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PARANAÍTA 37 ANOS: São Pedro: assentamento que deu certo
750 famílias moram no assentamento São Pedro. Principal atividade econômica é o leite
10:26   27 de Junho, 2016 - Fonte: Jornal Mato Grosso do Norte

Reportagem
Mequiel Zacarias Ferreira

Além da produção nas grandes e pequenas propriedades que circundam o município e a agricultura familiar, Paranaíta conta também com um elemento peculiar e incisivo que contribui de maneira significativa nas atividades econômicas e na própria constituição do município: o Assentamento São Pedro.
Francisco Passos mora na comunidade Arco-íris do Assentamento São Pedro e nela exerce o papel de presidente da associação que foi fundada por ele mesmo. Ele lembra que o assentamento foi fundado em 1999 e que hoje conta com cerca de 750 famílias e salienta que hoje o assentamento é visto de forma diferente pelas pessoas e pelo município.
 “O assentamento deu certo”, e este fato, conforme ele, é resultado do trabalho desenvolvido pelas famílias que transformaram o assentamento em polo de produção leiteira e também de gado de corte. Francisco calcula que 80% das propriedades comercializam o leite e atualmente os laticínios Marajoara, Primo e Lactivit atendem os assentados. Além disso, produzem-se também no assentamento o mel, o peixe e suínos, como atividades secundárias.
Na propriedade de Francisco, a atividade que predomina é o gado de corte, complementada pela apicultura, criação de aves e porcos e cultivo de frutos, como a banana, que são utilizados para o sustento da família. 
Noutras propriedades, como é caso da família Polido, da comunidade Cláudia, a atividade principal é o gado leiteiro, complementado pelo gado de corte. Na área da família de 38 hectares existem atualmente 100 cabeças de vacas leiteiras e 40 de gado de corte que mantêm o sustento da família e garantem a permanência no assentamento. Segundo a família, do rebanho de 100 animais, cerca de 20 vacas estão produzindo leite, cerca de 110 litros/dia, que são retirados na ordenhadeira, beneficiado e deixado nos resfriadores. A coleta do leite acontece a cada dois dias e o pagamento de R$0,87 por litro no dia 20 de cada mês, garantindo a manutenção da criação e sustento da família.
Assim como para os criadores de fora do assentamento, os desafios para os criadores do assentamento são evidentes, especialmente para pecuária leiteira, no qual no período de estiagem, a produção de leite cai significativamente. Além desse desafio, o problema com os carrapatos também causa muitos prejuízos e sofrimento para os animais, finaliza o produtor.
Outros assentados ainda investem noutras áreas, como é o caso do Celso Aparecido, do Sítio 3G que investiu na piscicultura. O produtor, que está desde 1998 no assentamento, construiu três tanques 30x50m (Foto 3) e uma represa alimentadora de 50x100m.
A construção dos tanques e opção pela atividade foi com intuito de fortalecer a renda familiar. O fato é que a primeira tentativa do produtor, em 2015, não foi de sucesso. O manuseio dos peixes no período da seca causou uma doença que matou o cardume de seis meses de tabatingas com dois mil espécimes, restaram apenas os piaus. 
Contudo, mesmo com essa situação, ele não desistiu e no mês de maio voltou a investir na piscicultura inserindo 3000 piaus, 500 pintados e 1250 tabatingas, distribuídos pelos três tanques. O produtor agora espera que os peixes se desenvolvam de maneira satisfatória, tomando os devidos cuidados para evitar doenças e perdas e consequentemente melhorando a renda da família e valorização do espaço produtivo do assentamento.
Esse cenário demonstra a importância do assentamento e dos cuidados necessário com o mesmo, especialmente no aspecto do acompanhamento das políticas públicas. Irene Duarte do ICV (Instituto Centro de Vida) aborda dois pontos essenciais para que os assentados tenham condições de permanecer de maneira qualificada no espaço: políticas públicas adequadas para os residentes, considerando o índice de idosos e a compreensão da necessidade de diversificação da produção dos assentados, visto que, o que predomina lá neste momento é a “pecuarização da agricultura familiar” do assentamento. 
Nesse contexto, ela insere também na discussão a questão de como foi o contato do ICV com o assentamento, na qual o projeto piloto (Foto 4) desenvolvido na área condicionou a produção do mapeamento e do CAR (Cadastramento Ambiental Rural) de todos os lotes que condicionou a identificação do todo o passivo ambiental e que agora permitiu, em parceria com a Empaer e a Gaia Social – da CHTP, uma ação de plantio de cerca de mil hectares de florestas que garantirão a recuperação das nascentes e rios, como ação pós-CAR. 
Esta iniciativa de regularização ambiental e fundiária promovida pelo Instituto, além de servir de referência para o Estado, culmina na vivência do tripé da sustentabilidade e consequemente a garantia da permanência com segurança dos assentados, colaborando com a evolução do assentamento e também de todo o município de Paranaíta.

 
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