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Dunga x Tite: 10 motivos para o Brasil estar com um pé na Copa de 2018
Números mostram como Tite obteve sucesso para tirar a seleção de uma possível não classificação para a Copa do Mundo até a liderança isolada das Eliminatórias
15:18   23 de Março, 2017

Por Roberto Maleson*Rio de Janeiro

O desafio era grande. Quando Tite assumiu o comando da seleção brasileira, a equipe ocupava a incômoda sexta posição nas Eliminatórias para a Copa da Rússia de 2018 e, naquele momento, não figurava na zona de classificação para a Copa do Mundo - algo que seria inédito no país. Desde o fatídico 7 a 1, o time passou por uma crise de identidade e conviveu com a desconfiança de torcedores e jornalistas brasileiros. No entanto, seis jogos depois, o atual técnico do Brasil recuperou a confiança da seleção. 

Uma possível não participação na próxima Copa do Mundo está praticamente descartada. Segundo o site Infobola, do matemático Tristão Garcia, o Brasil tem 99% de chances de ir à Copa do Mundo de 2018. Nas contas de Tite, basta ao Brasil somar apenas mais um ponto, que, dessa forma, já garantiria estar entre os quatro primeiros das Eliminatórias. 

Para entender como o ex-técnico do Corinthians conseguiu mudar o panorama da seleção brasileira, o Espião Estatístico trouxe números do Brasil sob o comando de Dunga pelas Eliminatórias e os comparou com os de Tite. Como cada treinador esteve a frente da equipe por seis vezes até o momento na competição (Dunga foi o técnico da 1ª a 6ª rodada e Tite da 7ª a 12ª), a comparação entre ambos se faz válida. Confira a seguir os 10 motivos que fizeram o atual técnico da seleção brasileira colocar o Brasil quase classificado para a Copa da Rússia.

Se com Dunga, a desconfiança era geral, com Tite o panorama modificou em um estalar de dedos. O Brasil não emplacou nas primeiras seis rodadas das Eliminatórias, sob o comando do capitão do tetra. Foram apenas nove pontos conquistados em 18 possíveis: duas vitórias, três empates e uma derrota. A seleção estreou com derrota de 2 a 0 para o Chile fora de casa. Venceu duas seleções fracas: Venezuela e Peru, atuais última e antepenúltima colocadas. Além disso, empatou fora de casa contra Argentina e Paraguai, além de repetir o resultado sem vencedores contra o Uruguai, na Arena Pernambuco.

Os maus resultados fizeram com que a CBF decidisse pela demissão de Dunga do cargo de treinador da seleção, em junho do ano passado. Em seu lugar, Tite veio e já mostrou de cara que foi um bom nome para substituí-lo. A campanha de nove pontos de Dunga ou 50% de aproveitamento nas Eliminatórias virou - separando o desempenho de cada treinador - uma trajetória de 100% de aproveitamento com Tite. Ou seja, dobrou. Só não melhorou mais porque a matemática não permite. Em seis partidas da competição continental com Tite como treinador foram seis vitórias. Equador, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Argentina e Peru foram as vítimas: nenhuma conseguiu tirar qualquer ponto da seleção brasileira.

Na "Era Dunga", o Brasil marcou 11 vezes e tinha o quarto melhor ataque das Eliminatórias da América do Sul. Uruguai, Equador e Chile tinham até então os melhores ataques: 12 gols cada. Mas, com Tite, o Brasil assumiu o posto de melhor ataque da competição, e com folga. Com os 17 gols feitos com o atual treinador da seleção, o Brasil já soma 28 gols pró. Isso garante a equipe brasileira com folga na liderança do quesito se comparado ao segundo colocado: o Uruguai, próximo adversário do Brasil nas Eliminatórias, tem 24.

Grandes times contam com defesas consistentes e que, principalmente, tomam poucos gols. Talvez um dos grandes trunfos de Tite seja ter acertado a defesa. Nas primeiras seis rodadas, o Brasil tinha apenas a quinta melhor defesa das Eliminatórias ao lado da Colômbia - cada um já havia sofrido oito gols. Uruguai, Argentina, Paraguai e Equador estavam a frente no quesito de melhores defesas. Os seis primeiros jogos da seleção comparados aos seis seguintes mostram uma diferença gritante. Antes, o Brasil só não tinha levado gol em um jogo (no último compromisso da seleção em 2015 com a vitória de 3 a 0 sobre o Peru). Depois, apenas na partida contra a Colômbia, o goleiro Alisson viu sua rede balançar. E ainda assim com um gol contra: Marquinhos tentou cortar falta batida por James Rodríguez e botou a redonda no fundo do próprio gol.

Quando Dunga ainda comandava a seleção, o time havia tomado oito gols em seis partidas pelas Eliminatórias. Depois, com Tite no comando, a defesa se acertou e o Brasil levou apenas um. Com a melhora de rendimento na defesa, a equipe brasileira passou a ser o time com menos gols sofridos da competição: nove. Do outro lado, a Bolívia - a mais vazada - levou 31.

Novos artilheiros apareceram e mais jogadores diferentes marcaram pela seleção brasileira assim que Tite virou o técnico. Principal nome do Brasil, Neymar não havia feito gol nas Eliminatórias para a Copa da 2018 enquanto Dunga era treinador. Já com Tite, ele fez quatro. Na "Era Dunga" não havia um artilheiro somente, mas quatro: Willian, Ricardo Oliveira, Renato Augusto e Douglas Costa. Todos com dois. Além deles, outros três jogadores balançaram as redes uma vez cada: Lucas Lima, Filipe Luís e Daniel Alves. No total, o Brasil contou com sete atletas diferentes marcando gols pela seleção nos seis primeiros compromissos na competição.

Com o novo treinador, dois jogadores se destacaram na artilharia: Gabriel Jesus e Neymar fizeram, respectivamente, cinco e quatro gols sob o comando do ex-técnico do Corinthians. Destaque no Liverpool, Philippe Coutinho passou a brilhar mais com a camisa da seleção e fecha o Top 3 com dois gols. Além dos três, Miranda, Filipe Luís, Roberto Firmino, Willian, Renato Augusto e Paulinho marcaram uma vez cada pela seleção entre as rodadas 7 e 12.

 
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