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HISTÓRIA: Juscelino assume a Presidência prometendo fazer 50 anos em 5
Seu Plano de Metas deu certo em três áreas: energia, transporte e indústria de base, com destaque para montadoras de veículos. Sua morte, há 40 anos, gerou suspeitas
15:02   24 de Agosto, 2016

A vida política brasileira vinha de uma série de tumultos, como o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e o ataque de coração que impediu Café Filho de completar o mandato, quando Juscelino Kubitschek de Oliveira, de 53 anos, venceu as eleições de 3 de outubro de 1955. A aliança PSD-PTB e o apoio dos comunistas deram a Juscelino mais de um terço dos votos, vitória desafiada por rumores de golpismo e manchetes virulentas na imprensa conservadora.

Era um mineiro simpático de sorriso largo, médico de formação e democrata por convicção. Assim que tomou posse no Palácio do Catete - cercado por uma multidão que fora ver o novo presidente, como noticiou -, em 1º de fevereiro de 1956, suspendeu o estado de sítio e a censura e deu início a uma era de euforia desenvolvimentista inédita no Brasil, estampada em seu Plano de Metas, sintetizado no slogan "50 anos em 5". Seu antecessor, Getulio Vargas, havia tomado posse em 31 de janeiro de 1951.

Dividido em cinco áreas, o plano deu certo em três: energia, transporte e indústria de base. Os investimentos em educação e agricultura foram insuficientes. Às trinta metas originais somou-se mais uma: a construção de Brasília. A nova capital surgiu no tempo recorde de três anos e dez meses e foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Junto com ela foi construído um "cruzeiro de estradas" ligando a capital a todas as regiões do país - rotas que seriam usadas pelos milhares de automóveis fabricados aqui.

Com a aposta no transporte rodoviário na Era JK, em detrimento das ferrovias, aliada à chegada de montadoras estrangeiras ao país, a produção de veículos deu um salto espetacular na virada dos anos 50 para os 60. Segundo dados da Anfavea, a associação que reúne as empresas do setor, de 1957 a 1960, a produção total quadruplicou: passou de 30 mil para 133 mil veículos por ano, incluindo caminhões, ônibus e os chamados "comerciais leves". No caso apenas dos automóveis, a produção no Brasil saiu de apenas 1.166 unidades para 42.619 em 1960.

O surto de crescimento foi sustentado também pelo capital estrangeiro. Vieram inflação e aumento da dívida externa. Depois de passar a presidência a Jânio Quadros, JK elegeu-se senador por Goiás, em 1962, mas teve o mandato cassado pelos militares em 1964. Exilado, voltou ao Brasil nos anos 70, mas morreu em 22 de agosto de 1976 num acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, sobre o qual circularam rumores, nunca confirmados, de que teria sido provocado.

Juscelino e seu motorista, Geraldo Pereira, morreram na colisão do Opala do ex-presidente com um caminhão de gesso, na altura do quilômetro 328 da Rodovia Presidente Dutra, no trecho próximo ao município de Resende, no Sul Fluminense. Em 1996, o corpo de JK foi exumado — mas os peritos constataram que ele realmente morreu em decorrência dos ferimentos provocados pela batida.

 
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