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Limite é necessário
15:24   01 de Outubro, 2014

Saber dizer "não" às vezes é bom para a autonomia e maturidade da criança

Limite é um tema sempre em voga quando o assunto é a relação mães e filhos. Por que, então, assistimos a tantas crianças e adolescentes com dificuldade de respeitar normas? Por que é tão difícil para algumas mães estabelecer limites para os filhos?

Vale entender um pouco sobre o desenvolvimento da relação entre mães e filhos ao longo dos tempos para facilitar a compreensão de nosso momento atual. Houve uma época em que a educação acontecia de forma rígida: as mães mandavam, os filhos obedeciam sem questionamentos e ponto! Não havia espaço para o diálogo e o castigo era severo em caso de desobediência.

Sem dúvida, esta educação repressora não é saudável do ponto de vista emocional, uma vez que pode deixar o sujeito marcado pela falta de autonomia e criatividade, e pela insegurança. Em contraponto a esta fase surge a chamada era da "superpsicologização", quando se começou a questionar este modelo de educação, trazendo a ideia de que o "não" poderia causar traumas às crianças.

Esta nova concepção de educação trouxe como consequência uma geração de mães culpadas, que assumiram uma postura superprotetora, querendo poupar os filhos de qualquer sofrimento ou castração. Percebemos que o ideal não é nem uma coisa nem outra, ou seja, se severidade em demasia não ajuda, certamente ser liberal demais também não é o melhor caminho.

É importante que as mães se preocupem em educar seus filhos rumo à autonomia e à maturidade emocional, mas este é um caminho a ser construído em cada relação entre mães e filhos. Caminho este, invariavelmente, constituído por frustrações e sofrimentos, mas certamente enriquecido pelas superações, conquistas e crescimento. Lutar para evitar sofrimentos na vida no filho é lutar contra o impossível. Por acaso, mães conseguem evitar sofrimentos em suas próprias vidas?

Sem culpa- Sem dúvida, educar não é tarefa fácil, assim como não é nada confortável ver seu filho sofrer. Mas não somos onipotentes, não podemos realizar todos os nossos desejos a qualquer tempo e hora, não podemos tudo. A vida é também de "nãos". Saber lidar com essas impossibilidades, mesmo que causem sofrimento, é criar recursos para fortalecer-se como indivíduo.

Alguns especialistas gostam muito da analogia da vacina. As mães sabem que é preciso que o filho tome determinadas vacinas para criar anticorpos para as respectivas doenças. Mesmo sabendo que a criança pode sentir dor com a picada, pode assustar-se com a agulha, a levam, oferecendo seu colo e carinho para aliviar a dor. Por que deixam o filho sentir a dor da picada? Porque sabem que é importante para sua saúde. Da mesma forma, algumas dores emocionais são importantes para o amadurecimento do seu filho, continue dando a ele o colo, mas permita que ele se frustre.

A angústia das mães em dizer não aos filhos pode ser minimizada com a compreensão de que os limites não são meros castradores. É importante mostrar e permitir espaço para ação e realização dentro dos limites estabelecidos. A ideia de que a felicidade só será encontrada para além das fronteiras é um convite para eterna rebeldia e insatisfação.

É justamente através do desenvolvimento da capacidade de circular e movimentar-se criativamente dentro dos limites que é possível a conquista da autonomia e da maturidade emocional. Portanto, sem culpa, diga não quando necessário!

Diálogo- Educar não é tarefa fácil, mas também não é impossível. É natural as mães idealizarem um filho inteligente, autônomo, responsável, bem-sucedido e que tenha uma relação de amizade e respeito com eles, contudo é pura ilusão acreditar que tudo isso pode acontecer sem nenhum conflito. Se os conflitos são inevitáveis, um caminho viável para solucioná-los e construir uma relação saudável com os filhos é um bom diálogo.

Décadas atrás, a tarefa de educar era simplificada pela existência de regras inflexíveis e inquestionáveis como: "Criança tem que obedecer calada", "Criança não dá palpite", "Criança não se mete em assunto de adulto". De fato, pode ser mais fácil impor que abrir espaço para conversa, uma vez que pode gerar confusão. Porém, se o objetivo é a formação de pessoas críticas e autônomas, entendemos que a educação passa imprescindivelmente pelo diálogo e não por imposições de normas e regras.

É importante que as mães reconheçam a educação e os conflitos familiares como algo que requer sabedoria, dedicação e amor. Os relacionamentos saudáveis não acontecem de forma mágica. É necessário respeito mútuo e reconhecer que as pessoas são únicas e diferentes. Neste sentido, através do diálogo, trocando ideias e tentando compreender como seu filho pensa e sente a respeito das situações é possível intervir e educar com valores. A família que oferece espaço para o diálogo estreita suas relações afetivas e reforça a confiança entre mães e filhos.

 
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