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Moradores do Vila Rural não tem água nem para beber, diz presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
A área está localizada numa região seca. Nos meses de agosto e setembro os moradores não tem água
11:05   07 de Abril, 2017

Edemar Luiz Savariz
Mato Grosso do Norte

 

A Vila Rural 1 é formada por 176 famílias numa área de 252,15 hectares. Foi criada pelo Instituto de Terras de Mato (INTERMAT) e as propriedades tem aproximadamente 1,2 hectares. O assentamento foi criado em 2001 pelo Programa de Reforma Agrária “Nossa terra, nossa gente” e implementado em 2006. Em Alta Floresta foram implantadas a Vila Rural Júlio Firmino Domingos (PE Vila Rural I) e Vila Rural Nossa Senhora Aparecida (PE Vila Rural II).

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alta Floresta, Luiz Soares Severino, um grave problema da Vila Rural é a entrega dos títulos definitivos para os assentados.  “Como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais eu sempre me preocupei com o problema da água e da documentação da Vila Rural I. Tivemos diversas vezes em Cuiabá cobrando a legalização dessa área. Quem não registra não é dono, e desde 2001, quando foi feito o assentamento, os moradores tem apenas o título de posse, não tem a escritura definitiva. Essa sempre foi a minha preocupação, porque muitas pessoas estão negociando a área e isso pode causar problemas futuramente”, enfatiza.
“Tem alguns problemas acontecendo que o Intermat vai ter que resolver. Um deles é que o pai ganhou o lote e ele morreu, tem um filho dele que mora na área, mas não vive dela e os outros estão brigando, achando que tem parte. Como essa área ainda não está legalizada, ela ainda pertence a união”, disse. 
“Com a regularização definitiva, tudo seria diferente. Os assentados poderiam buscar financiamentos e investir em suas propriedades. Geraria riquezas para o município e mais qualidade de vida para os moradores da Vila Rural I”, complementa.
ÁGUA - O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alta Floresta, disse que a Vila Rural está totalmente abandonada e sem investimentos.
 “A Vila Rural desde que foi criada ficou abandonada.Tem muitas pessoas que moram na Vila Rural e vem trabalhar na cidade. Lá é um hectare e quando chega o mês de agosto e setembro os moradores não tem água nem para beber, porque a área está localizada numa região seca. E as autoridades competentes não tomam uma atitude para resolver esta situação”, disse o presidente.
Luiz Soares disse que já fez diversas cobranças à muitas autoridades. O deputado Federal Carlos Bezerra fez a promessa de fazer os poços artesianos no Vila Rural. 
“Quando foi feito o asfalto no bairro Vila Nova, cobramos do deputado federal Carlos Bezerra, que fizesse os poços artesianos. Ele assumiu o compromisso que ia mandar a água para a Vila Rural. Veio o pessoal da topografia, fizeram a análise e ficou decidido que iam fazer 7 poços, mas infelizmente já vai para quase 8 anos e nada aconteceu. Foi mais uma promessa”. Enfatiza.

“Eu encontrei o deputado depois e fiz novamente a cobrança dos poços artesianos. Ele disse que o dinheiro já estava liberado e na conta da FUNASA para fazer a obra, que era apenas uma questão burocrática para deslocar o caminhão até o Vila Rural e começar a perfuração. Mais uma vez nada aconteceu. Eu fico muito triste de ver a Vila Rural na situação que se encontra. As pessoas que lá residem, são carentes e precisam da terra para trabalhar. Água é vida e sem ela não se produz nada”, complementa.
PRONAF – Luiz Soares explica que outro problema que está acontecendo no Vila Rural é a respeito de um financiamento feito pelos moradores.
 “Outro problema grave e que estourou agora é que quando foi feito a Vila Rural, alguns moradores fizeram um financiamento pelo PRONAF. Agora esses moradores estão recebendo uma notificação judicial para que paguem este financiamento. Aconteceu que quando os moradores ganharam a terra, o Pronaf mandou mudas de bananeiras, galinha, tela, porco e lasca para plantar pimenta do reino. Com o problema da falta de água, a seca veio e acabou com tudo e os moradores não tem condições de pagar”, observa.
“Quem pegou R$ 5.000,00 naquela época, hoje a cobrança é de R$ 12.000.00. Isso porque foi dado um desconto de 80% nos juros. Nesta questão, a única coisa que eu posso fazer é acompanhar os assentados até a Defensoria Pública, para que o defensor possa defender a causa dos assentados. Muitos não tem condições de pagar um advogado”, finaliza. 

 
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