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Duplo mortal
Na pele dos gêmeos Yaqub e Omar, Cauã Reymond mergulha na história trágica de "Dois Irmãos"
10:04   16 de Dezembro, 2016 - Fonte: Carta Z Notícias

Geraldo Bessa
TV Press

Cauã Reymond tinha 23 anos quando leu "Dois Irmãos" pela primeira vez. Presente de sua mãe, o romance lançado em 2000 por Milton Hatoum causou um verdadeiro alvoroço no ator, que tinha acabado de sair de "Malhação" e começava a galgar novos personagens dentro da Globo. "Eu devorei o livro e, mesmo sem muita experiência, me vi interpretando Yaqub e o Omar. Os dilemas familiares e as intrigas causadas pelo excesso e pela total falta de amor regem a história de forma muito profunda", explica. Nas mãos do diretor Luiz Fernando Carvalho desde 2010, o roteiro da minissérie assinado por Maria Camargo, começou a ganhar força dentro da Globo e chamou a atenção de Cauã. "Fiquei muito entusiasmado com a ideia de participar do projeto. Faria qualquer personagem. E me sinto um sortudo por ter ficado com os gêmeos", garante ele, ansioso para ver o resultado de tanto trabalho que, depois de inúmeros adiamentos, tem estreia prevista para segunda, dia 9 de janeiro.
O caminho até o ponto exato dos gêmeos foi longo. Cauã estava cansado depois de protagonizar o seriado "O Caçador" e a microssérie "Amores Roubados", ambos projetos de 2014, mas não se intimidou com o convite de Carvalho para "Dois Irmãos". Durante três meses, mergulhou em um intenso processo de preparação, onde fez diversas leituras ao lado do elenco, exercitou voz e corpo, conheceu e criou conexões com os outros atores que interpretam os personagens na infância e na juventude - as crianças Lorenzo e Enrico Rocha e jovem Matheus Abreu. E, por fim, foi destacando as diferenças entre Omar e Yaqub de forma extremamente coletiva. "Não dá para entrar em um projeto desses sem se desconstruir, deixar o ego em casa. Dei o meu melhor para o papel, mas algo que combinasse com o que foi feito pelos outros atores e respeitasse a coerência da história", ressalta.
Depois de longos ensaios, o elenco começou a série de viagens até o estado do Amazonas, onde a história do livro é ambientada. E entre passeios de barco e banhos de rio, Cauã sentiu que estava em um projeto que lhe daria outra visão sobre a carreira. "A minissérie me levou para um tipo de drama que eu ainda não tinha experimentado. Tenho feito coisas muito boas na televisão. 'Justiça' foi um trabalho incrível e difícil, por exemplo. A experiência em 'Dois Irmãos' foi tão forte que agora me sinto pronto para qualquer personagem", destaca. Com tudo gravado desde o final de 2015, "Dois Irmãos" acabou na "geladeira" da Globo por questões estratégicas da direção. Para Cauã, a minissérie merece o lugar de destaque que terá na programação de verão da emissora e usará o horário das 23 horas a favor dos temas fortes retratados no texto. O maior deles é a delicada relação entre Omar e sua mãe, Zana, interpretada pelas atrizes Gabriella Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini. "O incesto entre a Zana e o Omar fica muito no ar, sempre de forma muito sensível e implícita. A mãe o leva para esse lugar. E, em cena, me deixei levar. É um trabalho corajoso e diferente", analisa.
Confiante e com os olhos vibrantes ao falar do papel duplo, Cauã acredita que todos os personagens que teve até aqui o prepararam para "Dois Irmãos". Hoje, aos 36 anos e com uma bagagem de mocinhos e jovens complexados que o consagraram como um dos principais novos galãs da emissora, o ator agora tem um pouco mais de autonomia ao selecionar seus papéis. E entre o simples entretenimento de novelas como "Avenida Brasil" e a "Regra do Jogo" e a pressão dramática de projetos mais curtos como "Amores Roubados" e "Justiça", ele prefere o meio do caminho. "A televisão está aí para fazer o público rir e chorar, mas acho totalmente possível e necessário que produções mais comerciais convivam com projetos mais densos e que levem o telespectador a alguma reflexão. Isso é bom para todo mundo", acredita.

"Dois Irmãos" - Globo - Estreia prevista para segunda, dia 9 de janeiro, às 23h.

Planos externos

Cauã Reymond jura que o foco de sua carreira está mesmo no Brasil. No entanto, ele não descarta uma incursão pelo mercado internacional. No próximo mês de janeiro, o ator estará nos Estados Unidos representando o longa "Não Devore Meu Coração", de Felipe Bragança. O filme é destaque na programação do prestigiado Sundance Film Festival, evento conhecido por destacar filmes independentes e de diferentes nacionalidades. O ator já tem um agente negociando oportunidades para ele no mercado exterior. Mas só investirá em projetos fora do Brasil se os personagens valerem a pena. "Tenho propostas maravilhosas no Brasil. Papéis que realmente me fazem crescer como ator e ganhar repertório. Já tive alguns convites lá de fora e não pude aceitar por conta de compromissos com a Globo. Caso apareça algo muito bom e eu esteja disponível, claro que vou aceitar. Mas a prioridade é trabalhar por aqui mesmo", valoriza.

Instantâneas

# Antes de investir na televisão, Cauã Reymond trabalhou como modelo. E por conta da profissão, chegou a morar em cidades como Paris, Milão e Nova Iorque.
# Em 2000, aproveitou a estadia pela "Big Apple" para cursar Artes Dramáticas na renomada Actor's Studio.
# Disposto a ficar de vez no Brasil, Cauã começou a cursar Psicologia. No entanto, interrompeu os estudos ao saber que tinha passado em um teste para "Malhação", onde atuou nas temporadas 2002 e 200

 
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