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Tiradentes: por que um feriado em sua homenagem?
Curiosidades e lendas envolvem a história do dia 21 de abril
22:22   23 de Abril, 2017

Rafaella Dotta

Dono de um feriado nacional em seu nome, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, possui uma história em parte desconhecida e em parte misteriosa. Você sabia, por exemplo, que sua cabeça foi roubada e nunca mais reapareceu? Ou que a barba e o cabelo compridos são provavelmente invenções? Dúvidas como essas abrem possibilidade para se conhecer um pouco mais sobre a revolta acontecida em Minas Gerais, conhecida como “Inconfidência Mineira”.

Era século XVIII, por volta de 1790, quando um grupo de intelectuais, padres e detentores de patentes militares de Vila Rica (hoje Ouro Preto) começou a pensar em uma revolta contra a coroa portuguesa. O professor da UFMG, João Furtado, explica que a maioria dos inconfidentes se rebelava contra a forma agressiva com que Portugal cobrava os impostos em Minas Gerais. “Ricos, principais sonegadores, tinham seus bens confiscados à força”, diz.

Os inconfidentes não tinham um grande projeto para o país, não tinham os mesmos pensamentos sobre a escravidão e não passaram da fase de planejamento da revolta, segundo o historiador. Em abril de 1792, os reis portugueses descobriram a conspiração e mandaram enforcar e esquartejar Tiradentes, a fim de inibir movimentos que também articulassem a liberdade do Brasil de Portugal. 

Símbolo do movimento

De todos os integrantes da revolta, apenas Tiradentes foi morto. Por quê? “Ele era o líder que mais divulgava as ideias da Inconfidência. Ao dar muita publicidade à Inconfidência, foi identificado como o principal propagandista e escolhido para ser eliminado pela coroa”, argumenta o professor. Outros dizem que ele foi o escolhido para servir de exemplo por ser o mais pobre entre seus companheiros, que eram integrantes da burguesia da época.

O enforcamento de Tiradentes aconteceu no Rio de Janeiro, na praça da Lampadosa (hoje praça Tiradentes) e pedaços de seu corpo foram colocados ao longo da estrada até Vila Rica, onde foi exibida sua cabeça.

Curiosas inconfidências 

Será careca? Historiadores afirmam que Tiradentes não era como as pinturas mostram. Como era um alferes (espécie de tenente do exército), precisava manter cabelo e barba raspados. A figura que conhecemos hoje teria sido inventada para se parecer com Jesus Cristo e facilitar a simpatia pelo inconfidente. 

Onde ele está com a cabeça? Nos dias seguintes à morte de Tiradentes, a corte portuguesa enviou pedaços de seu corpo a todo território nacional para amedrontar pessoas que se organizassem pela independência do país. Para Ouro Preto enviou a cabeça e a colocou em um poste na praça central. Entretanto, a cidade tomou um susto ao amanhecer. A cabeça de Tiradentes havia sido roubada. Até hoje diversas lendas rondam a história e seu crânio nunca foi encontrado.

Tiradentes, um vilão? Por 98 anos, desde a sua morte (1792) até a proclamação da República do país (1889), Joaquim foi considerado um exemplo a não ser seguido, odiado por toda a corte portuguesa. Quando o Brasil, enfim, declarou independência, ele passou a ser reconhecido como o mais importante rebelde que lutou pela liberdade do país.

Proclame-se feriado! Tiradentes é o único personagem brasileiro que possui um feriado nacional em sua homenagem. 

Movimentos fazem entrega paralela de medalhas

As homenagens oficiais da entrega da Medalha da Inconfidência acontecem na manhã de 21 de abril, na praça Tiradentes, em Ouro Preto. Uma das figuras mais esperadas para o evento era o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sua ausência foi confirmada pela assessoria na tarde desta segunda (17).

Neste ano, organizações populares decidiram não participar das atividades oficiais. Em contraposição, será realizada a entrega da “Medalha Quem Luta Educa” a pessoas comuns, que simbolizam as principais lutas de resistência no estado. Serão homenageadas uma professora que está em greve por melhorias, um eletricitário terceirizado que sofreu acidente de trabalho, um atingido pela barragem de Mariana, uma viúva do massacre de Felisburgo e outras representações. Ao todo, cerca de 30 pessoas devem receber a honraria em um palco montado na entrada da cidade, também na sexta (21). 

Edição: Joana Tavares

 
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