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Produtores discutem território sustentável para a produção de soja
O cenário é de oportunidades para a consolidação da produção responsável na região
09:11   26 de Agosto, 2016

Raíssa de Deus Genro -/ICV

 

 

Discutir e integrar as diferentes visões dos setores envolvidos nas cadeias produtivas, visando a construção de um território sustentável nos municípios de Alta Floresta, Carlinda e Paranaíta a partir de uma abordagem territorial. Este foi o objetivo do encontro Soja sustentável: uma abordagem territorial, que reuniu produtores e entidades ligadas ao tema na última sexta-feira, 19, na Câmara de Dirigentes Lojistas em Alta Floresta.

A discussão partiu da apresentação de Joyce Brandão, do Solidaridad, que trouxe um panorama do papel crescente dos compromissos de mercado para a melhoria do padrão de sustentabilidade das commodities produzidas em todo o mundo e a preocupação sobre o impacto nas regiões produtoras.

 Na mesma linha, Paula Bernasconi, especialista em gestão ambiental do Instituto Centro de Vida (ICV), abordou a relação entre cadeias produtivas responsáveis e a abordagem jurisdicional.  A ideia busca conciliar objetivos sociais, econômicos e ambientais de uma região, garantindo as atividades locais ao mesmo tempo em que considera compromissos e planos estaduais, nacionais e internacionais, diferenciando regiões conforme suas características e desempenhos.

Este tipo de abordagem, conforme apresentado por Paula, permite aumentar a escala da produção sustentável; promove o protagonismo dos governos e atores locais, estimulando-os a promover a produção sustentável em seus territórios e possibilita a integração e sinergia de políticas públicas com mecanismos de mercado (os acordos de cadeia), potencializando ambos em torno de uma visão e um conjunto de critérios compartilhados.

A especialista também ressaltou a importância de políticas públicas como o Programa-matogrossense de Municípios Sustentáveis (PMS), a estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA). Todas, conforme ela, “contribuem no direcionamento de recursos para apoiar as regiões e setores que carecem de falta de informação e dificuldade de realizar por conta própria investimentos em produção sustentável, como a agricultura familiar”. O cenário, segundo a especialista, é de oportunidades para a consolidação da produção responsável na região, uma vez que os compradores não querem mais ser associados às regiões com desmatamentos e ter sua reputação em risco.

 

 Outro fator oportuno é que regiões que se destacarem pela produção sustentável sem desmatamento terão acesso garantido ao mercado e até ter novos mercados abertos, atraindo assim recursos e investimentos. Os passos do PRA também foram ressaltados por Lucélia Denise, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) que tocou em pontos polêmicos como a autorização provisória de funcionamento (APF) além de ressaltar a perda de benefícios ou não durante o processo de migração para o Sicar.

 

 Lucélia listou uma série de exigências que as propriedades rurais precisam cumprir para estar de acordo com a legislação. da região não fique impedido de comercializar sua soja, é importante que todo cultivo na região seja feito em áreas já abertas.

Soja sustentável: uma abordagem territorial encerrou com o relato de experiência de Mauro Wolf, produtor de Nova Canaã, que realiza integração lavoura-pecuária-floresta. “É uma ótima opção pois sempre tem uma alternativa a mais, as atividades podem trabalhar juntas”, avaliou Wolf.

 

 
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