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A segunda dama
Marisa Orth mergulha no drama e no fado para viver a solitária Celeste de "Tempo de Amar"
13:15   30 de Setembro, 2017
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por Geraldo Bessa

TV Press

                O humor cheio de ironia e a personalidade extrovertida acabaram colocando Marisa Orth a serviço da comédia. Provar que também poderia atuar com tintas dramáticas nunca foi um objetivo na vida da atriz. Mas trilhar um caminho mais diverso sempre esteve entre as suas aspirações artísticas. É por isso que o convite para viver a intensa e sofrida Celeste de "Tempo de Amar" foi, ao mesmo tempo, bem-vindo e surpreendente. “Nunca sofri por ser vista como uma atriz mais ligada ao humor, mas sempre me coloquei à disposição para fazer coisas diferentes. Ter uma personagem com a densidade da Celeste caindo no meu colo é muito empolgante. Sempre tive uma queda enorme por dramas de época”, confessa. Na trama escrita por Alcides Nogueira e Bia Correa do Lago, Celeste é uma cantora de fado muito envolvida com causas sociais em prol do feminismo e o fim do racismo em plena década de 1920. “Ela é uma estrela em Portugal. E esse lado progressista está entre as suas bandeiras. Celeste simboliza as inúmeras mulheres artistas que estão à frente de seu tempo. Ao mesmo tempo em que também guarda um passado nebuloso”, despista.

Enquanto exibe sua toda sua voz e elegância nos palcos, Celeste sofre com a solidão e os dissabores da vida de amante entre quatro paredes. Apaixonada pelo Coronel Francisco, de Werner Schünemann, ela sabe que nunca poderá oficializar a antiga relação, já que ele é casado com a acamada Odete, de Karine Telles. "Enganar essa mulher doente pesa muito na cabeça da Celeste. Ela tem crise de consciência o tempo todo. A música é a válvula de escape da personagem", acredita. Vocalista das bandas Vexame e Luni e com um elogiado álbum solo no currículo, o "Romance Vol II", de 2009, Marisa enxerga a música como um ambiente confortável. No entanto, a autointitulada "atriz que canta" tratou de mergulhar no universo do fado para dar conta das inúmeras cenas musicais que protagoniza no folhetim dirigido por Jayme Monjardim. "Sempre cantei música romântica, mas o fado tem outra temperatura e postura. É um estilo que tem origem nas dores do amor. As aulas que tive para a novela mudaram minha relação com a música. Sinto como se tivesse aprendido a cantar de verdade", valoriza.

Outra relação que vem mudando ao longo dos últimos anos é a de Marisa com as novelas. Mais conhecida pelos seriados e projetos especiais, a atriz assume que fugia de compromissos mais longos com a tevê por conta da dedicação que um folhetim exige. "Estava criando um filho e queria vê-lo crescer. A direção da Globo sempre entendeu isso muito bem. Agora meu filho já tem 18 anos, sabe se virar e eu estou mais disposta a encarar outros tipos de produções", justifica. Em sua segunda novela seguida depois de "Haja Coração", do ano passado, Marisa acredita que é a hora de trabalhar com diretores que ela sempre admirou, mas que, por conta de sua recusa em fazer novelas, acabou tendo de declinar dos convites. "Acho que alguns nunca mais vão me chamar para nada (risos). Mas fiquei muito feliz em me aproximar do Jayme, que eu não conhecia muito bem e agora tenho a chance de conviver. O método de trabalho dele é bem diferente do que estou acostumada na tevê. Gosto do tom mais tranquilo que ele utiliza no estúdio", elogia.

Natural de São Paulo, Marisa se formou em Psicologia e Artes Cênicas ao mesmo tempo. A paixão pela atuação acabou a levando para os palcos e, posteriormente, para a tevê, onde estreou como a espevitada Nicinha de "Rainha da Sucata", de 1990. "Quase 30 anos depois, cá estou eu vivendo a amante de novo", diverte-se. No tempo que separa Nicinha da atual Celeste, Marisa mostrou o apelo popular de sua verve cômica a bordo de produções como "TV Pirata", "A Comédia da Vida Privada", "Os Aspones" e "Macho Man". Dois trabalhos, entretanto, se destacam por conta da longevidade e repercussão popular: a clássica Magda do dominical "Sai de Baixo", exibido entre 1996 e 2002, e a Rita de "Toma Lá, Dá Cá", que foi ao ar entre 2007 e 2009. "Pode passar o tempo que for, as pessoas vêm falar comigo sobre a Magda ou a Rita. Tenho um carinho enorme pelas personagens e foram elas que fortaleceram o meu vínculo com o público e a tevê", ressalta.

 

Planos musicais

 

Viver uma cantora no vídeo parece ter aflorado o lado mais musical de Marisa Orth. Depois de uma década, ela voltou a se encontrar e apresentar com a Banda Vexame, grupo fundado no final dos anos 1980 que se destacou na cena alternativa de São Paulo por reciclar clássicos do cancioneiro brega. "A Vexame é uma viagem musical. Somos todos amigos até hoje e é uma coisa que a gente faz com prazer. Ficamos 15 anos juntos, nos reunimos em 2006 e voltamos agora. Fizemos uma temporada de shows no final de setembro, em São Paulo, e a ideia é fazer outras cidades brasileiras até o fim do ano", planeja Marisa, que ainda espera patrocínio para a mini turnê.

Para aproveitar a repercussão da novela, a única certeza de Marisa é sair em uma turnê solo por algumas cidades portuguesas. Ela até pensa em se arriscar a cantar fado em terras lusitanas, mas quer mesmo é mostrar o repertório passional do show "Romance", que vem apresentando no Brasil desde 2014. "A música brasileira é genuinamente romântica e calorosa. Meus shows fazem uma homenagem a essa tradição", conta.

 

Instantâneas

# Marisa Orth foi integrante da primeira formação do "Saia Justa", do GNT, onde ficou de 2002 a 2004.

# A música foi o mote do primeiro programa solo de Marisa na tevê, o "Almanaque Musical com Marisa Orth", que teve três temporadas exibidas pelo Canal Brasil.

# Todos os fados cantados por Marisa em "Tempo de Amar" foram compostos pelo produtor musical da trama, Nani Palmeira.

# Werner Schünemann também foi par romântico de Marisa na recente "Haja Coração", de 2016.

 
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