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Fora dos padrões
No ar como a mestiça Germana em “Novo Mundo”, Vivianne Pasmanter diz gostar sair da zona de conforto
10:56   07 de Abril, 2017

Por Anna Bittencourt | TV Press

                Na tevê, Vivianne Pasmanter é dona de um currículo de fazer inveja. Desde que estreou como a rebelde Débora em “Felicidade”, de 1991, a atriz acumulou tipos marcantes. Dona de uma beleza natural, as personagens glamourosas acabaram sendo maioria no seu currículo - como a fotógrafa Isabel, de “Páginas da Vida”, de 2006, e na recente “Totalmente Demais”, na pele da decidida Lili. Justamente por isso a oportunidade de viver um tipo tão rústico, como a Germana de “Novo Mundo”, veio bem a calhar.  “A indicação era para eu ir para um caminho que eu nunca tinha ido, de ficar irreconhecível mesmo”, entrega ela, que foi convidada pelo diretor Vinícius Coimbra. Na novela das seis, a autoritária dona da Estalagem dos Portos tem um visual que excede o desleixo. “Quanto pior, melhor. É bom que não vou ‘gastar’ minha imagem nessa novela”, diz, aos risos.

                Chegar no visual ideal não foi uma tarefa fácil. Assim que se inteirou sobre a personagem, Vivianne ainda não sabia como seria sua construção. “Foi tudo feito a toque de caixa, mas um pouco a cada dia. A cada ensaio, saía um trejeito, uma forma de andar, de falar…”, explica. Com a pele mais morena e usando maquiagem para dar aparência de suja, a atriz se veste com roupas velhas e está sempre com os longos cabelos oleosos em cena. “Ainda há uma coisas nos dentes para que pareçam escuros e uma prótese - que começou sendo um amendoim - para que Germana seja prognata”, explica. Além de tudo isso, existe também um tom rude para se comportar. “A personagem é ‘trash’, porca, nojenta”, detalha, com bom humor. Paulista e com ascendência argentina e polonesa, Vivianne se espantou quando se viu pronto na pele de Germana. “Não achei que eu tivesse o ‘physique du role’, mas quis ver até onde eu ia”, confessa.

                Não chega a ser uma tarefa difícil para a atriz se despir da boa aparência tão presente na tevê. “Minha vaidade é fazer o trabalho bem. Tem um distanciamento tão grande de mim que eu consigo curtir, vira tudo uma grande brincadeira”, assegura. Ainda que veja o desprendimento de forma positiva, ela demorou para se acostumar com a falta de cuidado no “set”. “É a primeira vez que não tenho um espelho no camarim ou nas minhas coisas. Pode parecer difícil à primeira vista, mas estou achando libertador”, jura.

                Aos 45 anos, Vivianne garante que estar à frente de um papel tão dissonante do seu currículo é uma grata surpresa. “Acho que consegui variar os personagens na tevê. Mas não tem jeito, por menor que seja, você sempre está preso a um estereótipo”, define. Por isso, a atriz - que tem contrato fixo com a Globo - acha que escolher as obras em que vai estar é um processo difícil. “É sempre angustiante porque não dá para saber no que vai dar. Já tive alguns arrependimentos e uns alívios, sim, claro”, confessa. Apesar do personagem, autor e diretor serem fatores que ela leva em consideração, o tempo é determinante. “Gosto de ter um tempo para abstrair e para estudar. Não costumo gostar muito de fazer as coisas sem tempo, com pressa”, justifica.

Destino certo

            Há 25 anos na tevê, Vivianne Pasmanter sempre sonhou em ser atriz. Tanto que, aos quatro anos, quando viu um colega de turma fazendo comerciais, pediu para que os pais a matriculassem em um curso de teatro. Os pais - um engenheiro civil e uma artista plástica -, no entanto, achavam que era um capricho passageiro. “Meus pais nunca foram contra, mas também não facilitavam. Nunca me levaram para testes e essas coisas”, relembra. Na adolescência, o desejo de seguir carreira foi se intensificando. “Fazia vários cursos, estava sempre procurando alguma coisa nova. A minha sorte é que morava em São Paulo, então era um mar de oportunidades”, diz.

Antes de completar 18 anos e finalmente poder entrar para a Escola de Artes Dramáticas, da USP, Vivianne resolveu se dividir entre as aulas das faculdades de Arquitetura e Cinema. Mas por muito pouco tempo, pois abandonou os cursos depois de quatro meses. "Não saberia fazer outra coisa. O melhor da profissão é brincar de ser outra pessoa, fazer o que não faria como eu mesma. É bom se liberar e entrar no mundo dos sonhos", empolga-se.

 

Instantâneas

# Mesmo no ar em “Novo Mundo”, Vivianne já está escalada para atuar em “O Sétimo Guardião”, novela de Aguinaldo Silva para 2018.

# Para ela, o “novo mundo” é o excesso de interações na rede social. “Acho que a gente perdeu muito do contato pessoal”, lamenta.

# Antes de aceitar o convite para a trama das seis, a atriz pensava em se mudar por uma temporada para São Paulo. Mas os planos só foram adiados.

# Apesar de estar com frequência no ar, Vivianne garante ser tímida e avessa às badalações do mundo das celebridades. 

 
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