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“Incêndio na prefeitura foi para destruir provas”, diz vereador
Vereador Kabelo, presidente da CPI, diz que o clima está tenso em Nova Bandeirantes e que ele corre grande perigo
14:01   04 de Outubro, 2017

José Vieira do Nascimento
Editor de Mato Grosso do Norte

O vereador Andrio Roberto dos Santos, o Kabelo (PSDB), presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI), aberta pela Câmara para investigar as irregularidades na administração municipal, em entrevista à Mato Grosso do Norte, nesta terça-feira, 3, declarou que a crise política em Nova Bandeirantes é gravíssima, o clima é tenso e de instabilidade na cidade, e que a situação é delicada.
Para ele, o incêndio que destruiu completamente o prédio da prefeitura na madrugada de segunda-feira, 2, foi queima de arquivo para destruir os documentos que compravariam as operações fraudulentas feitas para desviar recursos.  
“Dois caras invadem a prefeitura, rendem o guarda e põe fogo... Porque alguém toca fogo em uma prefeitura?”, questiona. “É justamente porque as investigações iriam começar esta semana. Eu achei um absurdo porque a polícia já levou o material, vasculhou tudo. Inclusive a casa de funcionários e prestadores de serviço. Mas a situação ficou pior do que estava no meu ponto de vista. Se não deve, teria que deixar investigar para se chegar a uma conclusão”, analisa.
Mesmo com todo o acervo da prefeitura tendo sido destruído no incêndio, o vereador assegura que os trabalhos da comissão vão continuar. Ficamos sem provas. Mas o povo quer que os fatos sejam esclarecidos. Vou pedir o apoio a população para a CPI seguir em frente. Até agora, só apareceu 1% das coisas erradas. O restante ainda vai aparecer”, enfatiza Kabelo. 

Segundo o parlamentar, a Câmara de Nova Bandeirantes nunca tinha feito o trabalho de fiscalizar o executivo municipal. E agora, que alguns vereadores vem cumprindo com a função de averiguar os fatos, os erros começaram a aparecer. “Houve as denúncias ao ministério Público, embasadas em provas e aconteceu a operação da polícia”, explica.
Segundo o vereador, apesar de a Câmara ter aberto a comissão para investigar, a maioria dos vereadores é do lado do prefeito. “Existem muitos acertos entre eles e são poucos os que realmente querem a verdade. A maioria leva para o lado da vantagem pessoal. Fica difícil de fazer o trabalho, mas está na hora de mudar esta realidade. No entanto, econheço que é complicado por causas das pressões que estamos sofrendo”, observa Kabelo. 
De acordo com ele, o vereador Márcio Laurindo, um dos membros da comissão, pediu afastamento na semana passada. “Ele alega que foi por motivo de doença, mas verdade o motivo é outro, ficou bem claro pra gente. Tentaram barrar a CPI de todas as formas, com ameaças, mas não vou ceder”, assegura.
Kabelo reconhece que os vereadores que realmente se empenharem em buscar a verdade dos fatos, podem estar correndo risco de vida, de sofrerem atentados contra suas vidas. 
“Não jeito que está a situação em Nova Bandeirantes, não dá para duvidar de nada. O risco é muito grande. Posso garantir que o risco é grande a há muitas ameaças.  Mas vou fazer o que tiver que ser feito. Espero que possamos contar com a ajuda da justiça e de forma rápida.  Eu estou correndo muito risco. O resto da comissão não tem tanto conhecimento. Mas eu tenho noção do que estou fazendo e vou buscar os recursos fora, com apoio jurídico e vou fazer o trabalho. Doa a quem doer. Se tiver que pagar, eu pago. Estou disposto a isso!”, reitera.
O presidente da Comissão que investiga as denúncias contra a administração municipal, não descarta o envolvimento do prefeito Valdir Rio Branco nas irregularidades e assegura que há indícios fortes contra ele.
“O prefeito comprava passagens aéreas de Alta Floresta para Cuiabá, mas era a advogada particular dele quem embarcava, para defendê-lo do pedido de cassação do mandato por fraude eleitoral.  Esta muito evidente e tudo leva a crer que ele está envolvido, mas não podemos julgar antes de ter as provas. Temos que fazer a investigação”, finaliza o vereador.

 
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