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Pátria amiga
Em “Novo Mundo”, Paulo Rocha reforça cada vez mais seus laços com a tevê brasileira
11:28   03 de Julho, 2017

CAROLINE BORGES
TV PRESS

O trabalho em “Novo Mundo” despertou uma série de sensações antigas e novas em Paulo Rocha. O intérprete do general Avilez precisou reconstruir seu sotaque lusitano em cena para a atual novela das seis. Há cinco anos sem encarar personagens portugueses, o ator mais uma vez comprovou que a composição de uma nova forma de falar vai muito além da língua. “Veio uma série de sensações, nossa pátria e a nossa língua. A língua é muito mais do que falar, é uma têmpera. Ela carrega toda a história dos povos. Agora, a gente volta ao normal, que é falar o português aqui do Brasil, e isso é bom porque eu ganho uma boa agilidade, mas também uma transição entre um e outro sotaque, que é muito legal”, aponta. Na história de Thereza Falcão e Alessandro Marson, Avilez é um general português que faz tudo para que Dom Pedro, vivido por Caio Castro, volte para Portugal e para que o Brasil siga como colônia. “Ele foi um personagem histórico. Foi o último representante da coroa portuguesa no Brasil como colônia. Era um grande militar e com um grande espírito de missão”, defende.
No Brasil desde 2011, quando estreou em “Fina Estampa”, Paulo Rocha é natural de Setúbal, cidade portuguesa. Depois do “début” na trama de Aguinaldo Silva, o ator não teve dificuldades em decidir ficar no país por mais tempo e encarar o mercado nacional. De lá para cá, participou de produções como “Guerra dos Sexos”, “Império” e “Totalmente Demais”. “A adaptação foi muito boa e me senti muito bem recebido. Fui convidado para ficar mais um tempo. Foi só aceitar, negociar e trabalhar”, lembra ele, que buscou ir além dos tipos estrangeiros. “Não tive medo de fazer apenas personagens portugueses. A partir do momento em que decidi ficar, seria interessante, para mim e para a emissora, que a gama de personagens fosse mais ampla”, completa. 
P – Sua última novela havia sido “Totalmente Demais”, em 2015. O que o atraiu em participar de “Novo Mundo”?
R – Fiquei muito encantado em poder trabalhar com o Vinícius Coimbra (diretor) porque tinha assistido a “Ligações Perigosas” e “Liberdade, Liberdade”. Foram trabalhos de grande qualidade, de grande sensibilidade e de grande acerto de todos os colegas. Então, queria experimentar isso também. 
P – Na história, Avilez é um personagem português. Você chegou a participar das aulas de prosódia durante a pré-produção da novela junto com o elenco?
R – Não tive problema com relação ao sotaque. É a minha língua, continuo com o meu sotaque de português de Portugal. Eu até brincava com meus colegas quando eles falavam que meu português estava incrível. Dizia que eu tinha 33 anos de experiência (risos). Tive alguns encontros com a Leila Mendes, que é a minha fonoaudióloga, mas aula de prosódia dessa vez não foi tão necessária.
P – Como foi seu processo de composição para o personagem? 
R – Começou através de estudo e em tentar fazer um levantamento dos registros históricos que tinham referência ao meu personagem. Tento entender para além do seu envolvimento social e econômico. Tentei compreender quem foi esse homem em sua essência. Encontrei isso através de livros, como o “Da Guerra”, escrito por Carl von Clausewitz. Foi para entender essa relação com a guerra, uma perspectiva de general que tem obrigações, pensamentos e motivações diferentes de um mero soldado ou de um sargento. 
P – Após uma série de trabalhos no Brasil e em Portugal. Quais são as principais diferenças entre o mercado brasileiro e o português?
R – Acho que não existe nenhum outro país no mundo em que a teledramaturgia tenha um impacto tão educacional e tão importante sobre a população. Acho que o fato de ser muito importante faz com que as produções em si tenham espaço para atingir uma magnitude ímpar. É ótimo trabalhar com meios de produção de uma estação como essa e com profissionais dessa qualidade. Acredito que o Brasil está um pouco mais avançado do que Portugal nesse quesito, sobretudo, por uma questão cultural.
P – Desde a sua estreia na tevê brasileira, você encarou personagens lusitanos e brasileiros. Em que momento, se sentiu confortável para interpretar tipos que iam além do estrangeiro?  
R – Do meio para o final da novela “Império” comecei a me sentir mais confortável. Foi nesse momento que eu descobri um detalhe que faltava. Além de todo o estudo que a gente tinha feito, é sempre bom descobrir coisas novas durante o processo. A partir do final de “Império” e em “Totalmente Demais”, me senti profundamente confortável.

"Novo Mundo" – Globo – De segunda a sábado, às 18h15.

 
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