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PERFIL: Altas gargalhadas
Nanda Costa exalta a leveza e tom de humor da ambiciosa Sandra Helena de "Pega Pega"
14:43   04 de Agosto, 2017

por Geraldo Bessa

TV Press

                Nanda Costa está acostumada a ser escalada para personagens de forte carga dramática. Por isso, se surpreendeu quando recebeu a ligação do diretor Luiz Henrique Rios a chamando para atuar em "Pega Pega", atual folhetim das sete. Nanda sempre desejou voltar ao horário, tradicionalmente mais ligado à comédia, com que trabalhou pela primeira e única vez em "Cobras & Lagartos", de 2006, novela que marcou sua estreia na televisão. "Sinto como se fosse uma volta às origens. Em pouco mais de dez anos, interpretei muitas vilãs e tipos sofredoras em outras faixas. Amo personagens intensas, mas acho que qualquer carreira precisa de um pouco de leveza. É ótimo mudar um pouco de ares", valoriza. Assim que terminou de falar com o diretor, um súbito receio tomou conta da atriz. Definido a personagem como esperta e extravagante, Luiz Henrique garantiu que Nanda iria rir muito em cena. E aí residia o problema: ela sempre teve dificuldade em dar gargalhadas, atuando ou no cotidiano. "Ter uma risada marcante seria essencial para a Sandra. E eu tinha aquele riso preso estranho, sem som. Foi um exercício em busca da minha própria leveza. Rir alto e de forma natural foi a primeira coisa que tive de resolver para fazer a novela", brinca.

Com o auxílio dos preparadores de elenco Eduardo Milewicz e Beta Perez, Nanda aproveitou seu mergulho na rotina da camareira que se envolve em um roubo milionário para também buscar seu próprio "timing" de humor. "Sandra é uma personagem errante. Mas aprendo muito com a atitude rebelde dela. Em uma das primeiras cenas que gravei, o texto dizia: 'Só ter emprego e arrumar a cama não é o bastante. Eu queria mesmo era ser hóspede'. A novela como um todo fala muito sobre as diferenças entre classes. O humor que surge daí é cheio de crítica e gosto disso", garante. Outro ponto importante foi a interação com os outros atores de seu núcleo, especialmente João Baldasserini, intérprete do sonhador Agnaldo, e Jeniffer Nascimento, que vive a espevitada Tânia na trama de Claudia Souto. "Foi durante os ensaios com a Jeniffer que soltei minha primeira gargalhada de fato. Foi um momento libertador. Hoje, sou uma atriz que pode dar gargalhadas quando o diretor solicitar", garante, entre risos.

Pouco antes de começar a gravar, Sandra Helena ainda reservaria a Nanda outras novidades. Disposta a aparecer bem diferente no vídeo, a atriz topou clarear e alongar as madeixas. "Ela também se utiliza da sensualidade. O cabelão a deixa bem poderosa", destaca, admitindo que é "low profile" quando o assunto é vaidade, mas, por conta da personagem, passou muitas horas no salão para colorir e colocar o "megahair". No dia a dia, os cuidados também precisam ser intensificados. "Quanto mais claro o cabelo, mais ressecado ele fica. Dá um trabalhão", avalia a atriz, que já apareceu com os fios lisos e esticados na pele da manipuladora Tuane de "Império", e, recentemente, surgiu quase irreconhecível com os fios curtos, repicados e platinados para viver a destemida Camila em "Espinosa", série do canal pago GNT. "Meu trabalho é minha vaidade. Se o visual é coerente com a personagem, não tem nem o que discutir", garante.

Nascida em Paraty, cidade histórica do Litoral Fluminense, Nanda saiu de casa aos 14 anos de idade para tentar ganhar a vida como atriz. A cidade escolhida foi São Paulo, onde morou em pensionatos e casas de parentes e amigos enquanto cursava a Escola de Atores Wolf Maya. Depois de quatro anos e muitos testes, a atriz foi chamada pela Globo para viver a fogosa Madá de "Cobras & Lagartos". Sabiamente, ela aproveitou a boa repercussão da novela e de sua personagem para emendar outros trabalhos na emissora, onde também esteve em tramas como "Viver a Vida" e "Cordel Encantado". Entre uma produção e outra, Nanda construiu uma estreita relação com o cinema, trabalhando com diretores como Sandra Werneck, Cláudio Assis e Breno Silveira. "A televisão dá visibilidade ao ator. Analisei os convites que foram chegando com muito carinho e vontade de fazer de tudo um pouco. Precisava ganhar repertório", assume a atriz, que se utilizou de todas essas experiências para viver a sofrida Morena, protagonista de "Salve Jorge", de 2012.

 

 

No olho do furacão

Mesmo que o posto de mocinha seja dramaticamente limitado, protagonizar uma novela é o sonho de grande parte das atrizes. Ainda construindo sua relação com a televisão, Nanda Costa se via um pouco distante do papel principal. Até que, no final de 2011, recebeu uma ligação de Gloria Perez afirmando que ela seria a heroína de "Salve Jorge". "Achei que fosse um trote. Estava escalada para 'Cheias de Charme' e fiquei bem quieta até que tudo fosse confirmado", relembra.

Uma dança das cadeiras acabou elevando o "passe" de Nanda dentro da Globo. Gloria havia escrito a personagem Morena pensando em Juliana Paes. Entretanto, perdeu sua protagonista para o "remake" de "Gabriela". Morena foi readaptada para o porte físico e a idade de Nanda, que teve pouco tempo para se preparar para o controverso folhetim. "Aprendi muito sobre volume de trabalho e como lidar com críticas construtivas e desmedidas. É uma personagem muito significativa para mim", valoriza.

 

Instantâneas

# Nanda Costa contou parte de sua história na busca por um espaço no concorrido mercado de atores na série "Clandestinos - O Sonho Começou", de 2010.

# Para cuidar do corpo, Nanda é adepta do Método Híbrido Igarashi, técnica que mistura pilates, levantamento de peso e "kettlebell".

# A atriz vive um momento muito musical. Ela é uma das vocalistas convidadas do projeto "Batida Nacional", do DJ Deeplick, e também assina o cenário e a direção do novo show da percussionista Lan Lan.

# Sempre ligada ao cinema, Nanda tem dois filmes para lançar ainda em 2017: "Partiu Paraguai", de Daniel Lieff, e "A Costureira e O Cangaceiro", de Breno Silveira.

 
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