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CINCO PERGUNTAS: Profissão coragem
Na pele da Professora Lúcia, Débora Bloch retorna ao universo realista e sensível da série “Segunda Chamada”
09:10   01 de Outubro, 2021
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POR GERALDO BESSA
TV PRESS

Débora Bloch acredita que há muitas formas de se posicionar politicamente. Por afinidade e necessidade, ela geralmente busca mostrar suas ideias e opiniões através da arte. É por isso que, em um momento onde a sempre problemática educação brasileira é ainda mais esvaziada, a classe artística sofre perseguições e a cultura perde incentivos, protagonizar a série “Segunda Chamada”, que acaba de estrear sua segunda temporada no Globoplay, serve como uma resposta da atriz ao que classifica como “a vitória da ignorância”. “É todo dia uma notícia absurda diferente. O clima não está bom e o momento é muito complicado. É dever de quem faz arte e entretenimento nesse país refletir sobre a própria realidade”, conta a intérprete da perseverante Lúcia, professora de Português da fictícia Escola Estadual Carolina Maria de Jesus.
Mineira nascida em Belo Horizonte, aos 58 anos, Débora mantém sua curiosidade artística intacta, em uma trajetória voltada para a pluralidade de gêneros e tipos. Filha do ator Jonas Bloch e na tevê há 40 anos, ela conseguiu driblar o posto de mocinha de tramas como “Jogo da Vida” e “Sol de Verão” ao ser reconhecida por sua forte verve cômica em trabalhos como “Cambalacho” e no humorístico “TV Pirata”. No início dos anos 1990, empolgada com a reestruturação do setor de teledramaturgia do SBT, saiu da Globo para protagonizar “As Pupilas do Senhor Reitor”. Na volta à emissora onde desenvolveu a maior parte de sua carreira, procurou por projetos mais diversificados e se destacou em produções como “Salsa e Merengue”, “Cordel Encantado”, e nas recentes “Justiça” e “Onde Nascem os Fortes”. “Quando a gente faz o que gosta, tudo é diferente. Mantenho uma relação sadia e produtiva com a Globo. Quando acho que já fiz de tudo um pouco, chega algum convite maravilhoso e inusitado como ‘Segunda Chamada’. Eu vou só aproveitando!”, empolga-se.
P - A primeira temporada de “Segunda Chamada” mostra a Lúcia superando o luto de uma grande perda familiar. A personagem surge mais leve nos novos episódios?

R - Ela está menos densa, mas tem outros dilemas. O grande problema da minha personagem nesta segunda temporada é a falta de alunos. A escola corre o risco de ser fechada por conta disso. Lúcia está empenhada em trazer alunos para a escola e assim impedir o fechamento. Ela vai trazer pessoas em situação de rua e se envolver com esses alunos e suas questões.
P - O que esse tema agregou ao processo de preparação do elenco?

R - Leituras e ensaios foram a nossa base, mas a novidade foi a pesquisa e os encontros para conhecer a realidade da população em situação de rua. Tivemos palestras com pessoas que trabalham com essa população e também conversamos com algumas pessoas que vivem nessas condições. Aprendi muito com esse processo, sinto que fui transformada por ele.
P - Em que sentido?
R - “Segunda Chamada” é um trabalho bastante realista. A série aborda o assunto sem preconceito ou julgamento, que é como acredito que deve ser tratado. Essas pessoas se tornam invisíveis para a sociedade, são desumanizadas e isso precisa ser mudado. Aprendi muito fazendo essa temporada e lidando com esse tema. E espero, do fundo do meu coração, que as pessoas em situação de rua se sintam representadas.
P - A segunda temporada começou a ser gravada pouco antes do início da pandemia e teve de ser interrompida ao longo de 2020. Como foi o retorno ao set?

R - Tive um gostinho de retomada aos estúdios ao participar de “Diário de um Confinado”, com o (Bruno) Mazzeo. Mas regressar a São Paulo, que é onde fica a locação de “Segunda Chamada”, foi extremamente emocionante. Depois de um ano de confinamento, peguei um avião e, quando entrei na escola, senti um alívio, um alento.
P - Dentre os procedimentos de segurança, qual mais atrapalha o seu trabalho de atuação?

R - A gente tem de se segurar para não perder a emoção da cena com tantos protocolos. Tivemos de gravar muita coisa em estúdio e com elenco reduzido, todo mundo sendo testado de forma frequente. É preciso muita concentração para que esse entorno não atrapalhe a cena. Porém, com toda a dificuldade que é gravar na pandemia, poder voltar ao nosso trabalho foi muito bom, uma grande alegria.

“Segunda Chamada” - Globoplay - duas temporadas disponíveis.


 

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