Jornal MT Norte
Publicidade
O ano letivo de 2021
O prejuízo para as atuais gerações de alunos é enorme e irreparável no que tange aos resultados na aprendizagem
10:01   13 de Janeiro, 2021
74a48a1866444967a4a299ea7478022f.jpg

A comunidade escolar está diante de um dilema neste início de ano. Com o recrudescimento da pandemia do covid-19, alunos, pais, professores e todos os profissionais do âmbito da Educação, ruminam as dúvidas de como será o ano letivo 2021. 
Apesar de o governo estadual acenar que as aulas, nas escolas públicas estaduais, começam no dia 8 de fevereiro em forma híbrida, presencial e não presencial, os 40 mil professores do Estado, representados pelo Sintep [Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso] avisam que não pretendem voltar com as aulas presenciais. A disposição da categoria é só regressar quando tiver vacina contra o vírus. E adiantam que podem entrar em greve. 
Compreensível esta preocupação da categoria. Entretanto, em Mato Grosso, 380 mil alunos estudam em escolas públicas estaduais. O certo é que a decisão deve ser analisada com muita responsabilidade de ambas partas: governo e profissionais do setor de Educação. 
A preocupação dos professores é plausível. Porém, para alguns especialistas da área sanitária, a volta de aulas presenciais não irá contribuir para potencializar o atual quadro pandêmico, desde que as escolas façam um bom planejamento e sigam as normas de segurança e prevenção.

Deve-se avaliar o que é pior neste momento crucial. Será que deixar os alunos longe das salas de aulas, ampliando o prejuízo no processo de aprendizagem e até mesmo comprometendo o futuro de milhares de alunos, ou discutir um planejamento para que as aulas sejam retomadas com a maior segurança possível?
Hoje, as pessoas vão aos restaurantes, aos supermercados, em bares, baladas e até viajam. Por conseguinte, diante deste comportamento, não há muito sentido não haver aulas presenciais com as devidas medidas sanitárias de prevenção!
As marcas causadas pela pandemia do covid-19 já são indeléveis. O prejuízo para a atual geração de aluno é enorme e irreparável no que tange aos resultados no processo de aprendizagem.  Há também as alterações psicológicas pela longa alteração na rotina das crianças e adolescentes, que de forma brusca, tiveram que se ausentar da frequência escolar presencial e da convivência cotidiana com seus colegas de turmas. 
Crianças e jovens não podem continuarem privadas da elementar oportunidade de ter acesso à sala de aula. Estamos incorrendo em risco de ter uma geração frustrada, menos competitiva para enfrentar o futuro no mundo pós pandemia, no decorrer de toda uma vida. 
Essa análise de voltar ou não as aulas, deve ser feita com profunda reflexão e cabe as autoridades competentes, o papel de estabelecer normas e critérios para que nem profissionais da Educação e nem a clientela escolar, sejam expostos e prejudicados.
2020 foi um ano perdido para muitos estudantes. Nas universidades federais faltou comprometimento, tanto do Ministério da Educação como das próprias reitorias. Universitários dos semestres iniciais, aqui mesmo na Universidade Federal de Mato Grosso, não tiveram acesso sequer a aulas online, perdendo literalmente o ano letivo. 
Agora neste início de ano, que haja bom senso e resolutividade para que não percamos também 2021.


 

Compartilhe nas redes sociais

COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte