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Ricardo Darín completa 60 anos com novo filme e críticas a Trump
16:12   16 de Janeiro, 2017

Ricardo Darín completa 60 anos nesta segunda-feira - nasceu em 16 de janeiro de 1957, em Buenos Aires. E comemora a data com o lançamento do novo filme. Na quinta, 19, estreia em toda a Argentina Nieve Negra. O filme está sendo chamado de 'o lançamento do verão'. Há muita expectativa. 

Martin Hodara dirige o drama familiar com formato de ação e suspense. Na adolescência, Salvador/Darín foi acusado de matar o irmão. E agora vive isolado na Patagônia. Chega o irmão mais novo, Leonardo Sbaraglia, com a mulher. Não são bem-vindos, ainda mais que Marcos veio para convencer Salvador a vender as terras que receberam de herança.

O filme é uma coprodução entre Argentina e Espanha. Do elenco participam, além de Darín e Sbaraglia - de O Fim do Túnel -, Laia Costa e o veterano (e mítico) Federico Luppi.

Na sexta, 13, Darín deu uma entrevista que repercutiu em jornais e TVs da Argentina. Criticou duramente o discurso antiimigrante do presidente eleito Donald Trump e disse que, "com esse senhor, vamos ter complicações." A voz de Darín não é isolada. A par das decisões internas, o fato de Trump haver anunciado que vai transferir a embaixada dos EUA em Israel para Jerusalém, cidade considerada sagrada por três religiões, tem sido criticado até por aliados no Oriente Médio. Não serve em nada aos esforços de paz na região.

Filho de atores - Ricardo Darín e Renee Roxana -, Darin (Jr.) estreou no teatro com 10 anos. Tornou-se popular na televisão, nos anos 1990, com a série Mi Cuñado. Das séries e planchas (palcos), saltou para os filmes. O biênio de 2000/2001 foi decisivo, com dois títulos fundamentais. O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, com Norma Aleandro e Hector Alterio, foi indicado para o Oscar. Não levou, mas aproximou Darín de Campanella e, anos mais tarde, eles levaram o prêmio da Academia com O Segredo de Seus Olhos.

Filmado em 2000, mas lançado no começo do ano seguinte, o verdadeiro estouro pessoal do ator foi com Nove Rainhas, de Fabian Bielinsky, no papel de um trambiqueiro que enfrenta a crise econômica que assola a Argentina aplicando golpes. Nove Rainhas foi um êxito internacional e Hollywood até adquiriu os direitos de refilmagem.

Darín não parou mais de filmar e virou a cara do cinema argentino. Os filmes refletem o país - crise econômica, memórias da ditadura etc. Darín faz sucesso, independentemente de gênero (homens, mulheres) e idade (jovens, espectadores maduros, idosos). Darín é modesto - "Não planejei nada, não sigo nenhuma estratégia. Deixo que as coisas aconteçam." É uma unanimidade em termos. Os novos autores queixam-se da dificuldade para filmar na Argentina - se o filme não for com Ricardo Darín. 

O astro em 12 filmes 

La Carpa del Amor, de 1979 - Virou cult essa comédia de Julio Porter sobre jovens que, em plena ditadura, tentam se dar bem formando conjunto musical, mas enfrentam a repressão do regime. Darín, aos 22 anos, faz um dos 'garotos'.

Nove Rainhas, de 2000 - Aqui, aos 43, ele já tem a cara de homem e envolve o jovem Gaston Pauls numa série de trambicagens que vão numa crescente. Qual é o papel da sexy Leticia Bredice nessa história toda? Em quem confiar, eis o problema no longa de Fabian Bielinsky.

O Filho da Noiva, de 2001 - Darín dedica-se demais ao restaurante da família. Não tem tempo para mais nada. Mas dois fatos vão fazê-lo mudar - ele sofre um ataque do coração e o pai resolve realizar o sonho de sua mãe, que está perdendo a memória. Norma Aleandro sempre sonhou com um casamento tradicional. O diretor Júan José Campanella foi acusado de fazer um filme para o Oscar. Se houvesse uma fórmula, ele disse ao repórter, na época, a seguiria com prazer. Oito anos depois, o prêmio veio, mas por um filme - uma fórmula? - muito diferente.

Kamchatka, de 2003 - As memórias de uma criança cujos pais eram fugitivos durante a ditadura militar. Marcelo Piñeyro dirige Darín e Cecília Roth, como os pais. E o título refere-se a um jogo, War. A península de Kamchatka, na Rússia asiática, vira símbolo de resistência.

Clube da Lua, de 2006 - O reencontro com o diretor Campenella. Amigos tentam salvar um mítico clube de dança, o Avellanada, ameaçado pela crise econômica que assola a Argentina.

O Sinal, de 2007 - Darín estrela e codirige (com Martoin Hodara, de Nieve Negra) a história do detetive que uma femme fatale envolve num caso complicado. A nostalgia do filme noir...

O Segredo dos Seus Olhos, de 2009 - Dessa vez Darín e o diretor Campanella levaram o Oscar. Um filmaço sobre oficial de Justiça aposentado e obcecado por um crime ocorrido durante a ditadura militar. O brutal estupro e assassinato de uma mulher. Darín investiga, descobre o responsável e vinga-se. Um final chocante e surpreendente.

O Conto Chinês, de 2011 - Darín faz um veterano da Guerra das Malvinas que se envolve com chinês perdido na Argentina. O longa de Sebastián Borensztein é cheio de surpresas visuais, e muito engraçado. Quer coisa mais inesperada que uma vaca que cai do céu? O inesperado - o filme é sobre isso. O inesperado que modifica a vida das pessoas.

Elefante Branco, de 2012 - Darin faz padre envolvido com os dramas de uma comunidade carente. Pablo Trapero dirige, sua mulher, Marina Guzmán, produz e interpreta, na pele de uma assistente social. Um filme forte.

Relatos Selvagens, de 2014 - Grande sucesso de público, o maior do cinema argentino, o filme de Damian Szifron é feito de esquetes que espelham o estado do mundo (e as monstruosidades do cotidiano). Darín faz um homem que vai reclamar de uma multa e fica tão exasperado com a burocracia do Estado que... Bum! Estoura (em mais de um sentido).

Truman, de 2015 - No longa do espanhol Cesc Gay, Darín faz ator que está morrendo e convoca amigos para ajudar a resolver seu problema - quem vai ficar com Truman (o cachorro)? Javier Cámara fez tantos gays nos filmes de Pedro Almodóvar que chega a ser surpreendente vê-lo em outro registro. Viril, contudo. E tão bom quanto Darín.

Kóblic, de 2016 - Darín é excepcional como o ex-piloto que participava dos chamados voos da morte, quando a ditadura argentina desovava vítimas de torturas que eram lançadas ao mar. Mas o filme de Sebastian Borensztein, talvez por ter outro registro, não repete o encanto de O Conto Chinês.

 

 
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