Jornal MT Norte
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Essencia rústica
Dalton Vigh se empolga com as complexidades do aventureiro Raposo de "Liberdade, Liberdade"
11:17   02 de Julho, 2016

GERALDO BESSA
TV PRESS

É com surpresa que Dalton Vigh recebe cada novo passo de Raposo, seu personagem em "Liberdade, Liberdade". Entrar na novela, inclusive, já foi algo que não estava previsto pelo ator. De férias do vídeo desde "I Love Paraisópolis", de 2014, e sem planos para a televisão, Dalton entrou no folhetim após o projeto sofrer profundas modificações. A autora do argumento, Márcia Prates, foi afastada e Mário Teixeira assumiu o texto da novela das 23 horas. "O personagem não existia na sinopse. O Mário criou esse papel e acabou me chamando. Entrei aos 46 minutos do segundo tempo no projeto e foi puro encantamento. Raposo é aquele papel que eu estava esperando há tempos", valoriza. A empolgação do ator tem justificativa. Com cara de sério e do alto de seus 1,92 m, Dalton poucas vezes saiu do conforto de interpretar mocinhos contidos e vilões de alta dramaticidade. Nem bom e nem mau, Raposo foge do maniqueísmo típico das novelas e surpreende o ator pela alta dose de humanidade. "Já trabalhei com autores maravilhosos e que me deram grandes oportunidades. Mas, seguramente, o Raposo é o melhor personagem da minha vida", garante.
Sem tempo a perder, Dalton tratou de esmiuçar o personagem assim que se deparou com o roteiro. O primeiro ponto de atenção do ator foi para o tom rústico da produção. Embora Raposo esteja em um núcleo de nobres, as condições precárias do Brasil enquanto colônia de Portugal democratizavam a sujeira e a falta de higiene. "Nunca usei uma barba tão grande e revolta. Confesso que odeio, os pelos coçam e incomodam muito. Ao mesmo tempo, é uma forma de me mostrar na televisão de forma bem diferente. Aí acaba sendo uma ótima recompensa", garante. Outro mergulho do ator foi na história de aventura por trás da Inconfidência Mineira. Peça-chave da trama, Raposo salva a vida de Joaquina/Rosa, personagem de Andreia Horta, ao mesmo tempo em que é capaz de cometer alguns crimes em prol de seus próprios interesses. "Raposo acha a inconfidência uma loucura. Ele é prático, sabe que revoluções também precisam de armas e não apenas de panfletos. É um tipo muito político e pragmático", analisa.
As inúmeras cenas de ação de "Liberdade, Liberdade" exigiram bastante de Dalton. Equitação e esgrima não chegam a ser nenhuma novidade para o ator, que já utilizou seus conhecimentos em outros trabalhos de época como "Tocaia Grande'', sua estreia na tevê, exibida pela Manchete em 1995, e "A Casa das Sete Mulheres", de 2003. "O diferencial aqui é o tamanho do personagem. É mais fácil fazer esse tipo de cena quando tem um monte de figurantes e atores em cena. Agora preciso fazer um trabalho mais coreográfico e pontual. O tom de realidade tem de prevalecer", destaca.
Carioca radicado em São Paulo, aos 51 anos, Dalton celebra a maré de bons personagens recentes em trabalhos como, ''Duas Caras", "Fina Estampa" e "I Love Paraisópolis". Até porque, nem sempre foi assim. Depois de emendar tramas na Manchete, Dalton acabou voltando-se para o teatro e fazendo trabalhos pontuais e por obra na televisão em emissoras como SBT e Record. Após a boa repercussão do mocinho Tomás, de "Pérola Negra", exibida pelo SBT em 1997, a sorte do ator começou a mudar. O sucesso popular, no entanto, só veio com o introspectivo Said, de "O Clone", de 2001. "Foi uma experiência muito intensa. Um grande encontro com o público e que mudou meu jeito de fazer televisão. No final da novela, a Globo me chamou para assinar um contrato de prazo longo e tudo foi acontecendo", relembra.

 
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