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Brasil investe na exportação de grão-de-bico
Brasil depende de importações para suprir o consumo anual de oito mil toneladas
14:15   28 de Agosto, 2017

Reportagem 
Mato Grosso do Norte

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, participou na quinta-feira, 24, na Fazenda Alvorada, em Cristalina (GO), da colheita da primeira safra de grão-de-bico destinada a suprir demanda feita pelo governo da Índia. A safra é fruto de experimentos coordenados pela Embrapa. “Nós, brasileiros temos uma oportunidade, mais uma vez pela mão da Embrapa, com gente daqui, desta fazenda, de investir, investigar e fazer”, disse o ministro.
A pesquisa desenvolvida em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tem como objetivo avaliar o potencial produtivo de quatro cultivares (duas indianas e duas nacionais) em três diferentes épocas de plantio, abril, maio e junho. 
Colheita - Como o ciclo do grão-de-bico gira em torno de quatro meses, as primeiras colheitas iniciam-se agora, entre o final de agosto e o início de setembro, e a expectativa é selecionar as cultivares com melhor adaptação às condições ambientais brasileiras.

Atualmente, o Brasil depende de importações para suprir o consumo anual de oito mil toneladas, mas pesquisas recentes da Embrapa visam tornar o país autossuficiente e com potencial para exportação. Período seco, clima favorável e médias altitudes tornam algumas regiões brasileiras aptas para o cultivo de grão-de-bico, leguminosa rica em proteína que é originária do Oriente Médio.
“A parceria vai render ganhos para ambos os países porque, com base na definição das cultivares mais produtivas e adaptadas, será possível fomentar a produção nacional, minimizar a importação e, principalmente, exportar para a Índia e para outros países asiáticos onde é grande o consumo”, afirmou o pesquisador Warley Nascimento, chefe-geral da Embrapa Hortaliças (Brasília, DF).
Além de ser o segundo país mais populoso do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes, a Índia se destaca por grande parte da população, cerca de um terço, ser vegetariana. Essa é uma das razões de o grão-de-bico ser uma das principais fontes de proteínas consumidas no país. De acordo com o Banco de Dados de Estatísticas do Comércio Internacional das Nações Unidas (UN Comtrade), somente em 2016, a Índia importou 873 mil toneladas de grão-de-bico, o que equivale a US$ 688 milhões em volume de negócio.
Consumo no Brasil - Em 2016, o Brasil importou cerca de oito mil toneladas de grão-de-bico, principalmente do México e da Argentina, quantia correspondente a menos de 1% das importações indianas. “Hoje, temos material genético e tecnologia de produção para alcançar a autossuficiência e vislumbrar exportação para os principais mercados consumidores da leguminosa”, disse Nascimento, destacando que a cultura tem apresentando ótimo desempenho no período do inverno, em áreas irrigadas e mecanizadas.
A cultura do grão-de-bico é suscetível a doenças do solo, como nematoides-das-galhas. Por isso, uma das linhas de pesquisa da Embrapa tem testado diferentes plantas com o intuito de identificar uma fonte de resistência para subsidiar o melhoramento genético e obter cultivares resistentes ou tolerantes.
Os agrônomos também buscam entender a dinâmica populacional de diferentes gêneros de nematoides no plantio, quando em rotação com a cultura da soja, que é vulnerável ao nematoide-das-lesões e o nematoide-de-cisto-da-soja.

 
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