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Nos mínimos detalhes
15:55   01 de Outubro, 2014

Rodrigo Pandolfo fala sobre seu extenso trabalho de construção em "Geração Brasil"

 

Rodrigo Pandolfo é o tipo de pessoa que contagia o ambiente com a sua empolgação. Não que ele seja exatamente agitado, mas o jeito de falar, com paixão e vibração, acaba trazendo quem está ouvindo suas histórias para dentro delas. Essa característica, inclusive, é a única que aproxima o ator do Shin-Soo, seu personagem em "Geração Brasil". Na pele do "show man" coreano, o ator teve de fazer um extenso trabalho de composição e pesquisa para interpretar o apresentador na trama de Izabel de Oliveira e Filipe Miguez. "Busquei muitas referências do mundo pop coreano na internet. A cultura pop lá é tão forte quanto o futebol no Brasil", compara. Na reta final do folhetim, além de Shin-Soo, Pandolfo interpreta o gêmeo de seu personagem, o Chang-Soo. "Mergulhei de novo em referências. Porque, apesar de irmãos, são muito diferentes. O Chang é mais ligado às artes marciais", comenta.

      Aos 15 anos, Rodrigo – que hoje tem 30 – mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar teatro. Nascido no Rio Grande do Sul, mas criado no Mato Grosso, ele já sonhava em ser ator desde que viu a primeira peça, aos 12 anos. Depois de passar pelo Tablado e CAL – importantes cursos de teatro da capital carioca – e se formar em Artes Cênicas pela Universidade da Cidade, Rodrigo começou a fazer grandes montagens teatrais. Mas foi em "O Despertar da Primavera", na pele do denso Moritz, que ganhou grande reconhecimento do público. "O espetáculo foi assistido pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, que me chamou para fazer 'Afinal, O Que Querem As Mulheres' e aí entrei, de fato, para a tevê", comemora.

P – Como surgiu o convite para participar de "Geração Brasil"?

R A Bruna Bueno, produtora de elenco, me ligou dizendo que tinha esse personagem para mim. Eu nem sabia o que era direito. A única pista que ela me deu foi que ele era um repórter coreano excêntrico. Aceitei na hora. Primeiro, porque pareceu ser um personagem muito diferente. Depois, porque eu já tinha trabalhado com a Denise Saraceni, que foi diretora de núcleo de "Cheias de Charme", que também era uma novela da Izabel de Oliveira e do Filipe Miguez. Sabia que ia estar cercado de gente bacana e de excelentes profissionais.

P – O Shin tem um estilo muito particular. Onde você buscou referências para a composição do personagem?

R Busquei muitas referências na internet e na cultura pop coreana. Comecei a ver vários programas coreanos de fofoca. É o maior trabalho de construção que fiz na tevê, sem dúvida. Além disso tudo, o processo de caracterização é muito forte. Demoro cerca de uma hora para me arrumar. Tenho de fazer a barba muito rente, tem um penteado todo estilizado e ainda coloco duas fitas ao lado dos olhos que prendem atrás da cabeça para fazer o olho mais puxado, igual a um descendente asiático mesmo. E também tive de ter muito cuidado na hora de montar o sotaque e o jeito dele falar.

P – Como assim?

R Primeiro, que não tenho ideia de como falar coreano (risos). E é uma novela das sete, com muito humor. Não podia colocar uma coisa tão séria, fiel e puxada. A proposta dos autores era brincar mesmo. Até porque existem outros personagens com sotaque muito forte e era uma preocupação não deixar nada muito engessado. Então, fiquei mais em cima do tom de voz, que é muito agudo, e criei a minha própria prosódia coreana. 

P – E quando você soube que também ia interpretar o Chang, o irmão gêmeo do Shin?

R Desde o início da novela, eu sabia que esse cara existia e que poderia entrar na reta final da trama. Mas, quando foi confirmado que eu ia fazer os dois, a minha primeira reação foi sentir pânico (risos). São dois personagens muito diferentes de mim. O Chang faz parte de gangues de rua. O Shin é excêntrico, um "show man".

P – Apesar de emendar trabalhos na tevê, você mantém uma forte ligação com o cinema e o teatro. Como faz para conciliar as três vertentes?

R – Conseguir unir o trabalho tanto na tevê como no teatro e no cinema é o que me dá gás. Amo o que eu faço e não saberia mais viver sem um ou sem o outro. Tanto que vou me lançando em outros projetos. Em breve, começo a filmar o "Minha Mãe é uma Peça 2", vou fazer uma peça chamada "Galileu Galiei" assim que acabar a novela, com a Denise Fraga, e também sigo em cartaz com a primeira peça que dirigi, "A Moça da Cidade".

 
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