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Novo alerta: FPF detecta mais dois jogos com indício de manipulação
Há inquérito no TJD-SP e clube sob suspeita é Matonense, cujo goleiro foi titular em outra partida com indício de fraude no RJ. Relatórios já foram enviados à Polícia Civil
09:51   19 de Outubro, 2016 - Fonte: G1

Apesar da prisão de diversos membros de uma quadrilha asiática que atua no Brasil em julho pela Polícia Civil de São Paulo, a ameaça da manipulação de resultados continua presente. O monitoramento ostensivo que começou a ser feito pela Federação Paulista de Futebol (FPF) no mercado de apostas envolvendo os jogos que organiza apontou mais duas partidas suspeitas, com personagens comuns a uma das outras cinco reveladas em julho pelo GloboEsporte.com. O clube sob suspeita é a Matonense, cujo goleiro, Douglas, era também o goleiro do Duquecaxiense na partida contra o Audax, no Rio de Janeiro, igualmente com indícios de fraude. No total, já são quatro casos de suspeita de manipulação desde 2015 em São Paulo. A FPF é a única federação no país a vigiar as oscilações do mercado de apostas nos jogos que organiza.

Dois novos relatórios confidenciais da empresa contratada pela entidade paulista para esse serviço, a Sport Radar, mostram indícios de fraude em partidas da Matonense. O caso está sendo apurado em total sigilo pela Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP), que já ouviu dirigentes dos clubes envolvidos nas partidas. Resta o depoimento do goleiro Douglas para o procurador-geral Wilson Marqueti decidir se oferecerá ou não denúncia. O presidente do TJD-SP, Antônio Assunção de Olim, informou que os dados foram repassados à Polícia Civil:

- Está sendo investigado. Passei para a Polícia Civil a auditoria feita por uma empresa contratada pela FPF e chamei os dirigentes.

Na sua auditoria sobre a partida Batatais FC 3 x 1 Matonense, em 28 de agosto, a Sport Radar chega à seguinte avaliação:

"Há clara e notória evidência a partir das apostas de que o curso ou resultado da partida foi inadvertidamente influenciado com vistas à obtenção de lucros fraudulentos no mercado de apostas. As evidências dão a entender também que os apostadores possuíam prévio conhecimento de que a Matonense-SP perderia o primeiro tempo do jogo por ao menos dois gols de diferença no placar. Apostadores com prévio conhecimento dos eventos também apontaram para os mercados de tempo integral de jogo em distintas frentes, especificamente na derrota da Matonense-SP por ao menos três gols sofridos e na marcação de ao menos quatro gols no total da partida".

A conclusão da empresa sobre a partida Matonense 0 x 3 Ferroviária, em 2 de setembro, traz informações semelhantes:

"Há clara e notória evidência a partir da análise das apostas de que o curso ou resultado do jogo foi indevidamente influenciado com vistas à obtenção de lucros fraudulentos nos mercados de apostas. As evidências mostradas pelas apostas indicam que seguramente os apostadores possuíam prévio conhecimento de que a Matonense-SP perderia o jogo por ao menos dois e três gols de diferença".

Após a divulgação dos cinco relatórios pelo GloboEsporte.com em julho, Douglas Chaves negou qualquer envolvimento com manipulação de resultados. Ele era o goleiro do Duquecaxiense na partida do dia 22 de outubro de 2015 contra o Audax, que venceu por 3 a 0, pela Copa Rio. Atuou em três jogos, mas o titular era Guilherme. Como a prioridade era a Série C do Carioca, a vaga ficou com Douglas. Na ocasião, ele falhou no terceiro gol do Audax - e a oscilação de apostas mostrava um súbito aumento no resultado exato de 3 a 0.
 
- Eu não sabia de nada (de manipulação), a gente foi lá para jogar de verdade. A gente tinha chance de classificar, entendeu? Fomos para jogar à vera, jogar de verdade. Uma falha todo ser humano tem, os melhores goleiros do mundo já falharam também. Eu até pedi desculpas ao grupo por aquela falha. A gente não treina para falhar, a gente treina para entrar e dar o melhor. Infelizmente, eu falhei naquele gol - se defendeu Douglas em entrevista ao GloboEsporte.com em julho deste ano.
 
O goleiro novamente volta a aparecer na lista de titulares em partidas sob suspeita de manipulação pela máfia que atua no mercado de apostas. Os jogos em questão valeram pela Copa Paulista de 2016: Matonense 0 x 3 Ferroviária, no dia 2 de setembro, e Batatais FC 3 x 1 Matonense, no dia 28 de agosto. 

A reportagem não conseguiu novo contato com o goleiro. O presidente da Matonense, Francisco Galvão, confirmou ter sido ouvido no TJD-SP, mas disse que não poderia falar a respeito. Disse não ter contato com Douglas, que deixou o clube, e, questionado sobre a posição do clube em relação ao caso, disse que não sabia e preferiu não comentar.

O representante da Sport Radar no Brasil, Ricardo Magri, em entrevista concedida em julho ao GloboEsporte.com, revelou que há um índice com jogadores suspeitos de envolvimento com a máfia de manipulação de resultados - mas não há até o momento qualquer confirmação de que Douglas esteja na lista:

- É um índice porque existem equipes que estão envolvidas nos nossos alarmes com mais frequência do que outras e jogadores que você percebe que, mesmo mudando de time, as equipes que eles jogam seguidamente estão envolvidas nessa situações. Então há um índice para ajudar a interpretar situações futuras - disse Magri no dia 8 de julho. 

O procurador-geral do TJD-SP, Wilson Marqueti, confirmou a existência do inquérito, mas ressaltou ser prematuro fazer qualquer julgamento. Disse que a ordem da presidência do tribunal é apurar a fundo qualquer suspeita, mas que ainda é necessário terminar de juntar provas para tomar uma decisão. Ele não soube

- Ouvimos dirigentes da Matonense, dos outros dois clubes que disputaram as partidas, mas faltam algumas pessoas a serem ouvidas. Quando isso for feito, poderemos tomar uma decisão de denunciar, ou não. O goleiro deixou a Matonense, o que é uma dificuldade. Estamos buscando o contato. No momento, é somente uma suspeita que está sendo apurada - explicou Marqueti.

 

 
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