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Não podemos simplesmente virar a página
09:36   27 de Agosto, 2014 - Fonte: Jornal Mato Grosso do Norte

José Vieira do Nascimento

 

2014 marca os 50 anos do golpe militar de março de 1964. Para muitas famílias brasileiras, que tiveram alguém dos seus, torturado ou morto pelo regime, este aniversário pode ser triste. Mas é uma data que teria que ser relembrada e estudada, principalmente pelos jovens atuais. É um tema que teria que ser levado para a sala de aula, como matéria didática deste período histórico. Muita gente, digo os mais jovens, desconhecem a ditadura. Não sabem das monstruosidades praticadas em nome de um regime, numa fase negra da história deste país.

Não podemos apenas virar a página da história e deixar os fatos caírem no esquecimento, sem que sejam repassados para as gerações que vêem em seguida.

 Importante a iniciativa da presidente Dilma de ter criado a Comissão da Verdade, para investigar e revelar o que aconteceu com os desaparecidos políticos, pessoas que foram torturadas, assassinadas e desaparecidas durante os 21 anos em que os militares estiveram no poder.

Apesar da Comissão não ter autoridade para mandar  quem matou e torturou para a cadeia,  terá um papel relevante para que a sociedade tenha uma resposta e a podridão deste entulho histórico, não permaneça embaixo do tapete. Principalmente porque é parte de nossa história recente, com muitas vitimas e filões ainda vivos..

Muitos dos que saíram as ruas para promover badernas, sobre o argumento de que estavam protestando, antes da Copa do Mundo, não sabem o que significa o Ato Institucional AI-5, de 1968, que intensificaram a repressão e a violência dos militares contra supostos opositores do regime.

Cresci ouvindo meu pai falar de brasileiros importantes que foram expulsos do Brasil, por causa da ditadura. Ele era um alagoano simples, mas culto, que gostava de ouvir rádio, ler revistas e livros. Não queria confundir minha cabeça de criança, mas me explicava que artistas, professores universitários e políticos que discordavam do regime, ou simplesmente externavam suas opiniões, eram presos, torturados e muitas vezes obrigados a irem para o exílio. Lembro também da abertura política, época em que os exilados estavam voltando, principalmente o Brizola e o Miguel Arraes, pessoas que ele admirava.

Quando tive sair do interior para estudar, uma das recomendações do meu pai foi de não me envolver com militantes políticos, os chamados comunistas, pois naquele início dos anos 80 a democracia ainda não estava plenamente estabelecida.

E assim, desde pequeno, aprendi a ter nojo da ditadura. Não posso gostar de um regime que reprimia, perseguia, torturava, matava e expulsava pessoas de seu próprio país. Cresci sabendo que a ditadura não era e nem foi um regime bom.  

Portanto, nossos professores, principalmente dos alunos que estão no ensino médio, tem o compromisso e o papel de transferir o conhecimento do que foi a ditadura para as novas gerações. Nós, pais, também devemos ter esta responsabilidade de transmitir a nossos filhos, a história verdadeira. Somente assim, iremos consolidar a democracia e valorizar a liberdade que desfrutamos nos dias atuais. E não podemos esquecer que muitos irmãos ofereceram suas vidas em holocausto pela conquista desta liberdade.

José Vieira do Nascimento é diretor e editor responsável de Mato Grosso do Norte

E-mail: mtnorte@terra.com.br

 

 

 

 

 

 

 
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