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Se a pavimentação da BR-163 é bom para o Brasil, por que não asfaltá-la?
Nesta safra serão embarcados pelos terminais de Santarém e Miritituba, 7 milhões de toneladas de soja e milho
10:20   03 de Março, 2017 - Fonte: Jornal Mato Grosso do Norte

JOSÉ VIEIRA DO NASCIMENTO

 

O caos na BR-163 é uma reprise dramática, uma novela que, apesar de não valer a pena, você é obrigado a ver de novo ano após ano. Só que, de tanto ser reprisada nas últimas décadas, a trama perdeu a graça e se transformou em pesadelo e prejuízo econômico para as trading que a usam para o transportar grãos, e em sofrimento, angústia e incertezas para caminhoneiros e qualquer cidadão que se aventure a trafegar por ela. 
Difícil entender porque em uma rodovia por onde passam mais de 2 mil carretas por dia, sendo que a maioria transporta grãos de Mato Grosso para os portos do Pará, produção que representa uma fatia importante no PIB nacional e para a balança comercial do país, permaneça em tamanha calamidade. 
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais - a Abiove- e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais – Anec- nesta safra serão embarcados pelos terminais de Santarém e Miritituba, 7 milhões de toneladas de soja e milho. Mas o potencial é para 35 milhões de toneladas.
O papel do governo seria o de incentivar, para que os produtores pudessem fazer o escoamento de sua produção em condições favoráveis e serem competitivos no mercado internacional.  Seria positivo para a própria economia do país. 
Todavia, o setor produtivo se submete a uma verdadeira saga para chegar com seu produto nos portos, tendo que superar um ambiente adverso e hostil. Quatro mil caminhões atolados, considerando que um caminhão parado deixa de faturar 2 mil reais ao dia, o prejuízo das empresas transportadoras chega a dez milhões por dia. Nos portos de embarque o prejuízos é de 400 mil Dólares por dia. Os dados são da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso - ATC/MT.  
Se o asfalto da Br-163 é crível e bom para o Brasil, então, porque não asfaltá-la? O paradoxo é que sua pavimentação geraria lucro imediato para o Brasil. Em apenas uma safra o governo recuperaria o investimento aplicado na conclusão do asfalto, ligando Mato Grosso a Santarém no Pará. O custo da obra seria cerca de R$ 500 milhões, isto já incluído os pagamentos de propinas.  Valor irrisório, que não causaria qualquer impacto no orçamento do governo federal. 

O setor produtivo, incluindo as tradings como Amaggi, ADM, Cargill e a Bunge, criaram uma grande perspectiva com a ida do senador Blairo Maggi para o Ministério da Agricultura. Ele, além de ser parte interessada na conclusão da rodovia, pois é o principal sócio do grupo Amaggi, tem livre acesso ao presidente Michel Temer e já foi um defensor da obra.
No entanto, a atuação de Maggi frustrou a categoria. O agora ministro, que foi o primeiro a realizar os estradeiros na BR-163 quando entrou para a política, mudou completamente seu foco no Ministério da Agricultura. E a rodovia, que era uma de suas bandeiras, foi deixada de lado, por pressão e interesse macros econômicos. 
Outro parlamentar que também é da base do governo Temer, que inclusive, assumiu a presidência da FPA- Frente Parlamentar Agropecuária- é o deputado federal Nilson Leitão. Mas assim como o senador Blairo Maggi, é de muito discurso e pouca ação. 
Enquanto a soja de Mato Grosso escorrega nesta lama, o mecanismo político deste governo eivado pela corrupção, estuda medidas paliativas para desobstruir atoleiros unidimensionais da BR-163. Mas quem já cruzou a rodovia, de Guarantã à Santarém, sabe que diante do rigoroso inverno amazônico, que se estende até no começo de maio, é praticamente impossível o trafego de carretas, sem que estas fiquem imobilizadas.  O serviço durará até a próxima chuva. 
A princípio, a previsão do governo federal seria concluir a pavimentação da BR-163 até no final de 2012. Porém, justifica o atraso de 4 anos, ao fato da obra ter sido embargada em alguns trechos pelo Ministério Públicos, porque passava em meia à reservas indígenas. 
No entanto, os embargos foram derrubados pela própria Procuradoria Geral da República há cerca de três anos. Mesmo assim, os serviços nos trechos em que foram retomados, seguiram em um ritmo excessivamente vagaroso. Agora, o novo prazo é 2018. Faltam mais de 200 quilômetros de estrada de chão para serem pavimentados até chegar à Santarém. E será que este novo prazo será cumprido?

José Vieira do Nascimento é editor e diretor responsável de Mato Grosso do Norte Email: mtnorte@terra.com.br

 

 
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