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Como antigamente
10:37   15 de Julho, 2015 - Fonte: TV PRESS

por Geraldo Bessa

TV Press

      A fé de Elizabeth Jhin, além de inabalável, é sua principal fonte de inspiração. Descendente direta da "escola" de Ivani Ribeiro de novelas de cunho espírita, a autora volta ao ar em "Além do Tempo" de forma ambiciosa. Na trama que estreia na próxima segunda, 13 de julho, a reencarnação e a busca pela evolução espiritual estão presentes não só na história central, mas na produção como um todo. "Na prática, são duas pequenas novelas interligadas por um reencontro. Acontecimentos do passado serão usados para justificar e analisar atitudes do presente. Todos os personagens participarão desse acerto de contas", entrega.

      Mineira de Belo Horizonte, aos 66 anos, Jhin exibe calma e segurança incomum entre autores de novela às vésperas de uma estreia. "Penso nessa novela há um ano. Estou muito feliz com as cenas que tenho assistido e com o processo adiantado de trabalho", conta. A disciplina da autora é fruto dos anos de experiência. Escritora de romances e livros infantojuvenis, Jhin fez parte da primeira oficina de roteiro da Globo, em 1991. Seu bom desempenho a tornou colaboradora de nomes como Walther Negrão e Manoel Carlos. A oportunidade de assinar sua primeira novela, no entanto, só chegou em 2007, com a mística "Eterna Magia". "Além do Tempo" chega na esteira de seus maiores êxitos na tevê, as espiritualizadas "Escrito nas Estrelas" e "Amor Eterno Amor". "Encaro a função de autora com muita felicidade. Amo o horário das seis e a possibilidade de levar conforto, esperança e bons personagens ao público", ressalta.

P – Em "Além do Tempo", você desenvolve duas novelas em uma, já que a primeira fase da trama não é apenas um prólogo, mas parte da história. O que a levou a idealizar a produção dessa forma?

R – Vidas passadas é um assunto recorrente na minha trajetória como autora. Em "Além do Tempo", essa minha relação com o espiritismo chega ao ápice. Pois não é apenas um ou outro personagem que mantém essa relação com outras vidas, mas toda a trama. A novela é dividida em duas partes complementares. Embora tenham vivências diferentes ao reencarnarem, todos os personagens estão predestinados a caminhar juntos. Então, a novela tem uma série de acontecimentos no século XIX e todos se reencontram na mesma região do Sul nos dias atuais.

P – Você não apresenta uma trama de época desde "Eterna Magia", de 2007. Estava com saudade do gênero?

R – Muita. Acho que o melhor da trama de época é poder sair do naturalismo, embarcar em uma espécie de conto de fadas. Fora que também adoro ousar na linguagem e a primeira fase da novela mostra como é bonito nosso português, como as palavras de antigamente tinham força e valorizam as relações que a produção apresenta. "Além do Tempo" acaba juntando meu primeiro trabalho na emissora com as tramas contemporâneas que se seguiram.

P – Na segunda fase da trama, todos os personagens continuam com os mesmos nomes e núcleos. É uma forma de não confundir tanto o telespectador?

R – Exato. Estudiosos desse tema dizem que as pessoas reencarnam nos mesmos grupos de amigos, conhecidos e familiares. São relações retomadas. Às vezes, você conhece alguém e acontece uma antipatia gratuita, né? Em outras você reconhece aquela pessoa querida. Esse trabalho é carregado de uma forte licença poética sobre a realidade. Por exemplo, defini que a diferença de tempo entre uma fase e outra é de 150 anos, mas é um número aproximado, apenas gosto dessa ideia de tempo "redondo". Nada em "Além do Tempo" é documental ou tratado com rigidez histórica. É tudo uma leitura sobre o tema e a época. É preciso embarcar na história.

P – Em um momento onde o público cobra cada vez mais lógica e realidade da teledramaturgia, como você encara essa patrulha do telespectador sobre tramas de ficção?

R – As pessoas estão com uma dificuldade enorme de separar as coisas. Não fazemos roteiros documentais, mas sim histórias que, eventualmente, podem ou não evocar a realidade. As redes sociais têm papel fundamental nessa cobrança. É onde alguém, de forma anônima, pode criticar dos rumos da história aos objetos e referências de cada cena que ele julga errado. Eu não me deixo levar por isso. Não tenho Facebook, Instagram ou Twitter, meu contato com as pessoas é na feira ou no supermercado que eu não abro mão de fazer. É o meu termômetro, junto com os dados do Ibope (risos).

P – "Além do Tempo" é a quarta novela que você assina para o horário das seis. Tem vontade de escrever para outros horários também?

R – Isso nem passa pela minha cabeça. Amo a faixa das 18 horas, acho que nela cabe o romantismo que gosto de utilizar no meu trabalho, consigo me espalhar nesse clima de folhetim tradicional. São faixas muito diferentes. Gosto de ficar aqui no meu cantinho e estou feliz da vida.

 

"Além do Tempo" – Globo – De segunda a sábado, às 18:20 h.

 
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