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AUTO MUNDO: Evolução urbana
Smart abandona os motores térmicos e aposta nos modelos EQ, com sistema de propulsão inteligente
08:50   19 de Outubro, 2020
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por Alessio Sanavio

Infomotori.com/Itália

Exclusivo no Brasil para Auto Press

                A locomoção nas cidades se torna cada vez mais complexa. Uma antiga solução para a mobilidade na Europa sempre foi o emprego de carros de menores dimensões. Um dos mais notáveis foi o minicarro Fortwo e o subcompacto Forfour, criados pela Smart, costela da gigante alemã Daimler em sociedade com a chinesa Geely. O modelo passou por uma renovação visual, que ficou restrita às versões elétricas EQ, lançadas em 2017. Apesar de as versões a gasolina estarem mostrando um bom desempenho em vendas desde o lançamento da terceira geração, em 2014 – quando passaram a compartilhar a parte mecânica com o Renault Twingo –, a ideia é que o catálogo dos modelos Fortwo e Forfour fique restrito aos modelos elétricos.

                Difícil saber se essa aposta da marca alemã sediada em Böblingen vai vingar. Afinal, a proposta é abandonar um produto maduro, aperfeiçoado ao longo do tempo, e substancialmente bem-resolvido, como o da gasolina. A imagem da Smart sempre incorporou valores como liberdade e independência, que poderiam ser comprometidos numa versão 100% elétrica, que tem limites, principalmente no que diz respeito à autonomia. Depois de duas semanas de uso intenso, uma realidade óbvia se apresentou: o pequeno alemão eletrificado oferece um “sprint” extraordinário (de zero a 60 km/h em 4,9 segundos), uma manobrabilidade impressionante e um prazer de condução renovado, por conta do centro de gravidade rebaixado, por conta do peso das baterias.

                Já a questão da autonomia, é principalmente psicológica. Isso porque a bateria do novo EQ inteligente, de 17,6 kWh, tem o compromisso equilibrado entre o peso a ser transportado e a faixa de condução. Após os primeiros dias de uso, fica muito claro que, no cotidiano, a necessidade de quilometragem diária real de um usuário comum está bem abaixo do que o pequeno modelo alemão oferece de autonomia. Com a prática, basta encaixar distância e horários da rotina para definir os momentos para carregar o acumulador de carga, que garante autonomia entre 107 e 133 km, de acordo com o ciclo de aprovação do WLTP. Obviamente a distância máxima que pode ser percorrida depende do estilo de condução e do possível uso de elementos como o ar-condicionado e faróis, mas o fato de a bateria ser recarregada rapidamente é um ponto bem positivo.

                Os Smart EQ podem ser recarregados em uma tomada doméstica normal, em cerca de seis horas. Com a instalação de um WallBox, a bateria fica cheia em cerca de três horas e meia. Se a carga for dada através de uma coluna de carregamento rápido, a bateria vai de 10% a 80% em menos de 40 minutos. Esta última condição só pode ser alcançada por equipamentos 22 kW, que exige um adaptador que é vendido separadamente por 861 euros – quase R$ 6 mil. Um opcional que acaba por ser quase obrigatório, especialmente se o usuário pretende usar colunas públicas para recarregar seu carro.

                Obviamente, a mobilidade elétrica requer uma mudança de abordagem. Por exemplo: há sérias limitações para trajetos longos. Mas traz também muitas vantagens associadas. Por exemplo, o seguro de um carro elétrico é mais barato, assim como recebe inúmeros benefícios fiscais, que variam de acordo com o país. As vantagens mais importantes vêm da mobilidade nas cidades europeias, que oferecem muitos benefícios para carros de emissão zero. Diversos centros urbanos hoje exigem o pagamento de pedágio para que o carro “sujo”, com motor térmico, entre em determinadas áreas (em cidades como Londres, Nova Iorque, Estocolmo e Milão, por exemplo, para entrar na chamada área central é preciso fazer um pagamento diário para a entrada entre 5 e 10 euros – entre R$ 35 e R$ 70. Para quem vai à região todo o dia útil – 22 dias por mês – isso adiciona até 220 euros, ou cerca de R$ 1500. Sem contar a vantagem de ter estacionamento gratuito mesmo nas áreas em que são cobrados – custo que em um carro comum seria ainda maior que o do pedágio. Nessa rotina, um modelo elétrico pode significar uma economia de 300 euros por mês, ou R$ 2 mil. Sem contabilizar a economia com combustível.

                O Smart foi renovado em sua totalidade, não apenas em sua versão de dois lugares, o Fortwo, mas também na versão de quatro lugares, o Forfour. O modelo maior tomou, em termos de medidas, o lugar da Classe A original e, portanto, é dedicada a quem procura uma capacidade de carga superior ou simplesmente que querem ser capazes de transportar quatro pessoas em liberdade absoluta. Do ponto de vista técnico não há grandes variações entre as duas propostas: a mesma bateria, essencialmente a mesma faixa de preços, a mesma autonomia, o mesmo motor elétrico e, acima de tudo, a mesma garantia de oito anos ou 100 mil km para o conjunto de baterias, que é produzido na Alemanha. Essa garantia é para dissipar qualquer dúvida em relação à perda de eficiência da bateria – que não é como a de celulares, cuja carga, depois de um ano, começa a durar pouco.


 

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