Jornal MT Norte
Publicidade
         
      
         
Produção sustentável em MT pode gerar mais lucro do que o modelo convencional
13:02   10 de Julho, 2017

Karinna Matozinhos

Mato Grosso pode desenvolver uma economia rural sustentável até 2030, com um investimento de R$ 46 bilhões em 13 atividades, incluindo cadeias produtivas agropecuárias e a manutenção de áreas protegidas. A estimativa é um dos resultados do projeto "Unlocking Forest Finance" (UFF, na sigla em inglês, ou “destravando as finanças florestais”, em livre tradução), liderado pelo Global Canopy Programme e coordenado, no Brasil, pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA).
O objetivo do projeto é demonstrar que é possível aumentar a produção reduzindo o desmatamento, intensificando o uso do solo e melhorando a governança das áreas protegidas. Os resultados demonstram que os sistemas sustentáveis são economicamente viáveis e, na maioria dos casos, mais rentáveis que os sistemas tradicionais.
"No decorrer dos quatro anos de projeto, ajudamos o estado de Mato Grosso a pensar como estaria a produção e a conservação em 2030. Ao pensar em longo prazo, estimamos o custo de uma transição para um cenário mais sustentável”, explica o pesquisador do IPAM Marcelo Stabile, que coordenou o projeto no estado.

a transição para uma produção sustentável traz ganhos financeiros e pode ajudar o estado a cumprir objetivos estratégicos

“A agropecuária é a principal atividade de Mato Grosso. Para permitir seu aumento enquanto as florestas naturais são preservadas, precisamos pensar em formas inovadoras de incentivar o uso do solo sustentável e fornecer financiamento adequado às necessidades dos produtores”, diz Simone Bauch, diretora para a América Latina do Global Canopy Programme.
Os pesquisadores conduziram mais de 110 entrevistas com representantes de 42 instituições. Eles analisaram 13 atividades, envolvendo produção, conservação e meios de vida sustentáveis: cultura de soja; bovinocultura e corte e de leite; manejo de florestas plantadas e nativas; heveicultura, sistemas agroflorestais; piscicultura; castanha; além da gestão de unidades de conservação federais e estaduais e terras indígenas.
Promover essa transformação em Mato Grosso irá requerer R$ 43,5 bilhões, apenas para melhorar a produção agropecuária. Diversas linhas de crédito existentes, como o programa ABC e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), poderiam ser utilizadas, mas outros mecanismos são necessários para destravar os recursos para essa finalidade.
A manutenção das áreas protegidas demandaria mais R$ 2,5 bilhões nos próximos 10 a 15 anos e auxiliaria na regularização fundiária. Assim, o total de investimentos para a produção e conservação somam R$ 46 bilhões.
"Os recursos para financiar a transição para uma economia de baixo carbono em Mato Grosso existem. Porém, barreiras como orientação técnica e condições mais competitivas para o crédito destinado à sustentabilidade devem ser tratadas", afirma o economista Daniel Silva, também pesquisador do IPAM. O Plano Safra, por exemplo, poderia ser direcionado para financiar a transição do setor agropecuário.

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte