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Momento de virada
Em “A Força do Querer”, Gisele Fróes vive personagem divertida
13:13   30 de Setembro, 2017

por Luana Borges

TV Press

       

A gargalhada solta de Gisele Fróes nem de longe lembra as personagens sérias que ela se acostumou a interpretar na televisão. Através de tipos como a megera Marta de “Sete Vidas” e a médica Jane de “Escrito nas Estrelas”, o público se acostumou a associar a imagem da atriz a mulheres com maior carga dramática. Bem diferente do que acontece com a exuberante Cândida, seu atual papel em “A Força do Querer”. Em roupas coloridas e sensuais, inspiradas nas personagens dos filmes do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, e tom de voz elevado, Gisele protagoniza suas cenas e, depois, se diverte com a repercussão de seu trabalho. “As pessoas adoram, é um sucesso. Uma única vez, uma senhora falou que adorava me ver, mas que eu colocava o peito muito de fora. É muito engraçado”, lembra, aos risos.

Desde que viveu a Nina de “Sinhá Moça”, em 2006, Gisele viu sua relação com a tevê ficar mais forte. Até então, ela nunca havia interpretado uma personagem do início ao fim de uma produção. Era à carreira no teatro que mais se dedicava. Mas, a partir da novela de Benedito Ruy Barbosa, passou a emendar papéis no veículo. “Acho que o trabalho em televisão, entre as artes cênicas, é o mais difícil. Porque tem uma velocidade muito intensa e são muitas cenas. E, por causa da quantidade de gente que tem na equipe, não é um lugar que ajude na concentração. No teatro, é diferente, você ensaia um tempão”, compara.

P – O que mais surpreendeu você em relação à sua personagem ao longo dos capítulos de “A Força do Querer”?

R – Sempre me surpreendo quando vou estudar as cenas da Cândida. Acho que ela fica entre ser uma mulher que se sente muito independente e tem uma atitude independente, mas é vítima de uma criação machista. Ela cisma que, para ser feliz, é preciso ter homem. Desta forma, pensa que a filha também precisa ter. Ao mesmo tempo, tem uma ingenuidade. Diz que bandido tem de apodrecer na cadeia, mas tem um coração muito bom e é carinhosa com as amigas e com a filha.

P – Como foi o processo de composição da Cândida?

R – Eu me inspirei nas mulheres que são sofridas, mas não deixam de ter força e alegria para encarar a vida de uma forma incrível. Não sei se isso é coisa de brasileiro, acho que elas sempre arrumam um jeito para dar uma gargalhada. Mulheres barulhentas, que falam alto, para fora, mesmo que sejam mais duras, mas que não deixam de ser debochadas, alegres. Acredito que essa seja uma característica muito carioca, mas não sei se é assim no Brasil inteiro. Acho que a Cândida tem a força dessas mulheres.

P – De que forma os encontros com o elenco antes das gravações ajudaram no seu trabalho?

R – Participamos de “workshops”, que é uma prática muito bacana. Em muitas novelas, às vezes, não temos como encontrar colegas de outros núcleos, então, esses encontros nos dão essa oportunidade. Eles são muito importantes porque deixam a gente com mais intimidade com os outros atores. A Paolla Oliveira, por exemplo, eu não conhecia. No “workshop”, nos divertimos juntas e fomos para a cena com mais cumplicidade. Durante esses encontros, participamos de diversos jogos, como uns que colocam em prática a confiança entre nós. No teatro, também se faz esse tipo de jogo, o que é importante na criação de uma linguagem que pertença a todos os personagens.

P – Foi a partir de “Sinhá Moça”, exibida em 2006, que você começou a fazer novela com mais frequência. Apesar de já ser uma atriz experiente no teatro, foi difícil se adequar à televisão?

R – Foi a primeira novela inteira que fiz. Outro dia, estava gravando com o Papinha (Rogério Gomes, diretor de núcleo) e estávamos eu, ele, a Paolla (Oliveira) e a Isis (Valverde) em cena. Eu falei: “Olha a gente aqui de novo, em cena”. Em “Sinhá Moça”, eu era mãe da Isis. Lembro do meu nervosismo. Mas, mesmo naquela época, as coisas já se ajeitaram. O Papinha é tão delicado que, mesmo sem eu ter feito outra novela, fui vendo que tinha de construir um prazer de estar ali, de ter mais liberdade. Isso é uma conquista eterna na nossa profissão. Não existe um dia da virada, tem um dia que você está mais à vontade. Em outro, as coisas são mais difíceis.

P – Você cresceu em uma família de artistas. Alguma vez, chegou a ficar em dúvida sobre a carreira de atriz?

R – Diariamente (risos). É um trabalho que levo a sério, mas penso: “E se não fizer mais isso da vida?”. Porque nós, atores, dependemos muito do retorno. Agora, pela primeira vez, vou produzir um trabalho meu no teatro, mas fui convidada a vida inteira. E se eu parar de ser convidada? E se não fizer mais sentido para as pessoas o que eu faço? E se não me der tanto prazer? Eu penso todo dia com gratidão por ter uma carreira tão consistente, porque milhões de atores talentosos não têm. Mas, ao mesmo tempo, penso que, quando vi a Joana Fomm, uma atriz maravilhosa, com uma carreira fragilizada, levo um susto. Como o que fazemos é frágil, como grandes atores param de trabalhar! Dou tudo de mim para isso não acontecer. Me dedico absolutamente para isso ser mantido com seriedade, mas todo dia penso que é uma loucura fazer isso da vida.

 

"A Força do Querer" – Globo – De segunda a sábado, às 21h20.

 
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