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De trevas
Vivemos os tempos do “quanto pior, melhor” com nossos políticos paladinos superficiais com a BR-163 ora sendo atoleiro sem fim ora um canudo interminável de poeira;
10:39   07 de Março, 2017

Eduardo Gomes 

Rodeado por todos os lados pela América do Sul, assim é Mato Grosso. Essa localização não deveria ser entrave para seu mercado internacional em razão dos acessos regionais aos portos que a natureza inspirada na Mão Divina lhe deu. Somem-se a eles o transporte rodoviário e ferroviário existentes e que podem ser melhorados. Portanto, não é a logística, mas sim a incapacidade política a culpada pelos gargalos às exportações e o afunilamento de nossa ligação com a Pátria Mãe Gentil, como o Brasil é chamado por Aldir Blanc e João Bosco em “O bêbado e a equilibrista” que leva a chancela dos dois.

Pelo reduzido espaço editorial, foco a logística do acesso aos portos paraenses do Arco Norte em Santarém e Itaituba (Miritituba). Um assunto do momento é o atoleiro em que se transformou parte da BR-163. Sobre ele: a rodovia foi inaugurada em 20 de outubro de 1976 pelo presidente Geisel e desde então, todos os anos, todos os meses e todos os dias ela deu passagem nos dois sentidos. Seu projeto de pavimentação também sofreu atraso porque o Ibama relutou em conceder licença ambiental para a substituição das suas pontes de madeira pelas de concreto.

Nossa BR-163 é a melhor rota para o Nortão exportar commodities. A ela poderiam se somar outros dois meios de transporte e ambos deveriam estar em operação a todo vapor: ferrovia e hidrovia.

Em 3 de setembro de 2011, numa reunião em Castelo de Sonhos (PA), Marco Polo Moreira Leite, presidente da Asian Trade & Investiments, disse aos governadores Simão Jatene (PA) e Silval Barbosa que sua empresa investiria 10 bilhões de dólares numa ferrovia com 800 quilômetros de Cuiabá a Santarém, numa obra que seria executada em 450 dias. Os chineses pediram garantia jurídica e o Brasil não pôde dá-la.

Em 1997 o Ministério Público Federal em Santarém e Cuiabá conseguiu na Justiça Federal barrar estudos e obras na Hidrovia Teles Pires-Tapajós acima de Itaituba. Esse cadeado continua trancado.

Qual a resposta política a tudo isso? Nenhuma! A classe política (salvo exceções) se perde na atividade-meio, briga por verbas indenizatórias, auxílio-moradia para juízes etc. etc.

Entidades representativas dos setores produtivos interessados imitam gatos de armazém. Tudo que fizeram foi criar um certo Movimento Pró-Logística, que é igual orelha de freira: existe mas ninguém vê.

Vivemos os tempos do “quanto pior, melhor” com nossos políticos paladinos superficiais com a BR-163 ora sendo atoleiro sem fim ora um canudo interminável de poeira; enquanto as águas do Teles Pires e do Juruena se abraçam rumo ao Pará sem direito à companhia das barcas transportadoras de riquezas; e sem ouvir o apito do trem, nesta terra onde lei existe somente para garantir direitos adquiridos dos poderosos, lhes conceder benefícios e lançar seus rigores aos seus adversários. Esse é o tom de meu novo livro “Nortão BR-163: 46 anos depois”, que Mato Grosso deveria ler para poder enxergar o que as trevas nos escondem.

Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

eduardogomes.ega@gmail.com

Rodeado por todos os lados pela América do Sul, assim é Mato Grosso. Essa localização não deveria ser entrave para seu mercado internacional em razão dos acessos regionais aos portos que a natureza inspirada na Mão Divina lhe deu. Somem-se a eles o transporte rodoviário e ferroviário existentes e que podem ser melhorados. Portanto, não é a logística, mas sim a incapacidade política a culpada pelos gargalos às exportações e o afunilamento de nossa ligação com a Pátria Mãe Gentil, como o Brasil é chamado por Aldir Blanc e João Bosco em “O bêbado e a equilibrista” que leva a chancela dos dois.

Pelo reduzido espaço editorial, foco a logística do acesso aos portos paraenses do Arco Norte em Santarém e Itaituba (Miritituba). Um assunto do momento é o atoleiro em que se transformou parte da BR-163. Sobre ele: a rodovia foi inaugurada em 20 de outubro de 1976 pelo presidente Geisel e desde então, todos os anos, todos os meses e todos os dias ela deu passagem nos dois sentidos. Seu projeto de pavimentação também sofreu atraso porque o Ibama relutou em conceder licença ambiental para a substituição das suas pontes de madeira pelas de concreto.

Nossa BR-163 é a melhor rota para o Nortão exportar commodities. A ela poderiam se somar outros dois meios de transporte e ambos deveriam estar em operação a todo vapor: ferrovia e hidrovia.

Em 3 de setembro de 2011, numa reunião em Castelo de Sonhos (PA), Marco Polo Moreira Leite, presidente da Asian Trade & Investiments, disse aos governadores Simão Jatene (PA) e Silval Barbosa que sua empresa investiria 10 bilhões de dólares numa ferrovia com 800 quilômetros de Cuiabá a Santarém, numa obra que seria executada em 450 dias. Os chineses pediram garantia jurídica e o Brasil não pôde dá-la.

Em 1997 o Ministério Público Federal em Santarém e Cuiabá conseguiu na Justiça Federal barrar estudos e obras na Hidrovia Teles Pires-Tapajós acima de Itaituba. Esse cadeado continua trancado.

Qual a resposta política a tudo isso? Nenhuma! A classe política (salvo exceções) se perde na atividade-meio, briga por verbas indenizatórias, auxílio-moradia para juízes etc. etc.

Entidades representativas dos setores produtivos interessados imitam gatos de armazém. Tudo que fizeram foi criar um certo Movimento Pró-Logística, que é igual orelha de freira: existe mas ninguém vê.

Vivemos os tempos do “quanto pior, melhor” com nossos políticos paladinos superficiais com a BR-163 ora sendo atoleiro sem fim ora um canudo interminável de poeira; enquanto as águas do Teles Pires e do Juruena se abraçam rumo ao Pará sem direito à companhia das barcas transportadoras de riquezas; e sem ouvir o apito do trem, nesta terra onde lei existe somente para garantir direitos adquiridos dos poderosos, lhes conceder benefícios e lançar seus rigores aos seus adversários. Esse é o tom de meu novo livro “Nortão BR-163: 46 anos depois”, que Mato Grosso deveria ler para poder enxergar o que as trevas nos escondem.

Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

eduardogomes.ega@gmail.com

 
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