Jornal MT Norte
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Sossego temporário
Ailton Graça fala das contradições do mulherengo Florisval de “Totalmente Demais”
10:40   09 de Outubro, 2020
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por Geraldo Bessa

TV Press

                A energia de Ailton Graça é do tipo que transborda. Sempre envolvido com mais de um projeto e cheio de ideias fervilhando na cabeça, ele também é figura fácil pelas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro, assíduo frequentador de feiras, rodas de samba e outros eventos e lugares aleatórios. Com fôlego de sobra, a maior dificuldade do ator na quarentena foi sossegar dentro de casa. “Sou fã de multidões e ficar sem ver as pessoas foi triste demais. Aos poucos, fui me readaptando a um esquema mais caseiro e é impressionante como as artes foram a grande companhia em tempos de distanciamento”, analisa o ator que, aproveitou a “pausa” para matar as saudades do malandro Florisval na edição especial de “Totalmente Demais”. “É um personagem muito complexo e errante, mas que ganha a simpatia do público através do humor e do jeitinho tipicamente brasileiro”, conta.

Paulistano criado na periférica região de Americanópolis, Ailton trabalhou como feirante, fiscal de lotação e ambulante antes de se descobrir nas Artes Cênicas. Em 2003, estreou na tevê em “Cidade dos Homens”, e no cinema com o premiado “Carandiru”. A boa repercussão desses trabalhos acabou fazendo com que ele caísse no gosto de autores e diretores da Globo, onde de 2005 a 2009 fez quatro novelas seguidas, incluindo os sucessos “América” e “Cobras e Lagartos”. Sem tempo ruim quando o assunto é trabalho, Aílton continua até hoje como um dos atores mais requisitados e prolíficos do casting da emissora, com produções como “Carcereiros” e “O Sétimo Guardião” no currículo recente. “Sempre sonhei em ser ator. Já que consegui, quero mesmo é trabalhar. Sou muito feliz atuando, curto todo o processo de preparação e gravação. Acho que isso fica bem claro a cada novo trabalho”, valoriza.

P - A edição especial de “Totalmente Demais” está perto do fim. Como foi rever este trabalho durante a quarentena?

R - Foi muito gostoso acompanhar a história como telespectador comum e só confirmei o quão fantástica essa novela é. O trabalho acabou, mas algumas pessoas permaneceram na minha vida de forma muito especial. A Malu Galli, por exemplo. A gente se aproximou de tal forma que hoje eu posso dizer que tenho na Malu uma irmã. Sou amigo de toda a família dela. Algo parecido também aconteceu com o Juan Paiva e a Lelezinha, que viraram meus filhos de verdade. A gente não perdeu essa conexão e tivemos outros encontros profissionais ao longo do tempo.

P - Florisval é um personagem com sérios desvios de caráter e complexo em suas relações amorosas. Ele se tornar popular foi uma surpresa para você?

R - Florisval é uma composição delicada, é um lugar difícil de você elaborar. Ele tem desvios, mas é salvo por seu carisma e humor. É um cara que não acompanhou toda a evolução e a desconstrução do que é ser um homem no Século XXI. A troca em estúdio com a Malu e a Aline (Fanju) foi muito importante no processo de construção desse personagem com um grande deslocamento temporal.

P - Essa masculinidade tóxica do Florisval foi mais debatida durante a exibição original ou agora na reprise?

R - Agora o assunto ganhou muito mais repercussão. E o debate vai além da questão da masculinidade do homem negro. Além de um péssimo marido, ele também não foi um grande pai. E são assuntos que estão extremamente conectados. Muita gente vem conversar comigo nas redes sociais, pois existem muitos caras iguais a ele por aí, que podem até ouvir determinadas coisas, mas não entende mesmo como é que esse processo da desconstrução se desenvolve, como se policiar onde ele está sendo abusivo. É a partir da boa discussão que se vai além.

P - Alguma cena de “Totalmente Demais” o marcou em especial?

R - Um dos momentos mais significativos na novela foi quando a gente gravou o acidente do Wesley (Juan Paiva). Exigiu concentração máxima dos atores, da equipe técnica e de toda a figuração, que se empenhou muito para que a gente fizesse aquele acidente daquela maneira. Foi uma grande comoção. E também foi o momento em que meu Florisval se humanizou um pouco, a partir da preocupação com o filho.

P - Além de rever a novela, o que mais você fez durante essa pausa nos trabalhos provocada pela pandemia?

R - No começo, foi muito difícil a questão do distanciamento social. Gosto de multidões, de Carnaval, de teatro, de uma boa roda de samba, de ir à padaria, de ir à feira. Foi um choque não poder fazer nada disso. Por outro lado, me possibilitou fazer aquela faxina que todo mundo diz que vai um dia fazer em casa, então eu fiz. Coloquei em dia os meus livros, consegui catalogar algumas coisas ainda de DVD e VHS de trabalhos antigos. Foi gostoso ficar um pouco mais com a família e observar o tempo.

 

Totalmente Demais” - Globo - de segunda a sábado, às 19h20.


 

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