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A força da mulher no campo
As mulheres atuam, mas seus nomes não constam nos documentos e registros que constam a produção
16:47   09 de Fevereiro, 2017

Em rotina de propriedade leiteira a mulher tem se destacado em alguns setores, ordenha e cuidados de bezerros já são áreas, na produção leiteira, que as mulheres estão dominando. Além disso, em laticínios pequenos, muitas vezes, as mulheres são responsáveis por quase toda a produção: deste a ordenha até o processamento final, passando pelos cuidados de higiene e de qualidade do produto.
Antes as mulheres se dedicavam menos ao trabalho na área de produção, ficavam mais com os serviços domésticos, cuidando das crianças e dos afazeres cotidianos da casa. Os eletrodomésticos eram mais raros, poucas residências dispunham de máquinas de lavar roupa, até mesmo de aparelhos refrigeradores, e os filhos eram numerosos.  Atualmente, mesmo em propriedades bem mais simples, a máquina de lavar roupa é um bem quase imprescindível e o número de filhos diminuiu visivelmente. Os refrigeradores são sempre encontrados e muitas casas contam com potentes freezers. 
 Assim, com algumas facilidades chegando às moradias do campo e menos crianças para cuidar, as mulheres começaram a assumir mais (pois, sempre trabalharam) áreas que eram quase exclusivas dos homens: foram imprimindo, nas práticas de ordenha, os conhecimentos de higiene, que realizam na cozinha de casa, e cuidados com recém-nascidos, da experiência dos filhos, aos bezerros. Práticas que os homens não tinham (muitos ainda não têm) muita intimidade.

Com isto, a ampliação da mulher na rotina de ordenha e cuidados de bezerro se consolidaram. Há propriedades que contratam especificamente mulheres para estes setores, pois perceberam ganhos sólidos na produtividade e na qualidade do leite.
Na Galícia, Espanha, as mulheres do campo se uniram e formaram a Federação das Associações de Mulheres Rurais em Galicia (Fademur). Esta organização tem dado voz a mulheres que atuam no setor, que sempre são relegadas ao papel secundário. As mulheres atuam, mas seus nomes não constam nos documentos e registros que constam a produção. Com isto, a Federação pretende reverter essa divisão de papéis, que foi fomentado num cenário de sexismo e transformá-lo em uma oportunidade para o progresso da pecuária, da região e vizinhança.
Aqui há muitas mulheres responsáveis pela produção, da ordenha ao processamento, mas, quase sempre o nome do queijo, ou produto, leva o mesmo do esposo, assim como os créditos pela produção. Muitas, inclusive, têm dificuldades para comprovar o trabalho na área rural, todas as notas, rebanhos, serviços, etc. e, principalmente, pagamentos, são no nome do marido. Que venha muito leite, continue branco e possa representar mais igualdade também na área rural. 

Roberta Züge é membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo 

 

 
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