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Sina de Desmatar
Foram derrubados 250 metros quadrados por segundo ou, pensando em árvores, cerca de 900 delas por minuto
10:40   19 de Dezembro, 2016

 

Tasso Azevedo

 

 

Desde 2004 o Brasil não via o desmatamento crescer na Amazônia por dois anos seguidos. Mas eis que, em 2015, o desmatamento saltou de cinco mil para 6,2 mil quilômetros quadrados, e os números preliminares indicam que em 2016 a taxa chegará a oito mil, um aumento de 60% em dois anos.

 Foram derrubados 250 metros quadrados por segundo ou, pensando em árvores, cerca de 900 delas por minuto. Tendo como base os dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, as emissões pelo desmatamento na Amazônia em 2016 poderão superar sozinha as emissões totais de todo o setor de energia, transporte e indústrias do Brasil em 2015.

 

É certo que houve grande queda do desmatamento desde o pico de 2004, quando bateu em 27,7 mil quilômetros quadrados. Uma série de políticas aplicadas nos anos seguintes derrubou as taxas a 11 mil em 2007. Nesse período, foram implementados o monitoramento mensal dos focos de desmatamento, operações extensivas de combate à exploração ilegal, a forte ampliação das áreas protegidas e da política de gestão de florestas públicas.

Em 2008 sinais da reversão da tendência (a taxa chegou a 12,9 mil quilômetros quadrados) provocaram uma nova série de medidas, como o embargo de áreas desmatadas ilegalmente, a criação da lista suja de municípios que mais desmatam, as alterações na política de crédito agrícola, a responsabilização da cadeia produtiva pelo desmatamento e a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Seguiram-se quatro anos de queda, e em 2012 a taxa chegou a 4,5 mil quilômetros quadrados, o número mais baixo registrado na série histórica iniciada em 1988. Os anos seguintes foram de crescimento entre cinco e seis mil.

 

Apesar deste avanço, o Brasil continuou sendo o país que mais desmata no mundo. Nos últimos anos, as políticas de combate ao desmatamento e promoção da conservação foram afrouxadas.

Tasso Azevedo É Engenheiro florestal, consultor e empreendedor social em sustentabilidade, floresta e clima. Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG)

 

 
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