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Para as elites, os privilégios. Para o povo, a fatura
Estamos assistindo o estado torar o dinheiro público. O presidente paga para não ser investigado e paga para aprovar as reformas
14:04   28 de Julho, 2017 - Fonte: Jornal Mato Grosso do Norte

José Vieira do Nascimento

Para permanecer na presidência, Michel Temer está comprando o cargo e pagando com o sacrifício da sociedade. Este aumento no imposto dos combustível, sob a argumentação de que é imprescindível para o governo fechar o rombo das contas públicas, é feito simultâneo ao presidente liberar R$ 4, 5 bilhões de emendas para comprar deputados para votarem a seu favor na denúncia apresentada pelo Procuradoria Geral da República.
Antes, para ganhar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o presidente liberou mais de R$ 134 milhões em emendas. E às vésperas do julgamento que definirá se será ou não investigado pelo Supremo, segue com a operação de compra de parlamentares. 
Já se perdeu a conta de quanto milhões o Planalto gastou para comprar deputados. O presidente paga para não ser investigado e paga para aprovar as reformas. Se as reformas são boas para o país, como afirma o presidente, e ele não teme a análise do Suprema sobre a denúncia do procurador da República, porque tem que pagar para os deputados votarem a seu favor?
Diante desta relação promíscua entre governo, deputados e senadores, o que transparece para a sociedade, é que o Estado é o maior inimigo do cidadão. A safadeza sempre permeou a República, mas não de uma forma tão escancarada como agora. Os políticos de Brasília perderam definitivamente o brio e a sensatez. Não é à toa que as pessoas estão revoltadas e veem o Estado, a estrutura de poder, como um verdadeiro algoz. Um inimigo.
Aqui embaixo, está o povo, que não tem a quem recorrer, e que paga a conta de um governo, cujo compromisso é com as minorias. No andar de cima, estão as elites, as castas sociais que se beneficiam dos recursos públicos. 
Porque será que sempre, quem tem que ser sacrificado é o povo pobre e trabalhador, que perde direitos e tem que pagar a conta das castas privilegiadas e a corrupção dos políticos?
Diante de um cenário de crise econômica, de desemprego, de serviços públicos essenciais sucateados, estamos assistindo o estado torar o dinheiro público, sem escrúpulo e nenhum pudor.  Temer vai liberar R$ 13 milhões para as escolas de sambas do Rio de Janeiro. Enquanto o trabalhador está passando fome, o governo dá dinheiro para contraventores. Não é segredo que as escolas de sambas são controladas por mafiosos. 

Se de um lado, temos este presidente desvairado, ensandecido, que perambula como um espectro, em sua tresloucada operação, para, a qualquer preço, se manter no governo, na outra margem vemos ministros do Supremo que recebem até mais de R$ 500 mil por mês. Dizem que não é salário, mas são os famosos penduricalhos, feitos por encomenda para driblar o teto constitucional. 
O Ministério Público Federal, indiferente ao momento inapropriado, foi contemplado com um generoso aumento de 16,27%, o que representa 116 milhões a mais de gastos no orçamento do país. 
O Ministério Público tem prestado um trabalho inestimável à sociedade, tanto com relação a Operação Lava Jato, quanto na defesa dos interesses públicos. Mas um aumento nesta proporção, num momento que o povo está sendo convocado para o sacrifício, convenhamos, não fica bem para a instituiçao!
Indiferente à crise, o governo federal [que deveria dar o exemplo e cortar gastos] não tem pudor em esbanjar dinheiro público. Recente reportagem da Band News mostra um jatinho da FAB, lavando o ministro da Economia, Henrique Meirelles, embarcando num final de semana, de Brasília para o Rio de Janeiro.
Meia hora depois, outro ministro, o Moreira Franco, embarcou também para o Rio em outro jato da FAB. Na segunda-feira, foi um jatinho buscar o Meirelles e outro buscar o Moreira Franco.  
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, gastou neste1º trimestre, mais de R$ 600 mil para ir e voltar para casa em jatinhos da Força Aérea Brasileira. Foram 30 viagens de entre Brasília e o Rio de Janeiro. 
Eliseu Padilha, ministro Chefe da Casa Civil, gastou R$ 693 mil neste mesmo período para voar entre Brasília e Porto Alegre. 
E por ai segue a lambança... Esse grupo de privilegiados, independente da recessão, continuam com suas mordomias... Enquanto a conta  é paga com o sacrifício e o suor do povo.
É isto que indigna!

José Vieira do Nascimento é editor de Mato Grosso do Norte
Email: mtnorte@terra.com.br

 
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