediça em uma posição intermediária é até possível transportar sem problemas dois adultos que não sejam muito grandes na terceira fileira. Um problema é o assento central da segunda fileira. Além de ter um formato pouco ergonômico, inexplicavelmente ele não é corrediço como os dois das extremidades, o que compromete o conforto dos passageiros que vão para trás. Por fim, a capacidade de carga mesmo com a terceira linha habilitada, é boa, ainda mais se você remover o painel no piso do porta-malas, para aumentar ligeiramente a profundidade.

                Boa parte da tecnologia mais avançadas da Explorer é voltada para os recursos de segurança. Além de elementos já exigidos, como airbags, freios ABS ou sistema ESP, a Explorer possui elementos que a atualizam, como a câmera de 360 graus ou o sistema CoPilot 360 que integra assistências de condução, como frenagem automática de emergência ou assistente de manutenção de faixa, bem como: sensor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado, entre outros. O SUV da Ford peca, no entanto, por ostentar um preço que não se justifica, ainda mais por ser o modelo que está no centro de uma gama de cinco versões, que começa em cerca de US$ 33 mil, na versão básica, e chega a US$ 58 mil, na Platinum – de R$ 175 mil a R$ 310 mil. A Limited começa em US$ 47 mil, ou R$ 250 mil para um carro sem tração integral, sem painel digital ou head-up display. Mas deve-se reconhecer que esta nova geração representa quase um salto quântico em comparação ao modelo anterior, tanto em relação ao que oferece de espaço quanto de dinâmica e de segurança.

 

Impressões ao dirigir

Dupla personalidade

                Ao volante, a nova Ford Explorer 2020 não decepciona. A mudança para tração traseira trouxe melhorias perceptíveis na forma como ela se assenta no chão e na confiança que transmite nos ritmos das rodovias. A direção poderia ter uma calibração mais refinada, mas tem boa comunicação com as rodas. Embora a suspensão tenha um ajuste mais orientado para o conforto, a Explorer é capaz de encarar curvas com muita segurança. Chamam atenção também os extraordinários níveis de isolamento acústico. A Explorer isola perfeitamente ruídos de rodagem, da mecânica ou aerodinâmicos e é bem superior neste ponto que os rivais diretos.

                Em relação ao comportamento dinâmico, é o caso de questionar porque a Ford demorou tanto a aposentar o velho V6. O Ecoboost 2.3 litros empurra mais forte e a partir de giros de baixos, o que significa que há sempre poder para recuperações e arrancadas. Além disso, graças à transmissão de 10 velocidades suave e rápida, a faixa de operação está sempre abaixo de 3 mil rpm, o que se reflete no consumo bastante aceitável. No modo de condução Eco, pode haver a sensação de falta de potência, mas é necessário lembrar que todos os controles eletrônicos estão privilegiando o baixo consumo. No modo Sport, a capacidade de resposta melhora visivelmente e embora não sejam acelerações para assustar ninguém, responde com força e permite manter ritmos bastante divertidos.


 

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