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Caminho de volta
Depois de uma década na Record, Bruno Ferrari volta à Globo como mocinho de "Liberdade, Liberdade"
09:32   15 de Abril, 2016 - Fonte: Jornal Mato Grosso do Norte

por Geraldo Bessa

TV Press

      A curiosidade e a busca por novos personagens sempre pautaram a carreira de Bruno Ferrari. Foi exatamente por isso que ele assinou contrato com a Record há exatos 10 anos. E é pelo mesmo motivo que retorna à Globo na pele do mocinho Xavier de "Liberdade, Liberdade". A volta à emissora onde deu seus primeiros passos na televisão acontece de forma consciente e mais madura. Na antiga emissora, Bruno teve oportunidades que dificilmente conseguiria na Globo. Atuou como vilão, herói e passou por tipos complexos como o Artur de "Vitória", de 2014. E foi muito por conta dessa "bagagem" que se sentiu seguro para planejar os novos passos de sua carreira. "A vida é feita de ciclos, né? A Record confiou no meu trabalho e acabei construindo uma trajetória muito expressiva lá. Mas uma hora acontece aquele inevitável desejo de mudança", avalia o ator, que preferiu não renovar seu contrato no final de 2015.

      Livre para assumir outros compromissos e sabendo dos testes para a atual novela das onze, Bruno ligou para o produtor de elenco André Reis e mostrou seu interesse pela produção. "Eu queria muito trabalhar com pessoas diferentes. A Globo passa por um momento de renovação, o Vinícius (Coimbra, diretor) e quase todo mundo que está envolvido nos bastidores da novela representam esse frescor. Aí pedi emprego mesmo e acabei fazendo e passando no teste", conta, entre risos. Na produção assinada por Mário Teixeira e livremente inspirada no livro "Joaquina, Filha do Tiradentes", de Maria José de Queiroz, Xavier é um "bon vivant" recém-formado em medicina que, depois de estudar seis anos em Portugal, volta ao Brasil em um momento onde os gritos de independência estão cada vez mais fortes. "Xavier tem ideais revolucionários e quer o país livre da coroa portuguesa. Essa defesa da liberdade acaba sendo um elo entre ele e a Rosa/Joaquina", conta o ator, referindo-se à protagonista de Andreia Horta.

      O súbito interesse pela filha de Tiradentes acaba atrapalhando os planos dos pais de Xavier, que gostariam de vê-lo casado com sua noiva prometida, Branca, de Nathalia Dill. "É um triângulo amoroso muito interessante. Ele tem uma dívida de honra com os pais e isso pesa bastante para o personagem", ressalta. Ciente de que o período retratado na novela é marcado por uma estética rústica, onde o Brasil era carente de luxos e saneamento básico, a primeira coisa que Bruno fez quando soube que estaria no projeto foi deixar o cabelo crescer. "Achei que isso teria a ver com o papel. Falei com a direção e eles incentivaram", conta. Os passos seguintes para mergulhar no papel foram intensificar as sessões de prosódia e as aulas de equitação e esgrima. Tudo para dar conta das inúmeras cenas de luta protagonizadas por Xavier. "Ele não é do tipo que foge dos problemas, é intenso e impulsivo. No geral, os papéis dessa novela exigem muito do elenco. Poderia fazer esse personagem de muitas maneiras, pois ele é de uma riqueza enorme", valoriza.

      O sorriso no rosto e a empolgação de Bruno ao falar sobre "Liberdade, Liberdade" impressionam. Muito por conta da notória impaciência e falta de humor que o ator demonstrava durante a divulgação de seus últimos trabalhos na Record, como sua participação na série "Milagres de Jesus". "Estou vivendo um momento bom, virando uma etapa da minha vida", assume. Aos 34 anos recém-completados, ele ainda guarda um pouco da timidez do jovem natural da pequena Catanduva, interior de São Paulo, que estreou na tevê em "Sabor da Paixão", de 2002. O primeiro papel de destaque, e que chamou a atenção da Record, inclusive, foi o revoltado Cadu, da temporada 2004 de "Malhação", onde atuou por quase dois anos. "Foi o papel que mudou a minha vida. 'Malhação' tem uma função importantíssima dentro da Globo e é bacana ter ficado conhecido por esse trabalho. Assinei com a Record porque o convite era maravilhoso. Fui muito feliz lá, assim como estou muito feliz em voltar à Globo", analisa.

 

"Liberdade, Liberdade" – Segundas, terças, quintas e sextas, às 23 h.

 

Para toda obra

      Bruno Ferrari fez valer os quase dez anos que passou como contratado da Record. No período, o ator ficou pouquíssimo tempo fora do ar e participou de seis novelas e uma minissérie. Entre tantos trabalhos, o mocinho Rodrigo de "Bela, A Feia" e o vilão Norberto de "Balacobaco" se destacam. "Foram novelas que, de alguma forma, me testaram. Eram tipos difíceis e que me fizeram ainda mais disciplinado", conta.

      Com o vilão Norberto de "Balacobaco", Bruno acredita que gastou boa parte de seu repertório de maldades. "Ele era aquele tipo de vilão para ninguém botar defeito. Sociopata e sem qualquer juízo de valor. Foi um personagem marcante porque me colocou no limite do crível", explica.

 

Instantâneas

# Antes de querer ser ator, Bruno Ferrari pensava em estudar Administração de Empresas.

# Ao trocar Catanduva pelo Rio de Janeiro, o ator dividia seu tempo entre o curso de teatro e o trabalho de figurante na televisão.

# Bruno comunicou à Record que não renovaria seu contrato pouco antes do fim das gravações de "Vitória".

# Assim que terminar seu compromisso com "Liberdade, Liberdade", o ator pretende investir no teatro. Atualmente, ele trabalha na captação de recursos para montar o espetáculo "A Última Consulta da Doutora Spiller", de Sérgio Roveri.

 
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