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PERFIL: Sob a máscara da maldade
Em ''Êta Mundo Bom!'', Guilhermina Guinle aprende como é viver vilã em uma novela das seis
15:51   10 de Junho, 2016

por Luana Borges

TV Press

      Guilhermina Guinle é a personificação da delicadeza e elegância. Talvez por isso ela se divirta tanto na pele da vilã Ilde, em ''Êta Mundo Bom!''. Afinal, na trama de Walcyr Carrasco, a atriz tem, ainda que na ficção, a oportunidade de protagonizar atitudes condenáveis. ''A vilã está sempre aprontando. Tem horas que minha personagem diz 'aquele menino chato'. Muitas vezes, a gente teria vontade de falar isso, mas não fala. Na novela, pode'', salienta, aos risos.

            Na história, Ilde passa a maior parte do tempo maltratando o enteado Claudio, papel de Xande Valois. Nem o fato de o menino estar em uma cadeira de rodas penaliza a megera. Por isso, volta e meia, Guilhermina se depara com telespectadores da novela que confessam detestar sua personagem. Algo que a empolga ainda mais. ''É legal ver como as pessoas, mesmo sabendo que é uma atriz fazendo, se envolvem. Que bom, sinal que estou passando alguma verdade'', anima-se.

      Mas Guilhermina confessa se sentir mal várias vezes na hora de gravar cenas em que Ilde faz maldades com Claudio. Em certa ocasião, a vilã iria deixar o menino sozinho, à noite, no jardim. E a atriz chegou a sentir um aperto no peito antes de começar a sequência. ''Vi aquele menininho fofinho, na cadeira de rodas, sentadinho... Ele ainda falava: 'você me deixou aqui sozinho até essa hora'. Quer dizer, fiquei arrasada'', conta ela, que sempre abraça e beija Xande no fim de cenas como essa.

            Uma semana antes de se envolver com os trabalhos de ''Êta Mundo Bom!'', Guilhermina se despedia de ''Verdades Secretas'', em que interpretou Pia. Apesar do curto intervalo entre uma produção e outra, ela teve tempo de se preparar para viver Ilde. Além de participar das leituras junto ao elenco, assistiu a diversos filmes das décadas de 1940 e 1950 para se inspirar na forma de atuar da época. ''Vejo que é uma atuação um pouco diferente. Dá para brincar mais, você não precisa ser tão naturalista. Apesar da minha personagem ter essa história mais real de maltratar o menino, eu também me pego querendo ousar'', diz.

            Justamente por ter emendado uma novela na outra, a mudança de visual foi fundamental para Guilhermina entrar na nova personagem. Antes loura para viver uma paulistana rica em ''Verdades Secretas'', desta vez ela adotou fios castanhos. O que, acredita, lhe deu um ''peso'' maior para interpretar uma vilã. ''Achei que fiquei com a pele mais branca. Quando a gente fica morena, parece que a expressão 'sai' mais'', imagina.

 

''Êta Mundo Bom!'' – Globo – De segunda a sábado, às 18:20 h.

     

Mais calma

            Na Globo desde 2003, quando interpretou a Rosinha de ''Mulheres Apaixonadas'', Guilhermina Guinle se acostumou com o ritmo industrial de produção da teledramaturgia. Mas se encantou com a oportunidade que teve de gravar uma novela com o tempo do cinema em ''Verdades Secretas''. A primeira diferença que percebeu foi nos cenários: todos fechados, como se fossem locações. Além disso, o folhetim era captado com apenas uma câmera e, no máximo, oito sequências eram gravadas a cada dia. ''Os atores tinham realmente tempo de debater cada cena, refazer. Não é como na indústria da novela das seis, das sete e das nove, em que se grava 30 cenas por dia. Foi um momento bem especial'', ressalta.

 

Instantâneas

# ''JK'' foi uma espécie de ''divisor de águas'' na carreira de Guilhermina Guinle. Foi a partir da minissérie que ela ficou ainda mais encantada pela profissão e entendeu que poderia correr atrás dos projetos pelos quais se interessava.

# A estreia da atriz na tevê aconteceu em ''Antônio Alves, Taxista'', novela exibida pelo SBT em 1996.

# Guilhermina ainda fez mais três novelas em outras emissoras antes de ir para a Globo: ''Brida'', exibida pela Manchete em 1998, ''Tiro e Queda'', que foi ao ar na Record em 1997, e ''O Direito de Nascer'', novamente no SBT, em 2001.

# A atriz é neta de Octávio Guinle, fundador do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

 
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