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Sempre o Sarney
O velho Sarney, habituado a mamar nas tetas públicas, continua o mesmo de sempre, capaz de qualquer coisa por dinheiro e poder
10:31   28 de Abril, 2017

JOSÉ VIEIRA DO NASCIMENTO

A figura asquerosa de José Sarney permeia minhas lembranças desde a tenra idade, como uma espécie de xenofobia. Quando ainda era menino nos cafundós do Pará, ouvia meu pai referir-se ao então presidente da República, como um sujeito néscio, aproveitador, com foco centrado na malandragem política para usurpar a classe pobre. 
No seu mandato de presidente, de 1985 a 1989, o Brasil atravessou o auge do período que ficou conhecido na história do país, como a década perdida, com a crise provocada pela Hiperinflação, que causou instabilidade, desemprego e miséria. 
Meu pai tinha aversão ao Sarney. O descrevia como um dos piores presidentes da história. Mas que antes, foi implacável com o Maranhão. Governou o Estado como um Hitler, que disseminou a pobreza, a miséria e o analfabetismo ao povo maranhense.  
Na verdade, até hoje o Maranhão detém os piores índices de Desenvolvimento Humano do Brasil, semelhantes à países africanos, reflexo da oligarquia da família Sarney, que  todavia, é detentora da maior fortuna do Maranhão, com centenas de imóveis, fazendas, mansões, rede de comunicação e até uma fazenda na ilha de Cururu.  
A saga de Sarney foi demoníaca e perversa! Não contente em atrasar em 100 anos o progresso do Maranhão, em 1990 transferiu seu domicílio eleitoral para o Amapá, onde continuou com suas trapaças, felonias e maracutaias. Quando perdia a eleição no voto, tomava o mandato na marra, usando seu enorme poder.  
E assim, transformado em uma espécie de esfinge, transitou durante 6 décadas na cúpula da política nacional, até anunciar sua aposentaria em 2014, aos 84 anos. Mas quem pensava que ele largaria o osso, se enganou.

O velho Sarney, habituado a mamar nas tetas públicas, continua o mesmo de sempre, capaz de qualquer coisa por dinheiro e poder. Permanece firme ao lado de Renan Calheiros, Michel Temer, Romero Jucá, Padilha, proeminências hordas do transmudante PMDB nacional. 
Mesmo aposentado, quase um nonagenário, o algoz maranhense, segue em alta no noticiário. Enquanto alguns pensavam que a senilidade enfim o arrebataria e o arremessaria para o limbo, ele marcou presença na operação Lava Jato e briga na justiça para continuar recebendo tríplices aposentadorias, que juntas somam R$ 73 mil por mês. 
Biografias de políticos importantes, costumam ser garantia de vendas. Mas sua biografia, escrita pela competente jornalista e escritora, Regina Echeverria, que narra sua trajetória política, empacou nas livrarias. 
Nem a promoção do livro a 18 reais, conseguiu despertar o interesse dos leitores. Me ofereceram um exemplar de presente. Não quis! Não vou perder o meu tempo lendo a biografia do Sarney.
Ao longo dos anos encontrei muitas pessoas que nutriam opiniões aversas sobre o cacique do Maranhão. Mas nunca esqueci o dia em que um de meus professores, enquanto folheava a Folha de São Paulo, comentou indignado que ‘não entendia porque um dos maiores jornais brasileiro, tinha entre seus articulistas, um crápula como Sarney’. 
Já um jornalista amigo meu que nasceu no Maranhão, mas fez carreira em Brasília, sempre que me encontra, repete a mesma frase: ‘só vai voltar ao Maranhão quando o Sarney morrer, para ir no cemitério e mijar na cova dele’.  Disse-lhe para me convidar. Quem sabe eu possa ir junto?

José Vieira do Nascimento é diretor e editor de Mato Grosso do Norte - Email: mtnorte@terra.com.br

 
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