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Com a mão na massa
Em “Amor e Sorte”, Caio Blat ressalta novos caminhos do audiovisual após a quarentena
10:35   02 de Outubro, 2020
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Foto: DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

por Caroline Borges

TV Press

Caio Blat está sempre disposto a um desafio na profissão. E isso ele encontrou durante as gravações de “Amor e Sorte”, da Globo. A série foi gravada de forma remota diretamente da casa do ator com sua namorada, a atriz Luisa Arraes. Ao contrário do que estava acostumado, Caio não teve uma extensa equipe a sua disposição no “set”. Ao lado de Luisa, ele foi responsável pela operação das câmeras e outros trabalhos dos bastidores, enquanto era dirigido à distância pela diretora artística Patrícia Pedrosa. “Foi um prazer e um tesão participar desse projeto tão bacana. Gravávamos 17 horas sem parar. Estávamos exaustos, mas felizes e ansiosos com o resultado. Foi um processo muito intenso e de entrega total”, explica o ator, que vive Manoel no episódio “A Beleza Salvará o Mundo”, que irá ao ar na próxima terça, dia 29.

A história é assinada por Jorge Furtado, mas também contou com colaborações de Caio e Luisa no roteiro. O ator, inclusive, assina também a direção ao lado de Patrícia. A trama conta a história de Manoel e Teresa, um engenheiro químico aspirante a diretor de cinema e uma atriz, que se conhecem justamente no fim de semana em que o isolamento social começa. Apesar de ficcional, o episódio conta com algumas experienciais reais de Caio e Luisa. No início da quarentena, o casal foi flagrado por um paparazzo quando voltava de uma farmácia. “Eu chamei o fotógrafo para fotografar os remédios. Era importante mostrar que estávamos fazendo algo essencial. A gente colocou essa história no episódio. O Jorge foi deixando a gente colocar situações nossas e dos nossos amigos. Foi uma aula luxuosa escrever com ele”, valoriza.

P – Qual foi a importância de seguir criando durante esse período mais agudo da pandemia e do isolamento social?

R – No começo, a gente pensava como iríamos continuar ativos e produzindo. A arte é muito importante para quem está trancado em casa. Foi incrível ter essa oportunidade. Foi uma engenharia monumental criada pela Globo. A equipe podendo ter acesso aos equipamentos de casa. Todos os departamentos foram muitos generosos em nos ensinar. Foi importante conhecer cada função do “set”. O contrarregra, por exemplo, tem uma função vital no estúdio. Nada roda ou funciona sem o contrarregra. Adorei ficar inventando traquitanas durante as gravações e criando vários tipos de luzes. Foi uma quebra de padrões e estética.

P – Como assim?

R – A Ivete fez uma “live” da cozinha da casa dela. Uma apresentação da Ivete provavelmente envolve diversos bailarinos, produtores, assistentes. Mas liguei a tevê e vi a Ivete dançando de pijama na cozinha. Foi então que eu percebi que a tevê ia precisar absorver a linguagem da internet. O “Jornal Nacional” tinha os repórteres entrando de casa. A qualidade da imagem ficou para trás. Cada um usa o que tem para entrar no ar.

P – Você já vinha flertando com a direção há algum tempo. Como esse processo de “Amor e Sorte” acelerou esse movimento?

R – Eu já estava começando a dirigir “Além da Ilusão”, próxima novela das seis, com o Pedro Vasconcelos. Estava exatamente nesse passo quando tudo aconteceu e o projeto foi adiado. Fiquei pensando que teria de dirigir alguma coisa. Era um processo que estava acontecendo naturalmente. Com “Amor e Sorte”, fiz um intensivo de direção e roteiro. Foi um luxo escrever com o Jorge e dirigir com a Patrícia. É como diz o Manoel na série: “crise quer dizer oportunidade em grego” (risos).

P – De que forma a pandemia atravessou seus planos profissionais?

R – Eu e a Luisa estávamos com uma agenda repleta para esse ano. A gente ia começar a filmar “Grande Sertão: Veredas”, do Guel Arraes e do Jorge Furtado. Tínhamos também ainda algumas apresentações da peça da Bia Lessa marcadas. Estávamos com um monte de trabalho, mas, em um final de semana, tudo foi cancelado. Nosso setor foi completamente paralisado. É um setor feito de aglomeração, encontro com o público. Foi uma frustração grande, mas, em nenhum momento, o Guel deixou isso abater a gente.

P – De que forma?

R – Imediatamente, ele começou a pensar em novas formas de como daríamos sequência ao trabalho. Então, começamos a pensar como iríamos filmar. Vimos cenários em 3D, novas câmeras e tecnologias. O engraçado é que tudo isso não nos limitou. Na verdade, expandiu a nossa criatividade. O “Grande Sertão” se desdobrou por causa dos efeitos visuais. Vai ser um projeto com outra cara, incorporamos esses obstáculos com a tecnologia.

 

"Amor e Sorte" - Globo - terça, às 22h50.


 

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